quinta-feira, 27 de junho de 2013

Paternidade 3.0

Faz hoje duas semanas que nasceu o meu 3º filho: a Inês - na foto com 3 dias e com o dragão (este 'cospe' música) que o mano Dinis escolheu para a mana; o Afonso escolheu o elefante ó-ó.

Há cerca de 9 anos, mais coisa menos coisa, o tema da paternidade emergiu como uma urgência, como uma necessidade de cada um de nós e da família que estavamos e estamos a co-construir. Em 2006 nasce o Afonso - ver o Mundo após ter estado com o Afonso nos braços e depois da emoção das anteriores 18 horas foi uma das experiências mais marcantes da minha vida, uma experiência espiritual; digo que "o Mundo é todo igual, eu é que comecei a vê-lo, a partir daquele momento, com cores diferentes".

Em 2009 nasce o Dinis; é o continuar do espaço-tempo criado com o Afonso. Vi o seu nascimento - não tinha tido a oportunidade de ver o do Afonso. Conhecer o nosso filho, tê-lo nos braços, ouvir os primeiros sons, começar a ajudar a dar-lhe segurança e sentido, através do amor é um dos momentos inesquecíveis. O Leoardo Boff diz que a essência humana é o 'cuidar' e nós não duvidamos disso quando recebemos o nosso filho nos braços. A Afonso tem a característica única de ter sido o primeiro filho, o filho com que nos deparamos com o ser pai pela primeira vez, em que o ciclo se começa a fechar: o filho que, não o deixando de ser, passa a ser pai. O Dinis tem a característica única de ser o segundo, de ter sido o primeiro que o pai viu nascer, de ter a serenidade da segunda viagem.

Mas mesmo depois de 2 vezes, nada nos prepara para voltarmos a ter o nosso 3º filho nas mãos. Assisti também ao seu nascimento. É único por ser o terceiro, por ser menina, a segunda na família mais directa: na minha casa são todos meninos; na casa da minha mulher ela é a única filha; até agora os netos são todos meninos. A Inês é a primeira neta de ambos os lados. Sentimo-nos pequenos, mais pequenos que o bébé que temos nos braços, mas o nosso coração está grande, luminoso, cheio de energia, parece um farol que irradia em todas a direcções.

Sinto-me muito bem no papel de pai. Amo os meus filhos e, no presente, é-me difícil imaginar a vida sem eles. Com os meus filhos, tenho aprendido a conhecer-me melhor e tornar-me um ser humano melhor. A luz da vida que cada um deles irradia, orienta-nos no nosso caminho, faz-nos mais exigentes, mais flexíveis, faz-nos querer ser melhores, dá-nos critérios para escolhermos em quê nos focar e para quê. Amamos e somos amados. Cuidamos e cuidam de nós. Por eles e por nós. Bem-vinda Inês. Bem haja meus filhos.


1 comentário:

Sandra Vieira disse...

É lindo! Compreendo o que escreveste. bjos e parabéns