sexta-feira, 5 de outubro de 2012

A minha escolha


Em Janeiro de 2009 reflectia sobre o cenário mundial e sentia que o 'cheiro' da guerra estava mais presente; uma vaga de fundo, criava/ desenvolvia as condições para esta situação (http://coisas-do-marco.blogspot.pt/2009/01/cheira-guerra-wwiii.html).

A saída para este contexto de guerra, sentia em Junho de 2011 e ainda sinto, é a revolução da inovação social (http://coisas-do-marco.blogspot.pt/2011/06/revolucao-controlada.html), uma que permita novas formas de organiza a acção dos individuos, comunidades, organizações. Tudo começa por uma evolução da consciência individual.

A Natural Rights Foundation (http://naturalrightsfoundation.org/) traça-nos um cenário de WWIII, ilustrando, na sua perspectiva, a vaga de fundo que vem definindo o contexto para esta guerra. Apena a evolução da consciência individual de cada um de nós e a resistência pacífica, ou desobediência civil das sociedades podem ser os antídotos (http://youtu.be/HP7L8bw5QF4). Vale a pena reflectir sobre o que esta ao alcance de cada um de nós...

Em Lisboa, começou um movimento de resistência civil que se espalhou pelo Mundo; seguiu-se Madrid e Espanha, Nova Iorque e Estados Unidos, Mundo Árabe, Grécia e no passado mês voltou a Portugal. O aperto financeiro da Europa continua, com Grécia, Portugal, Espanha, Chipre, ...

No desenvolvimento dos seres vivos há momentos decisivos em que pequenas variações podem ter grandes impactos, e.g. disso é privar uma cria de visão no momento em que se esta a estruturar toda a aparelhagem cognitiva da visão; ficará cega para sempre, ou seja, o sistema de visão não de desenvolve e não voltará a fazer. Sinto que estamos numa dessas fases no desenvolvimento de Gaia (o ser vivo que é a ecologia da Terra). Estamos a desenvolver, pela primeira vez, a capacidade de consciência colectiva (o que sabe uma comunidade ou sociedade de si ?) e a fase é determinante. Se conseguirmos ultrapassar esta fase de desenvolvimento, seremos capazes de co-construir novas sociedades com novos valores e novas formas de organização. Se 'continuarmos de olhos fechados' não vamos desenvolver esta capacidade e ficará atrofiada para sempre e a WWIII será inevitável.

É uma escolha individual. Eu já fiz a minha!

domingo, 16 de setembro de 2012

Reflexão sobre a Islândia...

Uma excelente reflexão sobre a Islândia: http://youtu.be/JGwMIlpgR2A.

Este processo tem tido eco em Portugal. Em Abril de 2011 a minha reflexão chegava uma perplexidade: Caso Islândia. Teremos a coragem ?

Fim de semana de 15.Set.2012

Neste fim de semana 2 eventos aconteceram em Portugal com bastante significado:
- Portugueses sairam a rua (e.g. http://youtu.be/M7MQVYLip18)
- Portugueses juntaram-se para reflectir (http://www.presentenofuturo.pt/)

Estes eventos são processos que se iniciaram há algum tempo...

A saída a rua iniciou-se em 12 de Março de 2011 (Protesto de 12.Março). Foi uma saída auto-organizada, não profissional, mas que foi o ponto de partida, o perceber que pode acontecer. Por si, já tinha como antecedente a manifestação dos professores, convocada por telemóvel. A partir daqui vários ensaios foram realizados, várias reuniões de movimentos juvenis (grassroots), uma coordenação se iniciou, tendo havido vários eventos como em Maio último a Primavera Global, o encontro dos manifestos São Jorge (Lisboa) - encontro dos manifestos, r-evolucionar portugal (http://www.r-evolucionar.eu/. Estes movimentos estão ligados a movimentos internacionais como o movimento occupy (http://occupywallst.org/) e uma maneira completamente diferentes de fazer as coisas: pacífica, cívica, assente no diálogo, criativa, humanista. Mostra uma capacidade de mobilização grande e um nível de coordenação já muito bom. Mostra também que a indignação geral começa a acontecer, sendo vista de acordo com o enquadramento que cada pessoa tem (um esboço de uma análise pode ser encontrada em Gerações em décadas). Nesse sentido há aqui duas grandes tendências:
- aqueles que estão na casa dos 20's e dos 30's que dão corpo ao processo anterior e as suas motivações são de fundo: não acreditam neste sistema
- os que estão nos 40's, 50's, 60's (e 70's) que estão a reagir ao tempo presente e ao governo: estão a assumir que o sistema pode ser melhor

Se assumirmos que cerca de 1 milhão esteve na rua ontem, sabendo que por cada pessoa que vem a rua 7 ficam em casa mas descontentes, podemos assumir que mais de 5 milhões (7 milhões ?) estão insatisfeitos. Há insatisfação e indignação. Junta-se as duas tendências mas as suas motivações são diferentes.

Os outro evento foi o Presente no Futuro que analiso em Presente no Presente e Presente no Passado. Foi um bom evento, com muita informação, debate e reflexão. Um lançar de um processo de reflexão para o futuro, um processo que começou em 2008 com a criação da Fundação MSS e querer assentar a opinião em dados. Foram colocados dados on-line, editados livros de reflexão e debate, organizado este evento. Um grande exercício de cidadania e da vitalidade da sociedade civil.

Conseguimos reflectir sobre o passado e os dados (acho que falta aqui uma visão histórica bem fundamentada que nos mostre como as 7 gerações anteriores, desde 1800, construíram este presente), temos muita dificuldade em nos distanciar do presente e das dores presentes, uma dificuldade enorme em ver o todo e a pensar a partir do sistema-todo e uma grande dificuldade em imaginar o futuro, em sonhar futuros. Não estamos a conseguir desenhar a partir do futuro que emerge!

Penso que este estado tem várias motivações das quais destaco:
- o momento actual acentua o lado negativo, havendo muita dificuldade em ver o que há de positivo e o que já conseguimos
- continuamos presos a um modelo de pensamento ultrapassado que acha que uma sociedade se constrói pelas elites em que o povo, apático, delega nas elites a condução dos seus destinos
- não temos presente a nossa história dos últimos 150 anos e não percebemos como esse passado nos condiciona no presente
- não temos a visão do sistema todo em que estamos envolvidos e não conseguimos pensar a partir dai (Mundo-Europa-Portugal--)
- não há conhecimento generalizados dos métodos que promovem a colaboração entre nós e nos ajudam a focar no futuro que queremos
- Não conheçemos as mudanças e os casos que já estão a ocorrer em todo o mundo (a revolução silenciosa), desde o movimento transição, natural step, Islândia (pessoa, comunidade, organizaçãoCaso Islândia. Teremos a coragem ?)

Juntando os dois.
Temos um país indigado, que quer mudança. Gosto da vontade, do exercício da liberdade e da cidadania. Da democracia.
Temos um povo (elites incluídas) bloqueado, que não está a conseguir pensar e sonhar o futuro, porque se encontra preso a um modelo já ultrapassado. Preocupa-me não estarmos a conseguir sonhar futuro. De estarmos presos no presente. Preocupa-me a evolução, o dia seguinte, como faço a reflexão em Revolução controlada. A 'revolução verde' alerta-nos para o dia seguinte.
A solução é mudar de paradigma. Co-criação. Mas não há uma consciência colectiva. A questão fundamental desde fim de semana é como podemos aproveitar toda esta energia e vontade para a co-construção de um novo futuro ?


Na semana passada escrevia no facebook que as nossas prioridades são:
- não haver fome para nenhum pessoa no país (gosto da ideia de ilegalizar a pobreza)
- todas as crianças na escola
- garantir que a justiça funciona e que se responsabiliza quem prejudica o bem comum
- pagar a dívida de forma sustentável para o país
- nova organiza-acção das comunidades e sociedade (incluído o sistema de decisão)


I.e., um programa que tenha como objectivo último, fazer com que cada um de nós possa acreditar no outro, como condição para construir uma sociedade de pessoas felizes, porque em realização das suas vidas e potenciais.



Poderíamos estar todos juntos em torno destas 5 prioridades/ objectivos sistémicos e de um programa que acredite em cada um de nós ?


Presente no Presente

Faço o meu balanço desta conferência, Presente no Futuro.

O que gostei ?
- Temas/ conteúdos, quer em relevância, quer em fundamentação, quer em diversidade, quer em importância (presente e futuro): concelho científico esteve muito bem
- Organização, desde a equipa, pormenores, dedicação, logistica, atenção aos participantes, rigor, horários, ... senti muito amor, muita dedicação; equipa de organização esteve muito bem
- palestras de abertura nos dois dias foram muito boas
- a intenção/ o desenho:
a) passar a discutir/ debater fundamentado nos dados em vez 'de acho que'
b) criar rede/ networking entre todos os presentes
c) múltiplos pontos de vista: ciências, profissões, sectores da sociedade, arte, comunicação, ...
d) procurar debates diferentes, que pudessem ser criativos (formato das sessões, coffee-breaks, almoço)
e) plantar sementes
- palestra do fernando henriques cardoso (desafios do mundo)
- celebrar/ celebração

O que não gostei ?
- O que foi bom, foi tão bom que deixou o sentimento de frustação que dei conta em Presente no Passado
- Falhou o imaginar 2030; pelo método seguido as pessoas não conseguiram passar do passado e presente para imaginar o futuro
- Faltou ligar melhor as pessoas, faltou momentos criativos (música, arte, ...), faltou dados da nossa história (o nosso presente está a ser influência pelas 7 gerações anteriores, ou seja, desde os que nasceram entre 1800-1830 para a frente)

Dos 5 dedos que podiamos ter atingidos ficamos entre o 1 e os 2 dedos. Podiamos ter ido mais longe. Ficamos no presente e usamos métodos do passado. Faltou co-criação. Faltou conduzir as pessoas pelo U - ficamos só no primeiro estágio (www.presencing.com).

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Presente no Passado

Hoje participei no Presente no Futuro (http://www.presentenofuturo.pt/). Vim para casa frustado, angustiado, com um sentimento de impotência. A pergunta que mais me ocorria é porque é tão difícil utilizar o melhor conhecimento do presente sobre 'organizar a acção', neste caso a acção de debate, de perspectivar uma sociedade, a portuguesa em 2030 ?

Sobre a intenção ?
Tirar as pessoas do presente, coloca-las a sonhar um futuro, vários cenários com que pudessemos reflectir. E depois fazer o caminho contrário. Como posso construir esse futuro a partir do presente ? Quais as decisões ?
Tentou-se que o formato fosse diferente, mais informal. Que houvesse encontros inesperados, que pudessem fazer a diferença.

Gosto da intenção. Partilho a ambição. Não é daqui que vem a frustação.

Sobre a conversa ?
Debate ('downloading', segundo a teoria do presencing, www.presencing.com). Pouco ou nenhum diálogo. O que vi em todos os painéis e no almoço foi variações de "do meu argumento é melhor que o teu"; muito pouco ouvir; muito pouco co-criar. Fala-se do passado, critica-se o presente na lógica do "acho que". Muiot focado numa parte. Sem visão do todo. Sem discutir a parte mas com o contexto do todo - discuto a perna do elefante sabendo que é um elefante e não apenas como algo duro e grosso a minha frente. Muitos poucas ideias e nenhum cenário de Portugal em 2030. Não se sonhou. Não conseguimos, enquanto colectivo descer no U (presencing).

Mas não foi a conversa, em forma de debate, que criou a frustação. Então o que foi ?

Sobre a conferência ?
Vi, falei e ouvi pessoas boas, com vidas integras, com trabalho feito com ideias, com energia. Quer participantes, quer oradores. Vi inteligência em todo o lado, uma energia canalizada para dizer mal, outra para tentar gerar ideias, outra para tentar vencer o debate, ... mas energia.

Senti-me muito bem acolhido. Todos os pormenores foram bem cuidados. A organização era boa. Atenciosa. O ambiente era acolhedor. Os momentos pensados para o contacto. Para ser descontraído, para estar quase no café (mas não estávamos; o formato era de downloading! - ver sobre a conversa). Gostei da organização.

Ou seja, boa organização. Boas pessoas. Energia. Também não foi aqui que foi gerada a frustação. Onde foi então ?

Occorre-me uma imagem...

Imaginem um terreno, lavrado, aberto, largo, onde não se vê o fim. Algures uma construção de arquitectura moderna, talvez uma adega. Uma pala sai de uma parede branca. Tem a altura de uma pessoa e talvez 3 metros de comprimento. Por debaixo da pala, uma árvore, faz força sobre a pala. Esta atrofiada, não se desenvolveu. Está contorcida, obrigada a descer. Forçada a não deixar a sua natureza desenvolver. São poucos os seus frutos mesmo sendo época de frutos. Os poucos são pequenos e nada convidativos. Era como se o potencial da árvore tivesse ficado pelos 2 dedos, quando poderia ter feito 5 dedos como os nativos da sua espécie.

Olhando para esta paisagem, um observador questiona-se, o que faz aquela árvore debaixo daquela pala ? A semente lançada um pouco mais distante, teria dado uma árvore forte e robusta, com frutos viçosos. Seria esteticamente relaxante. Belo.

Terá sido fruto do acaso ? Terá a semente sido transportada pelo vento e germinado naquele local ? Se sim, compreende-se o resultado, afinal não houve a intenção de... o acaso da natureza, o seu método, assim o determinou. Naquele momento não havia o conhecimento da pala e dos constragimentos.

Terá sido com intenção ? Se sim, foi com a consciência da pala e da restrição que esta seria para uma árvore desta natureza, que se desenvolve muito para lá da pala ? Ou foi sem consciência, como seria o resultado de quem plantou não ter o conhecimento que esta árvore se desenvolvia desta forma ?

Poderia acontecer o belo, caso a semente caisse fora da pala ? Poderá de facto a pala ter criado o ecosistema favorável ao desenvolvimento da árvore, facto que não aconteceria se a semente estivesse fora da pala ?

Não conseguimos responder. Mas o narrador sabe - talvez pelo assobio do pássaro próximo - que a árvore foi plantada por uma criança que queria proteger a árvore. Que a amou e cuidou. Que a fez crescer. E todos sabemos que não se recusa nada a uma criança, muito menos quando ela esta disposta a amar.

Voltando a nossa conferência, vejo a conferência como a árvore que se desenvolveu debaixo da pala, organizada por uma criança cheia de amor mas que não usou todo o conhecimento que tinha ao seu alcance para proteger a árvore no futuro, não a protegendo no presente.

Na sala havia muito potencial, muito conhecimento. As condições, a intenção apontavam para um potencial de 5 dedos. Mas ficamos em 2 dedos. O que foi então a nossa pala ?

O métodos utilizados para facilitar não foram os melhores métodos, não foram os métodos mais adequados a natureza da conferência. Não foram os melhores métodos que já fomos capazes de produzir (saber humano). Tudo veio de cima. Nós recebemos. Fomos passivos. Não conseguimos realizar o potencial latente da conferência. Estava tudo lá. Não esta a a tecnologia para potenciar a inteligência colectiva. O que poderiamos ter usado ? World café (http://www.theworldcafe.com/), Open Space ( http://www.openspaceworld.org/), Future Search (http://www.futuresearch.net/), appreciative inquiry (http://centerforappreciativeinquiry.net/), dialogue (http://ncdd.org/), presencing (www.presencing.com), whole-scale change (http://www.wholescalechange.com/), scenario thinking (http://scenariothinking.org/) ... combinação de vários, só para citar alguns exemplos; tudo métodos desenvolvidos para co-criar, para crescermos em conjunto. Métodos que não assume que há uns que sabem mais e tem a verdade; antes que há uns que sabem de um ponto de vista e outros que podem complementar, que podem gerar novas ideias/ perspectivas sobre esse ponto de vista. Métodos para potenciar o saber de uma população interessada. Vem de baixo e do meio. Somos activos. Potenciamos todas as nossas capacidades. Criamos uma inteligência colectiva.

A minha frustação resulta de ter visto todo o potencial, todo o amor, empenho e dedicação colocado na organização, ver a árvore da consciência colectiva estar a ficar contorcida, disforme, só concretizando os 2 dedos do seu potencial porque não estavamos a usar a tecnologia adequada para facilitar a emergência de toda essa energia e criatividade. Há muita inteligência na organização e nas pessoas a volta. Porque não se chegaram aos métodos referidos ou porque se decidiu não os isar ? E não tentamos. É daqui que se gera a frustação.

Não posso prometer que se tirássemos a pala haveria as condições para a árvores da consciência colectiva desenvolver no seu potencial. Talvez não. Mas o sonho de tal beleza inspira-nos para tentarmos. Há resultados, mas toda aquela energia e esforço mereciam mais e sabemos que podiam ambicionar mais. Não arriscamos. Ganhámos pouco. Muito pouco.

Não posso deixar de ver este evento como uma metáfora do Portugal contemporâneo. Estamos todos muito emprenhados e a gastar muita energia para termos 2 dedos. Não estamos a conseguir perceber que, se mudarmos a forma como nos organizamos, se utilizarmos as tecnologias adequadas, neste caso de colaboração, de facilitação, conseguimos ambicionar os 5 dedos, com menos esforço e mais satisfação. Não sabemos que é possível. Estamos agarrados a perna do elefante e pensamos que se trata de um pilar. Não percebemos que é um elefante.

É daqui que resulta a minha frustação.



quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Correndo a democracia...

Um grande atleta, por exemplo na maratona, quando nasceu não sabia andar. Teve primeiro que nascer, ganhar sentidos para 'sentir' o mundo, ganhar força muscular, desenvolver o cérebro para articular/ orquestrar e treiná-lo nessas funções, até começar a arriscar, a levantar-se do chão e dar os primeiros passos. Muitas acções foram realizadas, muitas tentativas, muitos erros, até que uma criança inicie a marcha. Dai até corre são mais uns tantos... depois crescer, desenvolver-se, ... algures no caminho começar a treinar a corrida, aprender a técnica, competir, treinar, exercitar todos os dias, até ser capaz de fazer a maratona e ganhar a medalha de ouro nos campeonato do Mundo ou nos Jogos Olímpicos. Pelo meio houve a família, as sucessivas escolas, um ou mais clubes, e muitas corridas, provas, treinos, ... muita prática. Muita oportunidade de falhar, de ver como é fazer bem.

Mas o que é que a maratona tem a haver com a democracia ? Formulando de outra forma, o que correr a maratona e o processo para lá chegar me mostra sobre a democracia ?

O ponto fundamental é que, até chegarmos a adultos e começarmos a votar, a democracia não é exercitada em lugar nenhum. Talvez nas associações... quantas se gerem democraticamente ? As assembleias de condóminos, os sindicatos, os partidos, as empresas, ... tudo em adulto. Assumindo que nestes sítios se pratica a democracia, a coisa só se exerce em adulto, o treino começa quando a competência já é necessária. Seria correr a maratona pela primeira vez no campeonato do Mundo, depois de ter visto umas quantas vezes na TV.

Sobre a questão de ser democrática a gestão de uma empresa, associação, partido e afins, a minha ideia é que não é. Tb sou da opinião que o nosso sistema é uma ditadura de 4 em 4 anos. Nós não participamos na decisão nem na organização da acção colectiva. Nem na escolha das prioridades. Tudo isto é feito por terceiros em processos mediados e intermediados.

Para se ter uma democracia tudo isto tem que começar desde muito cedo e muito abaixo. Nas famílias, mas comunidades locais, em cada empresa, em cada bairro. Temos que deixar de ser hierarquias e passar a colaborar, a fazer uso da inteligência colectiva, a ter métodos e tecnologias de organização que promovam a colaboração, a decisão e a acção responsável. Em cada sítio se treina. Em cada 'sítio' se analisa "o que sinto", "porque estou zangado com o outro", "como podemos ter os dois o que queremos", ... é este exercício, feito diariamente, desde o berço, que nos leva a poder ter um sistema democrático global, a um nível de uma sociedade, que funcione, onde cada um acredita no outro. A nossa democracia funciona tão bem como o atleta que vai correr a maratona pela primeira vez. E que face à falha diz que a culpa é do outro e do sistema. Tenho que saber lidar comigo e com as minhas insuficiências e grandezas. Tenho que saber lidar com o outro, que é humano como eu. E isto treina-se desde a mais tenra idade.

Para correr a democracia temos que começar a andar. Este é o défice democrático da nossa sociedade. As nossas formas de organização não são democráticas porque nós não sabemos correr a maratona (digo a democracia), porque delegamos noutros, pedimos que façam por nós e depois não gostamos do que eles fazem. Cada um de nós tem que saber correr a democracia. Poucos vão ganhar a medalha de ouro nos campeonatos do Mundo, mas a nossa sociedade irá funcionar muito melhor.

Impõem-se que mudemos a forma de nos organizar, como indivíduos, comunidades e organizações e que possamos todos começar a correr a democracia todos os dias no nosso dia a dia, na construção da nossa comunidade, das nossas organizações, das nossas famílias. Só assim vamos construir uma sociedade diferente.

Outros posts relacionados:
pessoa, comunidade, organização
Manifesto empreendedor
Da natureza do sistema democrático
Uma vida equilibrada (princípio do 1/3)
Revolução controlada
Caso Islândia. Teremos a coragem ?
Programa de Acção Política ACREDITAR



quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Sobre 'fado'


Contexto: Numa conversa no facebook*, sobre fatalismo, senti-me impelido a escrever sobre fado. Aqui vai.

Gosto de fado, da música. Quanto ao fado, destino, já sabem que sou dos que acho que cada um pode co-criar o seu...
Na procura de uma razão, ocorre-me gosto da voz do Marceneiro, do que a voz da Amália faz-me sentir, do que sinto quando oiç
o a Mariza, Camané, isto só para citar duas gerações diferentes e vários estilos... gosto do som da guitarra portuguesa... gosto das variações de Lisboa, de Coimbra, de Setúbal, ... gosto de ser uma experiência de vários sentidos, dos 6 (espiritual conta ;-)

Mas tb e sobretudo da história.

A minha tese é que o fado são as mães que choram os seus filhos e maridos além mar.

Não podemos ter feito a primeira globalização sem termos inventado a saudade; somos muito poucos e só podemos sentir a falta de quem amamos; 500 anos disto é duro; e as viagens não eram 24h ;-)

Somos um povo forjado na espada e que em todos os séculos (diria em cada meio século - mas não fui verificar) esteve em guerra; 900 anos disto é muito duro; e gera muita saudade.

Este é um território das mulheres que choram a nossa história. Como não soubemos estar sossegados, temos muito que chorar. É o preço que pagamos por quere ser globais, mas defender a todo o custo um dos melhores bocados de terra no planeta ;-)

Pelo menos por isto, gosto de fado.

....
Falando de choro, do 'fado' que se co-cria, da história, do João, de Chora-que-logo-bebes, sem e com medo, é aqui que tudo se liga, pelo menos para mim; acho que somos um território de empreendedores que estamos a viver um período em que respiramos o nosso próprio medo (cap XI e XII - o joão medroso e o ar envenenado ;-)

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* Conversa

Na sequência da talk do Peter Senge sobre fatalism o Filipe comentou: "Fatalismo é o sobrenome de muitos portugueses. Um taço cultural chorincas presente inclusive em muitos empresários. Até há um género musical para o celebrar nacional e internacionalmente: o fado. Felizmente, cada vez mais há Joães-Sem-Medo de quebrar este ciclo fatalístico. ;)"

Link: http://www.facebook.com/groups/movimentomanifesto/permalink/448086298569393/

terça-feira, 12 de junho de 2012

pessoa, comunidade, organização

Nos últimos meses tenho recebido muita informação nova, conhecido muitas pessoas, muitos conceitos novos, muita energia...

Tenho cada vez mais claro que o conceito determinante dos nosso dias é "acção" e a sua organização (organiza "acção"). A "acção" é a interacção com o que nos rodeia, o que está para além da nossa fronteira (sensasorial) - esta dimensão interior e exterior é constituinte e tem que ser objecto de análise. Agimos ao 'olhar', 'cheirar', 'correr', 'pensar', ...

Cognição é "acção". Conhecer é "acção". Enacting pessoa e seu ambiente. A nossa "acção" é o resultado das múltiplas "acções" nas nossas partes, células, átomos, electrão, ... é o "movimento da vida, o "fluxo de energia", ...

A "acção" humana é organizada em dois domínios fundamentais: na comunidade onde residimos e temos uma ocupação (e.g. trabalho, voluntariado, escola) - comunidade resulta de uma rede de indivíduos que formam famílias (sentido lado) com 1 ou mais elementos; nas organizações com quem nos relacionamos ou onde temos uma ocupação (e.g. sou professor na escola; fui ter uma consulta ao hospital).

Daqui resulta:
- 'pessoa' gera a "acção"
- 'comunidades' e as 'organizações' organizam a "acção"

Estes três conceitos assumem uma importância fundamental e são elementos determinantes na construção social (micro) e logo, de uma nova ordem social.

Nas organizações, novos modelos surgem:
Nas comunidades, novas aproximações:
Nas pessoas, novas perspectivas:
  • Exterior-interior: Empreendedorismo (em particular o defendido pela Saras Sarasvathy)
  • Interior-exterior: Empowerment (e desenvolvimento pessoal, onde incluo o eneagrama, porjecto ZorBuddha ou a SAPANA)
(nota: no sítio dasd ONE Talks - http://www.oneperfectmovement.org/program.html podem encontrar alguns links e palestras sobre o tema)

Nesta dinâmica micro, bottom-up, grassroot, surgem novos métodos de engaging/ thinking:
Na interacção emerge o todo social, o macro, com a sua economia, política, história, ... também aqui começam a emergir novos modelos, como seja nef,  iops, moveOn, ...

Subjacente a... nas bases... nas fundações, temos:
  • Teoria do conhecimento: construtivismo (balão maior que contém o positivismo)
  • Método: sistémico (complicar/ complexidade o outro lado do reduzir/ reducionismo)
  • Pensamento: integral, inclusivo (a pessoa como ser espiritual, artistico, filosófico, científico, biológico, social, económico, cognitivo, ...)
  • Organização: rede (balão maior cujo caso particular é a hierarquia)

quarta-feira, 23 de maio de 2012

déjà vu

Nas últimas duas semanas tenho tido um sentimento de déjà vu.

No yoga do riso - basicamente trabalhar um conjunto de músculos e mecanismos cerebrais utilizando o riso - é  usada uma técnica: rir sem vontade, para induzir um riso com vontade, genuíno. Rimos sem vontade e ao fim de um certo tempo, depois de nos 'libertarmos' já estamos a rir genuinamente, com o 'todo eu'.

Durante a década de noventa era TQM (total quality management) por todo o lado e ISO para todo o lado. A maneira de fazer as coisas com qualidade era introduzir uns papeis e um gabinete de controlo da qualidade e umas auditorias que certificavam papel (e não a qualidade da coisa produzida ou realizada). O processo de certificação e a certificação propriamente dita não eram um meio, eram um fim. A malta fazia isto não porque queria mudar o modelo mental de como se servia, em focar a nossa atenção no cliente e no que ele quer, mas sim como uma maneira de o 'enganar', de dizer que temos uma coisa que não temos. A intencionalidade do desenhador é que através de uma 'gargalhada sem vontade' (certificação e o seu processo) se conseguisse chegar a gargalhada genuína (pratica focada no cliente e em servir bem). No global, algumas melhorias teve, a questão deste modelo organizacional é que os seus pressupostos não estavam correctos para o tempo que vivíamos: nós não queríamos fazer melhor o que estávamos a fazer, nos queríamos era fazer diferente (e.g. serviços públicos).

O que tem acontecido nas últimas semanas é que tenho ouvido muito empreendedores e todos eles muito orgulhosos porque tem feito x centenas de inquéritos a "clientes" e que bla, bla, bla... estão a aplicar o 'lean startup' e a coisa vai ser espetacular. Faço algumas perguntas ?
- Falaste em cliente, quantas pessoas já te compraram o teu produto ? Resposta; nenhuma, estava a sondar o mercado.
- Com quantas pessoas falaste mesmo, ao vivo ? Resposta: nenhuma (ou muito poucas); foi por email (ou facebook, ou ...)

Há um ponto aqui que me esta a escapar. Este não é um fim, é um meio. 'Um meio' para quê ? Para estabelecer conversas reais, profundas com as pessoas que tem os problemas que nós queremos resolver. Ouvir. Ouvir com todo o meu ser. Ouvir com a cabeça, com o coração. Um ouvir empático. Um ouvir que se liga ao outro. É deste 'ouvir' que vem as 'intuições' ao fim de muita conversa com muita gente (centenas para começar).

O inquérito, no início do processo, é um 'ice-breaker' para se iniciar a conversa e o processo de ouvir. O que se quer é conhecer, conhecer tacitamente, com todo o meu eu.

Quando começo a conhecer, posso usar a técnica dos inquéritos para validar pressupostos e perceber a cobertura da coisa. São focados e construídos a pensar num determinado conhecimento.

A malta começa a rir sem vontade (usar o inquérito), como meio (sair da sua zona de conforto, criar ligação ao outro, facilitar a relação), para a gargalhada genuína (conversas com as pessoas que tem os problemas e que podem vir a ser os nossos futuros clientes - o que falta de 'conversar' até serem 'clientes'?) .

É das conversas genuínas, onde se ouve de uma maneira empática, interessada, ligada ao outro, que resultam as soluções (as hipóteses que querem ser testadas). O segredo está na conversa. Já passaram mais de dez anos desde o CLUETRAIN MANIFESTO mas ainda continuamos a seguir o mesmo modelo do TQM e a confundir o meio com o fim. Mania a nossa de não termos conforto quando não estamos a seguir uma receita - felizmente emergem novos modelos de liderança para nos ajudar a fazer sentido disto: Teoria U.

O Galito um restaurante alentejano em Lisboa editou um livro de cozinha com as receitas da D. Maria Gertrudes, a cozinheira. Neste livro não havia uma única quantidade. A razão é simples, a D. Maria nunca tinha medido nem sabia medir. A coisa acontecia, vinha das muitas horas de 'ouvir' a 'conversa' que os condimentos tinham uns com os outros, num determinado tempo. É o conhecimento que vem de fazer com paixão com dedicação ou ouvindo a boca de quem come. O livro é apenas um referencial. Cada um terá que ser o seu cozinheiro e experimentar muitas vezes até conseguir apurar a sua 'carne de porco no alguidar'. O verdadeiro ensinamento vem da acção de todos aqueles que colocam muitas horas  na procura da boa relação, do bom equilibrio, que seguem os seus instintos e que os vão treinando.

É uma excelente metáfora para o que tenho visto. O lean startup tem que ser visto como o livro de receitas da d. Maria, isto no contexto do método. A ligação ao outro (e.g. cliente) tem que ser feita no espírito do CLUETRAIN MANIFESTO. A liderança da equipa com a Teoria U ('presencing theory') em vista.  E eu tenho que aprofundar a minha inteligência emocional para perceber porque fujo das conversas empáticas com o outro atrás dos inquéritos (digo eu, mal construídos). No final, faço como faria com o livro da D. Maria na mão. Vou a jogo e decido pela minha cabeça.










sábado, 5 de maio de 2012

Manifesto empreendedor


Empreendedorismo é viver, é abraçar a vida com a vida que 'recebemos'. É aprender a andar, a falar, a amar, ... é viver a vida, vivendo (presente) com a incerteza da vida: qual o momento (futuro) em que acaba a vida ? É esta incerteza, a incerteza fundadora da vida e do acto de empreender. Quando a incorporamos no presente, vivemos, tiramos de cada momento todo o colorido da vida. Aprendemos. Motivamo-nos. Superamo-nos. Somos UM e TODOS.

Assim, empreendedorismo é um método, uma forma de lidar com a incerteza, de construir o futuro.

Empreendedor é a pessoa que aceita construir o seu futuro, que não delega esta construção em ninguém. Como diz o João Sem Medo, quando escolhe o "caminho da infelicidade", nas "Aventuras do João Sem Medo" do José Gomes Ferreira, "Mas juro que não hei-de ser infeliz PORQUE NÃO QUERO."

O principal trabalho que temos pela frente é ajudar cada pessoa a lidar consigo e com as concepções do mundo - modelos mentais. É um desafio de crescimento pessoal, de crescimento interior, de desenvolvimento pessoal. Gonçalo Eiró numa das ONE talks sublinhava o facto de sermos adultos que operam com tácticas infantis, referindo-se ao facto de cada um de nós não se conhecer a si próprio e como construiu a sua personalidade.

O crescimento interior liga-nos ao outro. Faz-nos perceber o nosso lugar na ecologia humana e planetária. Dá um sentido ao TODO e ao UM. Mostra que sou maior quando maior for a minha ligação ao OUTRO. Sozinho estou 'apagado'. Com o OUTRO acendo-me, transcendo-me. A construção individual transforma-se em construção colectiva.

Assim todos podemos escolher ser empreendedores e uma sociedade de empreendedores é uma sociedade livre. É uma sociedade que escolheu ser feliz.

Não posso deixar de tirar a consequência política: o mundo muda quando cada um de nós escolher ser feliz, sabendo que não esta sozinho nesta escolha e que será maior porque esta ligado ao outro. Neste contexto não precisamos que ninguém, mesmo um governo, faça nada por nós. Nós, cada um de nós, podemos fazer tudo o que há por fazer.

Da natureza do sistema democrático

Importa saber do nosso sistema democrático que ele esta desenhado para se preservar, para se defender, para evitar alterações que mudem a sua natureza.

Este comportamento é assim por desenho, i.e., foi intenção de quem o desenhou. E sublinho que foi rectificado democraticamente, i.e., com o voto de todos.

Daqui resulta que o sistema faz o que é suposto fazer: preservar-se.

A motivação é fácil de entender. O sistema foi desenhado com a queda de um sistema totalitário que nos privava de liberdade, que nos moldava o pensamento e as formas de pensar. Nenhum de nós quer que seja possível voltar a ter sistemas destes, e todos nós concordamos em desenhar um sistema que não deixasse o totalitarismo ganhar de novo força.

A ironia é que por desenho, acabamos por ter um totalitarismo. Precisamos mudar este sistema para novas respostas para fazer evoluir e o sistema protege-se.

Não é uma propriedade do nosso sistema. É uma propriedade de qualquer sistema de poder. Preservar-se. Logo todos os sistemas democráticos do presente, muitos dos quais a braços com grandes desafios, estão bloqueados neste 'dead lock' (por desenho) como dizem o engenheiros informáticos.

A saída que tem sido usada até ao presente é a revolução, na maioria dos casos armada: excluir, dividir (vencidos e vencedores, mesmo que pai e filho). Uma pergunta surge: como podemos fazer diferente ?

O sistema que temos foi desenhado utilizando a epistomologia do positivismo e o método reducionista, logo esgotamos as soluções neste quadro epistemologico.  O sistema não tem consciência de si (macro). A consicência é individual (micro). Um das características fundamentais deste quadro é que a informação esta aprisionada na hierarquia de saberes (e de organizações), logo não é variável de desenho organizacional. Devemos utilizar uma nova epistomologia (construtivismo) e um novo método (sistémico). No novo quadro, libertamos a informação, esta passa a modelar o desenho das organizações fazendo emergir novas ecologias da acção (do micro para o macro e vice-versa). Construimos um sistema em que a consciência colectiva altera o desenho do sistema. Eis dois exemplos:

- Fazer com que todas as decisões nos partidos sejam tomadas por voto democratico secreto, em particular a nomeação das pessoas que vão ser candidatas em eleições para representar

- Tornar público toda a informação das entidades públicas, incluindo os partidos, i.e., accountability de todas as transacções que alteram o estado da organização respectiva (e.g. contratar uma pessoa, adjudicar uma obra, entrada de um militante)

É esta a revolução que se impõem, uma revolução de consciência individual que permita desenvolver no sistema democrático uma consciência colectiva que desenhe. É uma revolução de inovação social. Com todos, sem excluir. E, estamos a tempo!

Uma vida equilibrada (princípio do 1/3)

Nos últimos anos tenho procurado viver a minha vida de forma equilibrada, desenhando o meu estilo de vida, com opções claras na alimentação, exercício e mobilização fisica, rotinas e hábitos de bem estar, gestão do tempo e crescimento interior e espiritual (de sentido).

Deixei de fumar em 2005 (fumei durante 19 anos), emagreci 30 Kg em 2006 (cheguei a pesar 95 Kg), inclui na minha rotina o exercício fisico (até por questões de saúde uma vez que me foi diagnosticado uma situação na coluna que me impede de ter uma vida sedentária do ponto de vista físico - há males que vem por bem) e tenho feito várias viagens ao meu interior, desenvolvimento o conhecimento de mim, nomeadamente aprendendo a lidar com a ira, com a frustação, por exemplo, tirando proveito das minhas características pessoais, que me definem e aprendendo sobre a minha personalidade. Reservo cerca de 6 horas semanais para leitura.

Nesta caminhada, um princípio tem pautado o desenho do estilo de vida - designo como princípio do 1/3: 1/3 do tempo semanal é dedicado a dormir e a higiene pessoal, 1/3 a construção da sociedade, onde se enquadra a actividade designada por profissional, bem como o voluntariado e 1/3 para vida familiar onde se inclui a vida pessoal.

Uma semana tem 7 dias de 24h ou seja, 168 horas; 1/3 x 168 = 56 horas. Ou seja, 56 horas semanais de repouso e higiene pessoal, 56 horas de actividade social e 56 horas de vida familiar e pessoal. Quero sublinhar que as 56 horas de actividade social, executadas em 5 dias por semana, corresponde 11.2 horas por dia.

Quando me afasto deste equilibrio mensal, a ansiedade cresce, stress aumenta, bem como o cansaço, tenho maior dificuldade em lidar com a frustação. Com a persistência, é meio caminho andado para 'explodir', como habitualmente dizemos.

Colocado desta forma importa reflectir como cada um usa o seu tempo semanal. Deixo algumas perguntas para ajudar na reflexão/ desenho para adoptar uma vida equilibrada:

- 56 horas de actividade social por 5 dias úteis dá 11.2 horas de actividade (e.g. trabalho) por dia; corresponde a média diária sem incluir transportes ?

- como é usado o tempo familiar e pessoal ?

- um fim de semana, descontado o tempo de descanso (48-16=32) gasta 32 horas das 56 do tempo familiar; sobram 24 horas (4.8 horas por dia útil), como são usadas ?

- se num dia útil trabalho 11.2 horas, gasto comigo e com a família 4.8 horas, em que gasto as restantes 8h ?

- quanto tempo gasto em transportes ? a minha residência é perto do local de trabalho ou escola dos filhos (se for o caso) ?

- actividade física regular, por exemplo 3 vezes por semana, consome 6h semanais do tempo de descanso (higiene) e do tempo de vida familiar/ pessoal

- que tempo dedico a mim, fazendo exercício físico, praticando um hobby, meditando, lendo, ... ?

Espero que ajude na transição interior e na adopção de uma vida mais equilibrada.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Flores da minha vida

Usando a metáfora de uma planta com várias flores para caracterizar a minha vida, segue uma das flores que caracteriza o meu presente:

Collaboration University

Ontem, 3.Fev, assisti no ISEG (obrigado Paulo Soeiro de Carvalho) a uma fantástica palestra de Jose Luis Cordeiro da Singularity University (uma Universidade situada em Silicon Valey e powered by NASA e GOOGLE).

Fizemos uma viagem pela ciência e tecnologia do presente, de olhos postos no futuro: Nano-Tecnologia, Bio-Tecnologia, Info-tecnologia, Cogno-tecnologia. Segundo o orador entre 5 a 50 anos teremos muitas e importantes mudanças tecnologicas das quais sublinhamos:
- fim do envelhecimento humano e imortalidade
- fim da medicina curativa (eliminação de todas as doenças) e início da medicina proactiva
- fim da era humana e início da era do híbrido homem-máquina (homem + robot) ou melhoramento das características humanas através da tecnologia
- nascimento da comunicação telepática
- clonagem e selecção dos filhos
- fim da privacidade biologica e social

Independentemente da validade das previsões, foi interessante ter um status do que estamos a fazer ao presente em cada um destes campos e a sua importância para o nosso futuro: alimentação, energia, novas fronteiras (e.g. espaço).

No CV inclui ética, dado as questões que levanta: se não morremos, como fica a vida após a morte ? e como posso ir ter com o criador ? a quem pertence os meus dados biologicos ? ...

No entanto, houve um ponto que me deixou perplexo, contemplativo e que vai ao encontro das minhas suspeitas há já algum tempo. Cada inovação tecnológica coloca desafios novos na forma de organização. Veja-se as inovações ao nível da info-tecnologia que criaram a internet e as suas ferramentas, possibilitando o aparecimento da wikipedia.org, kiva.org, ...
O discurso do orador foi focado em organizações do presente, com formas de organização do passado, por exemplo falou-se muito de países, empresas multinacionais, actual sistema político, sistema económico, ...

O ar refrescante da 'tecnologia' e do que cada pessoa conseguirá fazer, ultrapassando todos os limites do possível e imaginável, choca com o ar a mofo da 'organização', cujas estruturas são as mesmas há muitos séculos (e.g. país) e os modelos em revisão (e.g. burocracia, democracia representativa).

A cerca de 50.000 que o nosso cerebro não muda. Então estavamos a pintar nas cavernas; hoje projectamos como vamos desenhar nas 'cavernas' de Marte. Esta conquista é a conquista da colaboração e das formas de organização, bem como da produção, memória e transmissão de conhecimento de geração para geração. Um simples telemóvel é um artefacto que envolve milhões de seres humanos.

Depois desta palestra foi claro para mim que a próxima deveria ser sobre a 'Collaboration University'. Um dos nossos desafios é imaginar as organizações que todo este contexto tecnológico potenciam e quais delas permitem a nossa realização, tirar o maior potencial de cada um de nós. O que sabe a sociedade de si ? Como se organiza a sociedade ? Qual a nossa participação ?

Na Singularity University o CV é:
* Technology Tracks
- AI & Robotics
- Nanotechnology
- Networks & Computing Systems
- Biotechnology & Bioinformatics
- Medicine & Neuroscience
* Resource Tracks
- Futures Studies & Forecasting
- Policy, Law & Ethics
- Finance, Economics & Entrepreneurship
* Application Tracks
- Energy & Ecological Systems
- Space & Physical Sciences

Na 'Collaboration University' poderia ser (draft imcompleto):
- O mundo da Fisíca e da condição universal
- O mundo da Biologia e da condição planetária
- O mundo da Antropologia e da condição humana
- O mundo da Informação e da consciência
- Ciência do Desenho e dos modelos
- Conhecimento, princípios e limites
- Métodos do saber: empreendedorismo, científico, artístico, filosófico, espiritual
- Tecnologia (NBIC)
- Princípios de Organização e Inteligência Colectiva