Avançar para o conteúdo principal

Paternidade 3.0

Faz hoje duas semanas que nasceu o meu 3º filho: a Inês - na foto com 3 dias e com o dragão (este 'cospe' música) que o mano Dinis escolheu para a mana; o Afonso escolheu o elefante ó-ó.

Há cerca de 9 anos, mais coisa menos coisa, o tema da paternidade emergiu como uma urgência, como uma necessidade de cada um de nós e da família que estavamos e estamos a co-construir. Em 2006 nasce o Afonso - ver o Mundo após ter estado com o Afonso nos braços e depois da emoção das anteriores 18 horas foi uma das experiências mais marcantes da minha vida, uma experiência espiritual; digo que "o Mundo é todo igual, eu é que comecei a vê-lo, a partir daquele momento, com cores diferentes".

Em 2009 nasce o Dinis; é o continuar do espaço-tempo criado com o Afonso. Vi o seu nascimento - não tinha tido a oportunidade de ver o do Afonso. Conhecer o nosso filho, tê-lo nos braços, ouvir os primeiros sons, começar a ajudar a dar-lhe segurança e sentido, através do amor é um dos momentos inesquecíveis. O Leoardo Boff diz que a essência humana é o 'cuidar' e nós não duvidamos disso quando recebemos o nosso filho nos braços. A Afonso tem a característica única de ter sido o primeiro filho, o filho com que nos deparamos com o ser pai pela primeira vez, em que o ciclo se começa a fechar: o filho que, não o deixando de ser, passa a ser pai. O Dinis tem a característica única de ser o segundo, de ter sido o primeiro que o pai viu nascer, de ter a serenidade da segunda viagem.

Mas mesmo depois de 2 vezes, nada nos prepara para voltarmos a ter o nosso 3º filho nas mãos. Assisti também ao seu nascimento. É único por ser o terceiro, por ser menina, a segunda na família mais directa: na minha casa são todos meninos; na casa da minha mulher ela é a única filha; até agora os netos são todos meninos. A Inês é a primeira neta de ambos os lados. Sentimo-nos pequenos, mais pequenos que o bébé que temos nos braços, mas o nosso coração está grande, luminoso, cheio de energia, parece um farol que irradia em todas a direcções.

Sinto-me muito bem no papel de pai. Amo os meus filhos e, no presente, é-me difícil imaginar a vida sem eles. Com os meus filhos, tenho aprendido a conhecer-me melhor e tornar-me um ser humano melhor. A luz da vida que cada um deles irradia, orienta-nos no nosso caminho, faz-nos mais exigentes, mais flexíveis, faz-nos querer ser melhores, dá-nos critérios para escolhermos em quê nos focar e para quê. Amamos e somos amados. Cuidamos e cuidam de nós. Por eles e por nós. Bem-vinda Inês. Bem haja meus filhos.


Comentários

Sandra Vieira disse…
É lindo! Compreendo o que escreveste. bjos e parabéns

Mensagens populares deste blogue

As minhas práticas

Várias pessoas a minha volta tem-me perguntado sobre as minhas práticas, diárias, semanais, mensais, para me manter integro, inteiro, autêntico. Aqui resumo as que tenho praticado:

Diárias (ou praticamente)
- Meditação (aprox. 1h)
- Journaling
- Dormir pelos menos 7 horas
- Beber 1 a 2 litros de água (procurando que seja o mais próximo possível de água de nascente)
- Alimentação consciente: vegan; 30% de crus; tentativamente biológica, local, de comércio justo; sem uso de açucar adicionado, alcool, café, sal refinado; com uso consciente de glutén, soja, sal e cereais integrais
- Jejum de 14 horas
- Andar o máximo que puder
- Leitura de 1 hora (ou visionamento de documentários e/ou filmes ou visita a exposições/ museus)
- Estar diariamente com os meus filhos e companheira
- Procurar um equilíbrio entre eu e a companheira no dia a dia da família (e.g. logistica, filhos)
- realizar tarefas comuns de forma mindfulness (e.g. arrumar a cozinha, conduzir, brincar com os miudos)

Semanais
- P…

Organizações de comuns: a emergência de um novo conceito de propriedade

Imaginem uma estrutura organizacional formada por 3 aneis, assim como o planeta Terra (Núcleo, Manto e Crosta).

O 'Núcleo' é formado pelas relações entre as pessoas que trabalham na organização (e.g. gestores, empregados), quem esta serve (e.g. cliente, utilizadores) e quem é necessário para o serviço (e.g. fornecedores, parceiros). Vamos chamar a este o 'anel da missão'. É um anel de nomeação automática, i.e., se estiver a ter um destes papeis, pertence automaticamente a este anel com os respectivos deveres e direitos. Ou seja, se sou empregado nesta organização pertenço automaticamente a este anel e não tenho como não escolher pertencer.

O 'Manto' é formado por todos aqueles que já estiveram no núcleo executivo e que já não estão, por terem deixado de ser clientes ou utilizadores, parceiros ou fornecedores ou porque se reformaram ou foram executar funções para outras organizações. Vamos chamar a este o 'anel do conhecimento'. É também um anel de nome…

Breves notas sobre propriedade (enciclopédia 4)

Inspirado pela Enciclopédia 1, 2 e 3 do Gonçalo M. Tavares, Breves notas sobre, respectivamente, Ciência, Medo e Ligações, escrevo estas breves notas sobre 'propriedade'.
.... Enciclopédia 4 Breves notas sobre propriedade

Meu, Minha
Meu marido. Meu filho. Meu almoço. Meu corpo. Meu desejo. Meu carro. Meu espírito. Meu trabalho. Meu dinheiro. Meu país. Meu saber. Minha Mente. Minha mulher. Minha dor. Minha alegria. Minha felicidade. Minha auto-estima. Minha nacionalidade. Minha casa. Minha terra. Minha alma. Minha experiência. Minha família.
.........

Minha Família

Quem já passou por partilhas ?
Conhecia esta família ?
Irmão contra Irmão. Tio contra Sobrinho. Filho contra Mãe.

E para o que menos tem - de propriedade - um gato das botas.

..........
Economia I
Terra. Trabalho. Capital. Conhecimento.
..........
Terra I
Quem te nomeou dono ? Como te atribuiram senhor ? (Ver filmes de Indios e Cowboys).
Como ganharam a posse da terra os contemporaneos Americanos ?
No mito que funda…