Avançar para o conteúdo principal

Moral da Europa (ou da história)

A propósito do 'magríssimo'* acordo de Bali (mas mais vale este do que nenhum... eu sou optimista e evolucionista ;-) fiquei a reflectir sobre o papel da Europa (leia-se União Europeia) no mundo... (Balie e... também o Kosovo, Bélgica, País Basco, tratado de Lisboa e o seu anexo, relação com a China, Rússa, Israel/Palestina, America Latina, ...)

Tenho para comigo que o nosso único diferenciador são os valores. Metaforicamente falando, já estrámos na terceira idade, somos ponderados e reflectivos e, sobretudo, já vivemos muita coisa.

Vivemos ditaduras, monarquias, repúblicas, guerras, revoluções, contra-revoluções, libertinagem, liberdade, genocídios, crimes de todas as naturezas, separámos e juntámos estados, dividimos e pais e filhos, conquistámos, matámos, reflectimos, fizemos ciência, novas descobertas, fomos além mar, berço de civilização, tivemos e ainda temos terrorismo, muitos regimes frágeis, abolimos pena de morte, defendemos a vida e os direitos do Homem, ...

Ou seja, já fomos, ao longo da história, tudo de bom e de mau, que vemos ou apontámos nos outros. É essa a nossa autoridade! Não a de quem prega impoluto, mas a de quem prega com cicaterizes e feridas, muitas delas muito dolorosas. A nossa história (não tanto a explícita, mas a tácita, a sentida!)!

Sem falsos moralismos e com toda a moral da nossa História, devemos apregoar e fazer valer os nossos valores. Bali foi apenas um ténue exercício deste novo enunciado estratégico. E é por isso que foi pena o ANEXO (do tratado de Lisboa), a falta de comparência do Reino Unido na Cimeira UE/Africa. E é por isso que devemos ter relações com todos os Estados do Mundo, independente do seu regime - relações de estado, leia-se, onde o nosso posicionamento (o dos valores) deverá ser SEMPRE bem conhecido. E é por isso que devemos deixar bem claro aos nossos parceiros e/ou amigos qual o nosso posicionamento sobre as suas posições sobre o Ambiente (e as alterações climáticas), dos direitos do Homem, da democracia, como são os casos dos USA, China e Rússia. E é por isso que estamos em África e não queremos (podemos!) 'fazer negócio' com os Africanos. E é por isso...

Não é uma estratégia de curto-prazo, mas é a estratégia de afirmação da Europa como uma potência mundial de longo-prazo (a reboque desta questão terá que vir a defesa comum - é incontornável!).

Não para sermos farol de coisa alguma, tão só para a nossa sobrevivência e dos nossos valores.

-------
(*) Sobre a utilização desta polémica palavra consultar http://ciberduvidas.sapo.pt/pergunta.php?id=5198.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Sobre a 'Transparência'...

Um dos princípios fundadores da João Sem Medo é o 'princípio da transparência e accountability'. Vem do 'movimento manifesto' e dos seus 3 blocos principais 'inteligência colectiva', 'mediação tecnológica' e 'ética dos comuns'. No João Sem Medo é implementado usando o 'rio', que concretiza a mediação tecnológica entre a informação e as pessoas, que acolhe a informação de forma livre, não editada, convoca a inteligência colectiva da comunidade, suportado por uma ética de bem comum.

O tema da transparência é um tema forte nas 'organizações abertas' (https://opensource.com/open-organization/resources/what-open-organization) e para o contexto da liderança é um livro muito interessante 'Open Leadership: How Social Technology Can Transform How You Lead'.

No possibility management (http://www.nextculture.org/) - o próximo curso em PT começa a 24.Fev (https://www.facebook.com/events/336000726775079/) o Clinton apresenta um '…

As minhas práticas

Várias pessoas a minha volta tem-me perguntado sobre as minhas práticas, diárias, semanais, mensais, para me manter integro, inteiro, autêntico. Aqui resumo as que tenho praticado:

Diárias (ou praticamente)
- Meditação (aprox. 1h)
- Journaling
- Dormir pelos menos 7 horas
- Beber 1 a 2 litros de água (procurando que seja o mais próximo possível de água de nascente)
- Alimentação consciente: vegan; 30% de crus; tentativamente biológica, local, de comércio justo; sem uso de açucar adicionado, alcool, café, sal refinado; com uso consciente de glutén, soja, sal e cereais integrais
- Jejum de 14 horas
- Andar o máximo que puder
- Leitura de 1 hora (ou visionamento de documentários e/ou filmes ou visita a exposições/ museus)
- Estar diariamente com os meus filhos e companheira
- Procurar um equilíbrio entre eu e a companheira no dia a dia da família (e.g. logistica, filhos)
- realizar tarefas comuns de forma mindfulness (e.g. arrumar a cozinha, conduzir, brincar com os miudos)

Semanais
- P…

Organizações de comuns: a emergência de um novo conceito de propriedade

Imaginem uma estrutura organizacional formada por 3 aneis, assim como o planeta Terra (Núcleo, Manto e Crosta).

O 'Núcleo' é formado pelas relações entre as pessoas que trabalham na organização (e.g. gestores, empregados), quem esta serve (e.g. cliente, utilizadores) e quem é necessário para o serviço (e.g. fornecedores, parceiros). Vamos chamar a este o 'anel da missão'. É um anel de nomeação automática, i.e., se estiver a ter um destes papeis, pertence automaticamente a este anel com os respectivos deveres e direitos. Ou seja, se sou empregado nesta organização pertenço automaticamente a este anel e não tenho como não escolher pertencer.

O 'Manto' é formado por todos aqueles que já estiveram no núcleo executivo e que já não estão, por terem deixado de ser clientes ou utilizadores, parceiros ou fornecedores ou porque se reformaram ou foram executar funções para outras organizações. Vamos chamar a este o 'anel do conhecimento'. É também um anel de nome…