quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Sobre 'fado'


Contexto: Numa conversa no facebook*, sobre fatalismo, senti-me impelido a escrever sobre fado. Aqui vai.

Gosto de fado, da música. Quanto ao fado, destino, já sabem que sou dos que acho que cada um pode co-criar o seu...
Na procura de uma razão, ocorre-me gosto da voz do Marceneiro, do que a voz da Amália faz-me sentir, do que sinto quando oiç
o a Mariza, Camané, isto só para citar duas gerações diferentes e vários estilos... gosto do som da guitarra portuguesa... gosto das variações de Lisboa, de Coimbra, de Setúbal, ... gosto de ser uma experiência de vários sentidos, dos 6 (espiritual conta ;-)

Mas tb e sobretudo da história.

A minha tese é que o fado são as mães que choram os seus filhos e maridos além mar.

Não podemos ter feito a primeira globalização sem termos inventado a saudade; somos muito poucos e só podemos sentir a falta de quem amamos; 500 anos disto é duro; e as viagens não eram 24h ;-)

Somos um povo forjado na espada e que em todos os séculos (diria em cada meio século - mas não fui verificar) esteve em guerra; 900 anos disto é muito duro; e gera muita saudade.

Este é um território das mulheres que choram a nossa história. Como não soubemos estar sossegados, temos muito que chorar. É o preço que pagamos por quere ser globais, mas defender a todo o custo um dos melhores bocados de terra no planeta ;-)

Pelo menos por isto, gosto de fado.

....
Falando de choro, do 'fado' que se co-cria, da história, do João, de Chora-que-logo-bebes, sem e com medo, é aqui que tudo se liga, pelo menos para mim; acho que somos um território de empreendedores que estamos a viver um período em que respiramos o nosso próprio medo (cap XI e XII - o joão medroso e o ar envenenado ;-)

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* Conversa

Na sequência da talk do Peter Senge sobre fatalism o Filipe comentou: "Fatalismo é o sobrenome de muitos portugueses. Um taço cultural chorincas presente inclusive em muitos empresários. Até há um género musical para o celebrar nacional e internacionalmente: o fado. Felizmente, cada vez mais há Joães-Sem-Medo de quebrar este ciclo fatalístico. ;)"

Link: http://www.facebook.com/groups/movimentomanifesto/permalink/448086298569393/

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