sábado, 19 de janeiro de 2008

Espanha e Portugal

Com mais uma Cimeira Ibérica como pano de fundo, venho concretizar uma promessa de reflectir sobre as diferenças entre estes dois países vizinhos que têm como fado e sorte terem um destino comum, como nos faz compreender a metáfora da Jangada de Pedra, do José Saramago.

Na História mais recente, uma diferença se assume como fundamental: Espanha fez uma transisão entre a ditadura e a democraria que não fez a purga dos quadros do país, que não destruiu o tecido empresarial e a administração pública - esse foi o maior feito do Rei Juan Carlos: ter liderado uma transição que permitiu à Espanha começar um novo período unida e com todas as suas forças.

Em Portugal, pelo contrário, houve vencedores e vencidos (ainda há!). Os que tinham a experiência de gerir empresas e instituições que actuavam em vários mercados e em vários continentes (afinal erámos um império que marcava presença em 3 continentes!) foram dispensados, os instrumentos de criação de valor nacionalizados, o tecido social português, a sua inteligência e experiência foram profundamente danificados (não tivessem regressado os retornados e a coisa teria sido bem pior!). A consequência foi a de que os nossos pais tiveram que assumir o comando do país sem estarem preparados. Tiveram que ser directors, chefes, sub-directores, ministros, secretários de estado, administradores, gerentes, ... e não estavam preparados. Improvisaram. Fizeram o melhor que sabiam face às circunstâncias.

Assim se explica a instabilidade vivida em Portugal e a estabilidade em Espanha bem visível no número de governos e primeiros ministros de cada um dos lados nos últimos 30 anos. Tinhámos um caminho comum e paralelo... guerras que deixaram marcas profundas no início do século XX, ditaduras míopes por demasiado tempo, mudança de regime e a visão conjunta de pertencer a Europa...

A massa critica é que era muito diferente! Os resultados, infelizmente, também!

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