sábado, 5 de maio de 2012

Da natureza do sistema democrático

Importa saber do nosso sistema democrático que ele esta desenhado para se preservar, para se defender, para evitar alterações que mudem a sua natureza.

Este comportamento é assim por desenho, i.e., foi intenção de quem o desenhou. E sublinho que foi rectificado democraticamente, i.e., com o voto de todos.

Daqui resulta que o sistema faz o que é suposto fazer: preservar-se.

A motivação é fácil de entender. O sistema foi desenhado com a queda de um sistema totalitário que nos privava de liberdade, que nos moldava o pensamento e as formas de pensar. Nenhum de nós quer que seja possível voltar a ter sistemas destes, e todos nós concordamos em desenhar um sistema que não deixasse o totalitarismo ganhar de novo força.

A ironia é que por desenho, acabamos por ter um totalitarismo. Precisamos mudar este sistema para novas respostas para fazer evoluir e o sistema protege-se.

Não é uma propriedade do nosso sistema. É uma propriedade de qualquer sistema de poder. Preservar-se. Logo todos os sistemas democráticos do presente, muitos dos quais a braços com grandes desafios, estão bloqueados neste 'dead lock' (por desenho) como dizem o engenheiros informáticos.

A saída que tem sido usada até ao presente é a revolução, na maioria dos casos armada: excluir, dividir (vencidos e vencedores, mesmo que pai e filho). Uma pergunta surge: como podemos fazer diferente ?

O sistema que temos foi desenhado utilizando a epistomologia do positivismo e o método reducionista, logo esgotamos as soluções neste quadro epistemologico.  O sistema não tem consciência de si (macro). A consicência é individual (micro). Um das características fundamentais deste quadro é que a informação esta aprisionada na hierarquia de saberes (e de organizações), logo não é variável de desenho organizacional. Devemos utilizar uma nova epistomologia (construtivismo) e um novo método (sistémico). No novo quadro, libertamos a informação, esta passa a modelar o desenho das organizações fazendo emergir novas ecologias da acção (do micro para o macro e vice-versa). Construimos um sistema em que a consciência colectiva altera o desenho do sistema. Eis dois exemplos:

- Fazer com que todas as decisões nos partidos sejam tomadas por voto democratico secreto, em particular a nomeação das pessoas que vão ser candidatas em eleições para representar

- Tornar público toda a informação das entidades públicas, incluindo os partidos, i.e., accountability de todas as transacções que alteram o estado da organização respectiva (e.g. contratar uma pessoa, adjudicar uma obra, entrada de um militante)

É esta a revolução que se impõem, uma revolução de consciência individual que permita desenvolver no sistema democrático uma consciência colectiva que desenhe. É uma revolução de inovação social. Com todos, sem excluir. E, estamos a tempo!

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