sexta-feira, 7 de abril de 2017

As minhas práticas

Várias pessoas a minha volta tem-me perguntado sobre as minhas práticas, diárias, semanais, mensais, para me manter integro, inteiro, autêntico. Aqui resumo as que tenho praticado:

Diárias (ou praticamente)
- Meditação (aprox. 1h)
- Journaling
- Dormir pelos menos 7 horas
- Beber 1 a 2 litros de água (procurando que seja o mais próximo possível de água de nascente)
- Alimentação consciente: vegan; 30% de crus; tentativamente biológica, local, de comércio justo; sem uso de açucar adicionado, alcool, café, sal refinado; com uso consciente de glutén, soja, sal e cereais integrais
- Jejum de 14 horas
- Andar o máximo que puder
- Leitura de 1 hora (ou visionamento de documentários e/ou filmes ou visita a exposições/ museus)
- Estar diariamente com os meus filhos e companheira
- Procurar um equilíbrio entre eu e a companheira no dia a dia da família (e.g. logistica, filhos)
- realizar tarefas comuns de forma mindfulness (e.g. arrumar a cozinha, conduzir, brincar com os miudos)

Semanais
- Prática de yoga: 1 a 2 vezes por semana
- Caminhada na natureza, de preferência descalço: 1 a 2 vezes
- Estar com os meus pais (meu pai tem a doença de Alzheimer)
- Disponibilizar o meu saber para outros em dádivas que não esperam retorno ou retribuição (as vezes, sobre a forma de dinheiro)
- Ter tempo de qualidade com a companheira e filhos

Mensais
- Grupo/ circulo de homens
- Fazer algo de novo (e.g. cozinhar um novo prato, passear num novo local, viagem, ir a uma conferência que nunca iria, visitar um museu completamente fora de contexto)

Anuais
- Procurar um retiro de meditação anual de 10 dias e outros (1 ou 2) de menos duração
- Trabalho de sombra

Ocasionais
- Qi gong (gostava de tornar mais regular)
- Massagem
- Reflexologia
- Reiki
- Jejum mais perlongados/ limpezas (gostava de tornar mais regular)
- Dançar
- Desenhar (gostava de tornar mais regular)
- Música (e.g. cantar e/ou tocar instrumento) - a trabalhar para colocar no meu dia a dia


quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Sobre a 'Transparência'...

Um dos princípios fundadores da João Sem Medo é o 'princípio da transparência e accountability'. Vem do 'movimento manifesto' e dos seus 3 blocos principais 'inteligência colectiva', 'mediação tecnológica' e 'ética dos comuns'. No João Sem Medo é implementado usando o 'rio', que concretiza a mediação tecnológica entre a informação e as pessoas, que acolhe a informação de forma livre, não editada, convoca a inteligência colectiva da comunidade, suportado por uma ética de bem comum.

O tema da transparência é um tema forte nas 'organizações abertas' (https://opensource.com/open-organization/resources/what-open-organization) e para o contexto da liderança é um livro muito interessante 'Open Leadership: How Social Technology Can Transform How You Lead'.

No possibility management (http://www.nextculture.org/) - o próximo curso em PT começa a 24.Fev (https://www.facebook.com/events/336000726775079/) o Clinton apresenta um 'modelo de responsabilidade' que contempla os seguinte níveis: irreponsabilidade, responsabilidade infantil, responsabilidade adulta, alta responsabilidade e responsabilidade radical. Ele defende que a distribuição da população mundial ao presente é uma curva normal centrada na 'responsabilidade infantil' que ele caracteriza como 'alguém faz merda e o adulto vem limpar' (e.g. fabrica polui e o estado limpa; desastre nuclear e Mundo limpa). Diz que a magia e o nascimento de uma nova cultura só começa na 'alta responsabilidade' onde as pessoas começam a assumir mais responsabilidade do que a do seu espaço (e.g. pelos animais, pela Terra, pela sua vila, cidade). É a partir deste nível de responsabilidade que começam a aparecer os 'universos paralelos' como é Tamera, João Sem Medo e tantos outros espaços, onde alguém decidiu assumir mais responsabilidade que a da sua esfera pessoal.

Inspirado neste modelo, apresento a minha visão sobre a transparência no Mundo; vejo 5 níveis: 'secreto', 'público', 'voluntário', 'aberto', 'radical'.

'secreto' é o nível de transparência das polícias secretas, das mafias e das redes de crime organizado.

'público' (ou 'legal') é o nível legal, o que a lei obriga; as pessoas tornam publico o que são obrigadas (e.g. contas bancárias); as organizações o que são obrigadas (e.g. relatórios e contas; as declarações as finanças); no meu modo de ver, a distribuição das pessoas pelo nível de transparência é um curva normal centrada neste nível.

'voluntário' é o nível que vemos no 'multi-stakeholder'; as pessoas que começam a partilhar a sua informação para interagir com outros; as redes precisam deste nível para operar; as organizações que partilham informação e convocam ONGs, populações locais entre outros para ajudar a resolver os problemas, partilhando a informação; é o que estamos a ver nas organizações pos-modernistas (o www.consciouscapitalism.org).

'aberta' é o nível que emerge na internet com o 'open source', com a 'wikipedia', com os modelos baseados no 'crowdsourcing' e que agora se alastram pelos outros universos. É o nível que permite a inteligência colectiva, os movimento grassroot, o o open gov. Para mim o www.patientopinion.org.uk é um dos mais bonitos exemplos. Organizações a operar aqui, tem a informação aberta para toda a organização e abrem um pouco para fora, embora tipicamente não toda.

'radical' é quando a informação se torna aberta para o Mundo todo; a informação torna-se livre e disponível para todos, dentro ou fora; a informação privada passa a ser a informação inerente a condição humana, 'a experiência interior', 'as relações'; a interação com o Mundo torna-se pública. há poucos exemplos puros aqui, embora haja várias experiências. A wikipedia organização tem tentado actuar aqui. O partido pirata nórdico também. Experimentados este nível com a ONE Perfect Movement, a associação de onde nasceu a João Sem Medo.

No meu modo de ver uma nova cultura começa a emergir a partir dos níveis 'aberta' e 'radical'. Há uma relação directa entre o nível de responsabilidade 'adulto' e a transparência 'voluntária', bem como entre a 'alta' e a 'aberto'.

O que o princípio da João Sem Medo cultiva é o 'open'. É o que tenho usado deste sempre nas minhas organizações, já a 20 anos. É o que estamos a usar na 'homeostase'. Há um caminho para a transparência 'radical', mas é um caminho de passos curtos - por exemplo, na homoestase estamos a explicitar o desenho, o modelo da organização que estamos a criar, assim como na João Sem Medo.

O que vos emerge desta partilha ?