segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Nós, os comuns (We, the commons)

Gosto desta expressão: 'nós, os comuns' e da sua versão em inglês 'we, the commons'.

Este século, é o século dos 'comuns' ('commons'). Já não o 'povo', na lógica da superioridade de uma classe, seja o clero, a nobreza, a burguesia, os trabalhadores, ou qq outra, ficando o remanescente como 'povo'. Independente da classe social história, somos todos comuns, comuns na condição de sermos parte da natureza, comuns na condição de sermos parte da espécie humana, comuns na condição de sermos responsáveis pelo nosso futuro individual e colectivo.

Neste século vamos iniciar a 'propriedade dos comuns' ('commons owernership'), eliminando a dicotomia público-privado, que na pratica é um conceito de posse - quem é o dono ? que poder tem ? os comuns é um direito, uma responsabilidade, em nome do todo, dos outros comuns. Na lógica do 'público', o dono da praia é o estado. Por isso uso a praia e o 'estado' (o dono) que a limpe.

Estamos a ver emergir uma nova ética, ética dos comuns (commons ethics). A praia é dos comuns. Uso a praia e quando saiu deixo a praia melhor do que a encontrei (e.g. recolho o meu lixo e outro que tenha encontrado). Esta ética é já manifesta no collaborative consumption (consumo colaborativo) como o couchsurfing. Há luz desta ética, somos comuns no direito de desfrutar da Terra, como parte da natureza e em harmonia com esta e comuns no dever de a deixar melhor do que a encontramos.

Sobre a propriedade vamos ver crescer a criatividade, como se pode ver no 'creative commons' (comums criativos). É o futuro que chega. É a inteligência colectiva, suportada pelos processos do crowdsourcing, que se manifesta em modelos 'open source' (código aberto), i.e., dos comuns. Da posse para o direito de usufruir, que preserva, que conserva e respeita a natureza.

Sobre a propriedade dos comuns, com uma nova ética dos comuns, explode a criatividade dos comuns, que faz emergir uma nova acção humana, contemplando todas as formas de inteligência humanas (e.g. musical, matemática, espacial, movimento, linguistica, emocional), integrando os diferentes métodos de conhecer (e.g. espiritual, arte, ciência, empreendedorismo). O campo social emergente suportará uma evolução da consciência humana ao nível global, criando as condições para um planeta saudável, uma sociedade de bem estar e um indivíduo integrado.

É o projecto do século.

Gosto desta expressão: Nós, os comuns (We, the commons)!