domingo, 1 de junho de 2014

Poder da Escolha

(Foi escrito, no contexto do RECREIO de Empreendedorismo a 27 de Maio de 2014)

Muito há a dizer sobre a Escolha. Escolher é uma capacidade mental determinante num empreendedor. Como vimos na IME o empreendedor escolhe o que esta disponível a perder, escolhe de entre os meios que tem disponíveis, quais utilizar, escolhe o que vai fazer com esses meios, escolhe como vai avaliar os resultados, escolhe como vai apreender e como vai usar essa aprendizagem.

É de facto um elemento determinante. É na escolha que o empreendedor, cria mundo. Escolher responder a um email, que é um pedido de um potencial cliente, cria um novo mundo, o mundo em que escolhi poder ter este potencial cliente como cliente. Escolher ir a uma reunião ou não. Escolher responder a oportunidade em Angola ou não.

Na natureza há coisas que são reversíveis e há coisas que não são reversíveis. Posso atirar uma pedra para a água e voltar a tira-la; depois de seca a pedra será a mesma. Mas se deitar uma gota de tinta na água já não poderei reverter esse efeito e voltar a ter a gota de tinta. A vida é assim. Depois de fecundar, a vida revela-se e segue o seu curso. Depois de nascer a vida segue o seu curso. Não é possível desfazer, voltar atrás. É o fluxo da vida. Cada decisão, cria um novo mundo. Fecha umas portas. Abre outras.

Vejo a 'escolha' como irreversível, i.e., uma vez feita a escolha é criado um mundo que não é possível voltar para trás. Quando escolho me render ao amor que sinto por uma pessoa, já não consigo voltar ao estado anterior. Quando escolho, reduzo alternativas, mas crio espaço para novas oportunidades emergirem. É como podar a planta para resistir ao Inverno e florir com mais força na Primavera. A escolha tem sempre estes dois lados, o que se fecha, o que termina; o que se abra, o que se inicia.

Por um 'bias' da nossa memória, lembramo-nos das grandes escolhas, aquelas que marcam a nossa vida, mas esquecemo-nos das pequenas escolhas, aquelas que definem os nossos pradrões, hábitos, vícios. Tornam-se invisíveis, transparentes, inconscientes.

A escolha é um contínuo. Estou sempre a fazer escolhas, desde que acordo. É no padrão dessas micro-escolhas que emerge um comportamento de fundo. Se quero fazer novas escolhas, preciso actuar a este nível. Fazer micro-escolhas diferentes. Poderei dizer que escolhi sem saber porque, ou que foram escolhas inconscientes, mas não deixam de ser escolhas e escolhas que são minhas. Quais são as escolhas conscientes, que quero escolher fazer para cada vez ter menos escolhas inconscientes ? Quais são as escolhas conscientes, que quero escolher fazer para criar novos padrões de escolha ?

Se eu 'não sou Empreendedor' e quero 'ser Empreendedor', como vimos na jornada do herói, isso quer dizer que como 'não Empreendedor' faço as escolhas de uma maneira e quero passar a fazer as escolhas de outra maneira, da maneira 'Empreendedor'. Ou seja, escolho mudar os meus padrões de escolha. Escolho, 'escolher' diferente. Quais as escolhas que quero escolher fazer para suportar esta jornada ? Como poderei fazer a jornada escolhendo da mesma forma ? Como poderei esperar resultados diferentes das mesmas escolhas ? Se todos os dias de manhã bebo café com leite, não me posso espantar do meu pequeno-almoço ser sempre café com leite. Para ter um pequeno almoço diferente terei que fazer escolhas diferentes no supermercado e de manhã quando faço ou peço o meu pequeno-almoço.

Estar em contextos diferentes com pessoas diferentes obriga-me a fazer escolhas diferentes, em colocar em evidência os nossos padrões - o alargar da zona de conforto. Escolher estar no coworklisboa, escolher servir, escolher aprender o diálogo, escolher realizar acções de angariação de fundos, escolher explorar ideias, são escolhas. Escolhas que queriam novos mundos. Que criam novos padrões de escolhas.

Que escolhas vou escolher fazer hoje para amanhã poder ter uma escolha diferente ?

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