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Liderança (Metáfora de Manada)

Quando falamos em liderança ocorre uma ou duas ideias de forma sistemática: poder e controlo, tipicamente, ambas sentidas de forma negativa. De facto podemos ter a liderança hierárquica, autocrática, do comando e controlo, mas sinto que é cada vez mais fraca a sua influência. Hoje ouvimos falar de 'servant leadership', 'conversational leadership', 'conceptual leadership', 'resonant leadership', 'integral leadership', 'constructivist leadership',... traduz quer a necessidade, quer a resposta, a experimentação, a emergência.

Imaginem uma manada, uma daquelas manadas que observamos em movimento, por exemplo através da câmara do Yann Arthus-Bertrand. Ao longe percebemos que um vai a frente, que quando ele vira, a manada vira. A manada segue-o. Visto ao longe, parece ser ele o líder, o que vai a frente, o que é seguido, o que sabe como é. Sim, esta poder ser uma das perspectivas da liderança, talvez a que temos mais incutida em nós e que nos faz ter reacções viscerais. Se continuarmos a observar, vemos que entretanto, mudou o elemento da frente e a manada segue este novo elemento. A manada não parou, não fez uma assembleia, simplesmente seguiu um novo elemento. Se continuarmos a observar parece que sempre que muda o da frente acontece o mesmo. É como se todos os elementos estivessem pronto a liderar e assumam esse papel quando necessário. Assim visto de longe.

Vamos aproximar a câmara, para o elemento que vai a frente. Imaginem que esta colocada no seu ângulo de visão. Não tem ninguém a frente, tem aos lados e atrás. Ele desvia-se da pedra, da cobra, salta para terreno mais firme, vira a direita, mantém distância segura dos que vão perto de si e garante que o ritmo não o atropele. Se a câmara mudar para um do meio, ele é seguido pelos detrás, mantém dsitância segura dos do lado, controla a velocidade para não ser atropelado pelos detrás e não atropelar o da frente. Se a câmara for para o último vemos que ele não tem ninguém atrás, mantém a distância em relação aos do lado, segue os da frente e procura garantir que não se distancia, não vá o leão estar por perto. Parece que cada um lidera no seu contexto e de acordo com as suas variáveis.

Imaginem que conseguiamos colocar a câmara de modo a poder saber o que sente, qual a intenção, que pensamentos, ... ? E se a câmara pudesse observar 'a cultura do colectivo', o que estariamos a ver ? Parece que dependendo do ponto de observação temos uma visão diferente do que é liderança. Daqui resulta todos estes rótulos de um campo que esta a experimentar.

Mas a manada é uma metáfora que nos ilumina muitos pontos: é de um sistema vivo, quer os indivíduos, quer o colectivo. A liderança é sentida de forma diferente por cada elemento, mas todos fazem o que tem que fazer no seu contexto e estão preparados para o fazer, sendo que a preparação ganha-se fazendo, agindo. Há um ponto cego na metáfora, este ser vivo terá pouca consciência de si, quer o individuo, quer a manada. O que é humano tem este atributo, pelo que concebe, desenha, tem intenção, age, constroi, o que introduz maior complexidade. Emerge a linguagem e a conversação como instrumento de coordenação.

A manada permite-nos perceber que todos temos que estar prontos para ser lideres nos contexto em que operamos. Que há vários tipos de liderança. Que essa liderança é entre pares, pares na condição de ser humano. Que cada um de nós lidera - queremos que seja cada vez mais consciente essa liderança. Todos temos que responder a pergunta, que e metolologia de espaço aberto nos sugere: 'como pessoa consciente que escolhe realizar a ação, qual a responsabilidade que estou disponível para assumir hoje ?'

Bem poderia chamar-se liderança dos comuns (commons leadership).

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