domingo, 20 de fevereiro de 2011

MOVIMENTO manifesto * Janeiro de 2011



Recomendo vivamente a leitura deste manifesto.
MOVIMENTO manifesto * Janeiro de 2011


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Manifesto ‘Movimento’
1º Draft por Marco de Abreu * Janeiro de 2011

Para todo o lado que ‘olhamos’ - um olhar com todos os sentidos - vemos, melhor dizendo, sentimos que ‘algo tem de ser feito’. Há uma sensação no ar que ‘não estamos bem’, que vamos ter que ‘fazer qualquer coisa’, que a ‘coisa mudou’. Pela ‘coisa’ podemos estar a falar da nossa empresa (cada um que escolha a sua), comunidade (e.g. aldeia, cidade), país (e.g. Portugal), espaço económico (e.g. Comunidade Europeia), planeta (e.g. Terra). Os sintomas são mais que muitos, parece que não há dinheiro que chegue, recursos naturais que cheguem, há crises do clima, financeiras, agrícolas, florestais, políticas, há catastrofes naturais, ...

Uns pressagiam revoluções, outros anseiam por um salvador, muitos baixam a cabeça, muitos arregaçam as mangas e ‘fazem algo’, muitos olham a volta e procuram pistas, sinais, procuram descodificar o que se passa de mil e uma maneiras (e.g. mudam de emprego, procuram sentido, mudam de vida, emigram, ajudam os outros).

Ao mesmo tempo sentimos que, o que sabemos já não é suficiente, já não resolve os problemas, não explica as 'coisas', mas não sabemos fazer de outra maneira, aparentemente não temos soluções novas, não temos explicações novas. Temos dificuldade em racionalizar a ‘coisa’, não conseguimos medir, quando mais separamos, supostamente para entender, menos entendemos e o que sempre foi linear, deterministico, que funcionava como uma máquina, dizem os mais velhos, deixou de funcionar, parece ‘coisa do diabo’, seja ‘o diabo’ os políticos da altura, os gestores do momento, a religião do outro, o sistema político do outro, o do outro lado aposto ao meu) - o mal esta sempre fora de mim, no outro, como não pode deixar de ser quando nós não nos entendemos, estamos confusos, não sabemos o que fazer e, claro está não podemos ser a causa de...

Mas algo não esta bem! Sentimos isso! Sentimos que temos que mudar! Sentimos que está a mudar! Como se explica esta coisa de sentirmos que não está bem e não sabermos o que não esta bem ? Como se pode fazer de outra maneira ? Voto em quem ?

O nosso sentir é químico, atómico, vem do ambiente com o qual estamos em permanente interacção, numa dança eterna. O nosso entender emerge da vida, da consciência que o nosso cérebro faz surgir. Desta consciência resulta o acto de conhecer - o que sabe um homem de si ?  Entendemos o mundo com as representações (modelos) que o nosso cérebro faz a partir do que sentimos, este sentir com todos os sentidos. O nosso entendimento é sim limitado por nós próprios e o conhecimento subjectivo. Acresce que comunicamos com linguagem (mais modelos).

E que modelos são esses ? São modelos incutidos por educação, por cultura, por instrução, por socialização, … modelos que nos fazem acreditar numa forma de organizar as sociedades, a todos os níveis, onde uns fazem e outros pensam, organizam... os que fazem não se preocupam, pois os que pensam vão pensar numa solução; modelos que nos fazem acreditar que tudo pode ser entendido pelas partes que constituem o todo, que se funciona aqui então podemos extrapolar que vai funcionar acolá; modelos que nos dizem que os seres humanos podem ser classificados em torno de propriedades suas como raça, idade, sexo, local de nascimento, posses económicas, …

Os modelos são excelentes, mas são modelos. Tem as suas fronteiras, os seus domínios de aplicação. Precisamos ter a consciência da natureza do modelo. Podemos saber muitos ou apenas 1, é irrelevante, desde que saibamos sempre que há um limite para cada um desses modelos e que pode haver outros modelos alternativos (podemos só saber uma lingua, o que não nos deve levar a concluir que quem fala uma língua diferente da nossa não comunica).

Estamos confusos, pois a análise que estamos a fazer com os modelos que temos não esta a explicar o que vemos. Estamos confusos pois os modelos que temos estão a conduzirmos para acções que, em vez de melhorar, a maior parte das vezes piora, muitas vezes melhorando no curto-prazo primeiro.

Precisamos de novos modelos! Vamos ter que esperar que eles possam ser criados ? E quem os vai criar ?

Nós. Todos os que decidirem agir. Todos os que já decidiram agir. Todos os que tem noção das limitações dos modelos. Todos os que já sabem, mesmo que não saibam explicar, que é na nossa capacidade de aprender que reside a solução. A nossa capacidade de aprender é nativa, está embebida em nós e impele-nos para a interacção com o ambiente. O movimento já esta em curso.

Movimento !? Que movimento ?

O movimento que entende o Homem por inteiro e não faz qualquer tipo de segregação em virtude de atributos, propriedades, sejam elas de que natureza forem (e.g. biológica, cultural, económica). Cada Homem tem uma história única que lhe confere um valor cognitivo único. Uma capacidade única de ver o mundo, de o entender. Há pouco mais de cem anos, as ciências humanas viam os homens como sendo civilizados ou não civilizados e uns ‘mereciam’ mais do que os outros, eram superiores, nas variáveis interessantes de análise. Ver o Homem por inteiro acarreta desde logo duas consequências: todos os Homens são capazes de ‘computar’ (no sentido lato, no sentido orgânico, como faz um formigueiro ou um cérebro humano) informação que a consigam entender; todos os Homens são capazes de aprender novas maneiras de entender a informação. Este Homem tem vontade e livre arbitrio.

- Cada Homem tem uma ‘computação’ única, resultante da sua história única, da forma como sentiu o mundo desde a sua concepção e da interacção que está a desenvolver com o seu ambiente.

- Cada Homem apreende o mundo a um ritmo diferente, de acordo com a sua estrutura biologica e com a sua experiência acumulada de interacção com ambiente (desde química, biologica até à social e espiritual).

- Cada Homem tem a capacidade de tomar as suas decisões, em função da informação disponível e da ‘computação’ que faz em cada momento. Vê o erro não como um fim, mas como um meio, um indicador da sua aprendizagem.

- O potencial de cada Homem só estará assegurado se estiverem asseguradas direitos fundamentais que tornem a sua escolha livre (e.g. direito a vida, livre expressão).


Não somos todos iguais. Somos todos diferentes! Sabemos fazer coisas diferentes. Gostamos de coisas diferentes. Somos formados por átomos diferentes. Temos histórias diferentes. Temos memórias diferentes. Somos únicos.

O movimento que entende que a mudança pode ser desenhada e que não adia soluções em virtude do nível de informação disponível em cada Homem. Se cada Homem é capaz de ‘computar’ informação a pergunta é como posso fazer chegar a informação a cada Homem para ele o computar ? Se ele só fala em Português tenho que a traduzir, se ele não tem computador, tenho que ter um mediador, se não sabe ler tenho que lhe ler, … Se cada Homem é capaz de aprender novas maneiras de entender a informação a pergunta é como posso despertar essa aprendizagem ? A resposta é desenhando. Não aceitando impossibilidades. Não excluindo. Incluindo, considerando todos e desenhando para todos, um a um. Desenhando com todos. Vendo a falha e o erro como informação que me permite fazer uma nova versão melhorada.

- Para se realizar uma «acção» que necessita de um grupo de Homens para se atingir, é necessário que o grupo queira fazer essa «acção».

- O melhor sítio para controlar uma «acção» é no ‘local’ onde a «acção» acontece.

- Quando mais informação, sobre aspectos que afectam os resultados de uma «acção», for facultada aos Homens que executam a «acção», melhores decisões irão tomar para garantir o sucesso da «acção».

- Quando o Homem é envolvido na decisão de como fazer uma «acção», mais comprometido estará com o conseguir fazer a «acção».


Não temos que esperar uma geração para mudar. A mudança é presente com todos os Homens, únicos, que temos, respeitando o tempo que cada um leva para mudar, i.e., aprender a ver a informação de outra maneira e disponibilizando a informação necessária para a computação. Só eu posso mudar a mim próprio. Desenho o contexto em que a mudança - aprendizagem - se faz.

Resumo os dois Princípios do Movimento:
- Homem por inteiro
- Mudança ‘by design’


Com estes príncipios, onde outros vêm um fim, nós vemos um contínuo. Onde outros vêm uma impossibilidade, nós vemos novas possibilidades. Onde outros vêm problemas, nós vemos novas soluções.

Que entusiasmo! Cada Homem é um átomo capaz de formar um Universo e a sua multiplicidade. Cada Homem é uma bactéria capaz de gerar a Vida e a sua multiplicidade. Cada Homem é um neurónio capaz de gerar consciência e a sua riqueza.

A força do indivíduo. Do UM. Micro.

São precisos muitos UMs para que as comunidades se organizem. Como se regem essas interacções que geram semelhante diversidade e complexidade ?

O movimento rege-se por um conjunto de valores capazes de gerar novos «padrões de acção», novos resultados. Estes valores não eliminam antigos valores, antes permitem novas combinações que nos ajudam a ter um melhor discernimento sobre o que nos rodeia e a explorar novas alternativas.

Os valores que vem dominando a «acção», ao longo de séculos, procuram dominar o outro, submeter à vontade de uma maioria, de uma minoria, de uma classe, de uma etnia, de uma religião, … procuram quantidades, tudo se mede e só o que se mede se gere, o que se conhece e é explícito, compete-se por recursos, por ganhar, por ser melhor do que o outro, estar a frente do outro, num movimento expansionista de recursos infinitos. Daqui resultam determinadas formas de vermos os Homens e a sua «acção», bem como da forma como esta «acção» se organiza. O Homem é visto em torno dos atributos de poder e as organizações são desenhadas para gerir o poder. As hierarquias são as formas organizacionais que estão presentes nestes «padrões de acção». A máquina!

Estes valores são valores importantes que nos trouxeram até ao momento presente e que conseguiram gerar prosperidade para o maior número de Homens até ao momento. Mas todos sentimos que, tendo sido bons, não nos estão a ajudar a entender o presente e a desenhar para o futuro. Precisamos de combinar estes valores com outras perspectivas. Não eliminar valores, antes combinar, balancear com outros valores que possam gerar novos entendimentos, novas soluções.

Precisamos de interacções que considerem finitos os recursos e que possam ser mais orientadas à sua conservação, balanceando as perspectivas expansionistas que temos seguido. Significa que temos que abandonar o conhecimento que geramos ? Não. Significa antes que em vez de fazermos sempre novo papel, podemos criar novas perspectivas de reutilizar papel, combinando assim duas perspectivas em movimentos de contínuo ajuste.

Precisamos de interacções que sejam mais orientadas à cooperação e que reconheçam que há outras formas de ganhar. O equilíbrio da competição com a cooperação permitirá novas formas de interação que potenciem o conhecimento Humano. Que cada Homem seja excelente, o melhor que conheçemos. Não queiramos a mediocridade nivelada! Antes a excelência de cada indivíduo. Mas que haja nova cooperação que permita novos empreendimentos Humanos (as ‘wikipedias’ do futuro).

Precisamos de interações que envolvam o que se conhece, o que se mede, com o que não se conhece, com o que se presente, com que apenas se qualifica. Onde o tácito se mistura com o explicíto, o formal com o informal, gerando novo entendimento. Como posso medir o amor e o odio ?

Precisamos de interacções que mudem o enfoque do poder; que passem da dominação para a parceria, para a colaboração consentida e desejada. Procuremos o que motiva cada Homem e os faz quer estar juntos, querer empreender juntos nas novas fronteiras da Humanidade. São as redes, as formas de organização que emergem destes novos valores. A ecologia (vida, orgânica)!

O movimento utiliza  formas de pensamento capazes de mostar outras vias, analisar outras alternativas, considerar outras perspectivas. As estruturas sociais fomentam determinadas formas de pensar. A uniformização destas formas de pensamento acarreta uma limitação generalizada e paralisante, quando somos sujeitos a desafios para os quais não estavamos preparados para responder. Nos últimos séculos desenvolvemos formas de pensar que permitiram levar a Humanidade a ter o maior nível de progresso material, social, intelectual e espiritual. Mas os tempos actuais, convocam-nos para desafios de uma dimensão e escala que não conheciamos.

A forma de pensar que está generalizada, foca-se no racional, na análise, em reduzir e em linearizar. A máquina que processa informação!

Precisamos de interacções capazes de lidar com a razão e com os mecanismos da razão (como a lógica) mas que sejam balanceados com o intuitivo, com os sentimentos, o que se sente e não se explica, a emoção.

Precisamos de interacções capazes de fazer análise, da caracterização analitica mas que sejam balanceadas com a síntese. Uma síntese que considere perspectivas diferentes, como a científica, filosófica, artística ou espiritual.

Precisamos de interacções capazes de reduzir e analisar as partes, compreender os constituintes mas que compreendam a suas limitações, que compreendam que das partes emerge um todo, que só pode ser apreendido com perspectivas integradoras, holísticas.

Precisamos de interações capazes de linearizar (número reduzido de variáveis), de simplificar de criar modelos utilizáveis em contextos bem precisos, mas que compreendam que o número de variáveis é infinito e que há mais um modelo à espreita, uma nova perspectiva, uma nova forma de combinar o conhecimento produzindo novas interpretações e consequências.

Precisamos de interacções que ao gerarem novas combinações de formas de pensar, gerem modelos com outras características que permitam novas interpretações e novos «padrões de acção». Que combinem o conhecimento Humano de forma diferente e que ao faze-lo, gerem novo conhecimento. A ecologia que 'computa' informação.

Resumo as duas Forças do Movimento:

- Valores:
... Expansão balanceado com Conservação
... Competição balanceado com Cooperação
... Quantitativo balanceado com Qualitativo
... Dominação balanceado com Parceria

- Forma de pensar:
... Racional balanceado com Intuitivo
... Análise balanceado com Sintese
... Reducionismo balanceado com Holístico
... Linear balanceado com Não linear


Com estes princípios e forças, cremos criar novos modelos com que podemos fazer sentido do mundo a nossa volta e reflectir sobre novas interpretações, novas soluções, novas propostas para organizar as sociedades. Vemos o movimento como integrando! Integrando pessoas, perspectivas, modelos, conhecimento. Integrando hierarquias e redes. Intenção e emergência. Vamos dizer que partilhamos uma epistemologia comum, a da complexidade (ciências da complexidade).

Que entusiasmo! Cada Homem está inserido num TODO que o potencia, que amplifica a sua história de interacções, i.e., o que sabe fazer, que a combina com o que o Outro sabe fazer e pode combinar com tudo o resto. o UM gera o TODO em movimentos perpétuos de amplificação e significado.

Força do colectivo. TODO. Macro.

Que indivíduos são esses com semelhantes poderes ? Como os encontramos ?

O movimento é formado por pessoas de hoje, com toda a sua história de interacções químicas, biológicas, sociais, culturais, … que segundo alguns modelos podem ser boas ou más (ou qualquer outra coisa pelo meio), cientistas, artistas, técnicos, gestores, …, competentes ou incompetentes, participativos ou não participativos, licenciados ou não, novos, velhos, com religião ou sem ela, de uma raça ou de outra, de um género ou de outro, … Por outras palavras de Homens, como cada um de nós, vivos e com liberdade de escolha.

Estes indivíduos, livres, que partilham esta perplexidade comum pelo Universo e o veêm como complexo e bonito. São indivíduos que tem interesses e os manifestam de forma clara, procurando equilibra a sua acção nos seguintes vectores:

- Precisam ganhar dinheiro para assegurar uma boa vida (económico)

- Gostam de aprender e encarar a aprendizagem como a sua natureza (aprendizagem)

- Gostam do que fazem e querem fazer o que gostam (motivação)

- Sentem-se parte de um todo e querem contribuir para o todo, para o outro (cidadania)


Eu! O Movimento!

Este movimento é um movimento de aprendizagem, num sentido profundo. Uma aprendizagem que evoluiu ao longo de milhões de anos, gerou toda a vida e a complexidade do nosso Universo. Uma aprendizagem que ganhou na consciência humana uma dimensão nova - o que sabe um Homem de si ? - e que está a construir uma consciência do TODO - o que sabe a Humanidade de si ?

Uma aprendizagem que é como uma boneca russa, por dentro, tem outra aprendizagem, infinitamente pequena. E passível de fazer parte de uma boneca maior. É esse maior que estamos a construir, cada vez de forma mais consciente.

Nós! o Movimento!

Este movimento utiliza três blocos constituintes que manipula a seu gosto para induzir compreensão e acção.

Um elemento que permite fazer uso do poder de cada Homem e que designamos a computação cognitiva humana. A “inteligência colectiva”. O “cognitive surplus”. Esse exercício sublime de cada Homem, que com a sua história única, capta informação com todo o seu ser e ‘computa’ de forma única, sendo capaz de articular o resultado em linguagem, logo comunicar.

Um elemento de mediação, que une (potencialmente) todos os Homens. Uma mediação tecnológica (e.g. internet). O fazer chegar da informação, levar a informação em contexto, embebendo no seu contexto a organização. Esta mediação potencia a computação cognitiva humana e permite movimentos de amplificação de conhecimento, energia e acelaração de mudança - aprendizagem.

Um elemento de regulação ética. Uma ética do Homem por inteiro. Uma ética dos direitos do Homem. Uma ética de um Planeta por inteiro. Uma ética dos direitos do Planeta.

Movimento, movimento, …Vamos lá saber: Para quê ?

Para intervir! Para acção! Para federar Homens que sintam que tem de agir. Homens que sozinhos estão apagadas, mas que se iluminam na presença de outros Homens.

O movimento quer intervir. Intervir, unindo, integrando saberes e pessoas.

Quer ter uma intervenção cívica que permita anunciar a ‘boa nova’ e garantir o acesso de TODOS. Ciclo imparável de Partilhar conhecimento - Recolher conhecimento. Garantia das condições de acesso ao conhecimento.

Quer ter uma intervenção económica, que explore novos modelos e permita criar entidades económicas viáveis e transformadoras, potenciadoras de uma nova ética de valor.

Quer ter uma intervenção artística que explore estes novos mundos e nos ajude a todos sentir o que não conseguimos entender.

Quer ter uma intervenção científica que permita usar os métodos científicos para explorar estes modelos e gera conhecimento.

Quer ter uma intervenção filosófica que desafie as fronteiras desta epistemologia e expecule sobre as fronteiras da ciência, arte e outras formas de intervenção.

Quer ter uma intervenção espiritual que continue a elevar o espírito Humano.

Quer ter uma intervenção multidisciplinar que cruze espaços, áreas de saber, outras áreas de intervenção, que procure alargar as fronteiras de conhecimento do homem.

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MOVIMENTO manifest
1º Draft by Marco de Abreu, January, 2011

Everywhere we ‘look’ – a ‘look’ with all the senses – we see, better saying, we feel, that ‘something has to be done’. It’s on the air that ‘we are not well’, that we will have to ‘do something’, that ‘something has changed’. By ‘something’ we could mean our company, community (e.g. city, county), country, region (e.g. Europe, North America) or planet (e.g. Earth). The symptoms are all around, there’s not enough money, not enough natural resources, we have a crisis in the weather, the economy, agriculture, forests, politics, natural catastrophes, …

Some portend revolutions, others look for a savior, many give up, some roll up their sleeves and ‘do something’, many look around for signals, cues, they try to figure what is happening in many ways (e.g. change jobs, look for meaning, change life, immigrate, help others).

At the same time, we feel that, what we know is not enough anymore, it does not solve the problems, does not explain “things”, but we don’t know any better, apparently we don’t have new solutions, new explanations. We have a hard time rationalizing “the thing”, we can’t measure it and the more we divide it (to better compreend) the less we understand. What has always been linear, deterministic, worked as a machine (so say the elders) is not working anymore. And we keep pointing fingers, to the politicians, the managers, the religions of others, the political system of others…always looking outside, always seeing the bad in others but never inside ourselves, a tipical reaction when we are confused, don’t know what to do and, of course, “we can’t be the cause ourselves”.

But something is wrong! We feel it! We feel that we need to change! We feel that is changing! How to explain this feeling that something is wrong but we can´t say what this something is ? How can we do different ? Vote for who ?

Our feel is chemical, atomic, comes from the environment with which we are in permanent interaction, in an eternal dance. Our understanding emerges from life, from the consciousness that our brain make arise. From this consciousness results the act of knowing – what knows a man from himself ? We make sense of the world with representations (models) that our brain produces from what we feel, a feeling with all the senses. Our understanding is therefore limited by ourselves and the knowing subjective. In addition we communicate with language (more models).

And these models, what are they ? These models are entangled in us by education, culture, socialization, … they make us believe in a way of organizing societies, in all levels, where ones “think” and others “execute”, organize…. the ones that “execute” don’t care, because the ones that think will figure a way out; models that make us believe that we can understand the ‘WHOLE’ because we understand the ‘parts’; if it works here, we extrapolate, then it will work there; models that allow human beings to be classified around their properties like race, age, gender, place of birth, economic wealth, …

Models are excellent, but they are just models. They have their boundaries, their domain of application. We need to be aware of the model. We could know many models or just one, it’s irrelevant, since we know that models have a limited scope and that may exist alternative models (we could know only one language but we can't assume that the one that talks another language doesn’t know how to communicate).

We are confused because the analysis that we are making with the models we have, does not explain what we see. We are confused because the models we have trigger actions that, instead of getting better, most times gets worst, sometimes getting better in the short run, first.
We need new models! Will we have to wait for these models to be created? And who will create them ?

We. The ones that decided to act. The ones that already figured out the limitation of the models. The ones that know that the solution is in our learning capability, even if they don’t know how to explain. Our capability of learning is native, is embedded in our self and it forces us to interact with our enviroment. The MOVIMENTO has started.

MOVIMENTO !? What MOVIMENTO ?

The MOVIMENTO understands the person as oneness and doesn’t segregate anyone based in attribute or property, independent of their nature (e.g. biological, cultural, economical). Each person has a unique history that gives her an unique cognitive value. An unique hability of seeing the world, of understanding the life. The social sciences saw the human beings as civilized or not civilized, no more than a century ago, and some ones ‘deserved’ more than others, were superior, in the most interesting variables of analysis. Seeing the oneness of the human beings has two consequences: every person is capable of ‘computing’ information she understands (in wider sense, in an organic sense, like the ‘computation’ of a anthill or the human brain); every person is able to learn new ways of understanding the information. This person has determination and free will.

Each person has a unique ‘computation’ as a result of their unique history, from the way she has felt the world since their conception and the interaction she is developing with their environment.
Each person seizes the world in different rhythms, as result of their biologic structure and their sum of all experiences of the interactions with the environment (from chemical to biologic, social and spiritual).
Each person has de ability to make their decisions with the information available and with the their ‘computation’, each time. Sees the error as means, not an end, an indicator of their learning.

The full potential of each person needs that fundamental rights be assured, to assure their free choice (e.g. life right, free speech).

We are not equal. We are all different!

We know different things. We like different things. We are composed by differrent atoms. We have different histories. We have different memories. We are unique.

The MOVIMENTO understands the change by design and don’t postpone solutions depending on the information available in each person. If each person is able to ‘compute’ information, the question is how to deliver information to each person for their ‘computation’ ? If one only understands portuguese i have to translate the information, i have to be a mediator; if one don’t know how to read i have to design for… If each person is able to learn new ways of understanding the information, the question is how can i trigger that learning ? The answer is ‘design to’. Rejecting impossibilities. Not excluding. Including and considering all, designing for all, one by one. Designing with all. Seeing the fault and error as information that allows new iteration, a better new version.

- To successfully get some «action» done that requires a group to do, the whole group must want to get the same «action» done

- The best place to control «action» is where that «action» takes place

- The more information people are given about things that affect getting results, the more they will work to reach those results

- People given the chance to help decide how to get an «action» done will then want to get it done

We do not have to wait a generation to change. The chande is present, with all the (unique) persons we have, respecting the time needed for each one to change, i.e., learning to understand the information in another way and make the information available for ‘computation’. I’m the only one that can change my self. We can only design the context where the change – learning – happens.

Summary of MOVIMENTO’s core principles:
- Person as oneness
- Change by design

With these principles, where some see an end, we saw a continuous flow. Where some see an impossibility, we saw new possibilities. Where some see problems, we saw solutions.

What a thrill! Each person is an atom, able of forming an Universe and their multiplicity. Each person is a bacteria, able of create the Life and their multiplicity. Each person is a neuron, able of create consciousness and their fulness.

The strength of the individual. From ONE. Micro.

We need so many ONEs for organizing communities. What governs this interations that create such diversity and complexity ?

The MOVIMENTO is governed by a set of values that are able of create new «patterns of action», new results. These values don’t substitute old values, rather allow new combinations that help us to have more insight about what surround us and to explore new ways.

The values that have been dominating the «action», for centuries, seek to subjugate the other, submit to the will of a majority, a social class, a ethnic group, a religion, … seek quantities, everything is measured and we only manage what is measured, what is known, what is explicit, we fight for resources, for winning, for being better than the other, being ahead of the other, in an expansionist movement of unlimited resources. This leads to certain models of seeing the humanity and their «action» as well the way that «action» is organized. The persons are considered around attributes of power and the organizations are designed to manage the power. The hierarchies are the structures that are in this «patterns of action». The machine!

These values are important. They bring us to the present and have a record of prosperity for a lot of people, the highest ever. But we all feel that they are not enough to understand the present and design the future. We need to combine this values with other values. Instead of eliminate values, we need to balance with other values that can create new understanding, new solutions.

We need interactions that assume resources are finite and are designed to conserve them, balancing the expansionist perspectives that has been followed until now. Does this means that we need to leave all the knowledge created until now ? No. It means that instead of always making new paper we can start using recycling, combining two different perspectives in a movement of continuous adjustment.

We need interactions more oriented to cooperation and that acknowledge that there are several ways of winning. The balance between competition and cooperation will create new interations that take advantage of the human knowledge. May every person be excelent, the best. We do not want mediocrity standardized, instead the excellence of each person. But with new cooperation that allows new human ventures (the future ‘wikipedia’s).

We need interactions that involve what we know, what is measured, with what we don’t know, with what we feeling, with what is qualified. Where the tacit is combined with the explicit, the formal with the informal, creating a new understanding. How can we measure love and hate ?

We need interactions that change the focus of power; from domination to partnership, to a consent and desired collaboration. We need to seek what motivates each person, what makes people get together and endeavor in the new frontiers of mankind. The networks are the new way of organizing that emerge from th values. The ecology (life, organic)!

The MOVIMENTO has ways of thinking that are able to consider other perspectives, other ways, to analyse other alternatives. The social structures encourage some kinds of thinking. When we are subjected to new challenges, the standardization of thinking freezes us all.

In the last centuries we developed ways of thinking that took the mankind to the higest level of progress ever: material progress, social progress, intellectual progress, spiritual progress. But the in the present the challenges are huge and with a scale of magnitude we did not expect and never saw.

The generalized ways of thinking focus on the rational, the analysis, reductionist and linear. The information processing machine!

We need interactions that are able of dealing with the rational and with the mechanisms of reason (like logic) but that are balanced with the intuitive, with feelings, with what we feel and can’t be explained, with the emotions.

We need interactions that are able of making analysis, of analytic characterization, but balanced with synthesis. A multidisciplinary synthesis that contemplates different perspectives like the scientific, philosophical, artistic or spiritual.

We need interactions that are able of dividing in parts, reducing, and make analysis to understand the parts. But are aware of the limitations of reducing. That acknowledge the ‘WHOLE’ emerges from the ‘parts’ and can be apprehended only with holistic and integral perspectives.

We need interactions that are able to linearize (few variables), that simplify, that create models for precise contexts. But also understand that the variables are infinite and that another model is waiting around the corner, a new perspective, a new way of combining the knowledge, creating new interpretations and consequences.

We need interactions that create new ways of thinking for the creation of new models, with differente properties, that allow new interpretation and new «patterns of action». Models that combine the knowledge of mankind in a different way and in the process, create new knowledge. The ecology that ‘computes’ information.

Summary of MOVIMENTO’s forces:

- Values:
... Expansion balanced with Conservation
... Competition balanced with Cooperation
... Quantity balanced with Quality
... Domination balanced with Partnership

- Thinking:
... Rational balanced with Intuitive
... Analysis balanced with Synthesis
... Reductionist balanced with Holistic
... Linear balanced with nonlinear

With this principles and forces, we believe we can create new models to make sense of the world around us, to reflect about new interpretations, new solutions new proposals for organizing societies. We see the MOVIMENTO as integration! Integration of people, perspectives, models, knowledge. Integration of hierarchies and networks. Intention and emergence. We shall say that we share the same epistemology, the complexity one (complexity science).

What a thrill! Each person is in an WHOLE that empowers her, that amplifies her history of interactions, i.e., what she know is combined with what the other knows and combined with all the rest. The ONE creates the WHOLE in perpetual MOVIMENTOs of amplification and meaning.
The strength of the collective. WHOLE. Macro.

Who are the individuals with these powers? How do we find them?

The MOVIMENTO is shaped by people of the present, with their history of interactions (chemical, biological, social, cultural, …), people that, according to some models, could be good or evil (or something in the middle), scientists, artists, technicians, managers, …, competent or incompetent, participatory or non participatory, with a degree or not, young, old, with or without religion, from one race or another, from a gender or another, …in another words, people, like each of us, living and with freedom of choice.

These free persons see the universe as complex and beautiful, and share the same perplexity of Universe. They have needs and they clearly manifest them, trying to balance their actions in the following vectors:

- The need make money to assure a good life (economic)

- They love to learn and learning is their nature (learning)

- They enjoy what they do and want to do what they enjoy (motivation)

- They belong to an WHOLE and want to contribute to that WHOLE and to the other (citizenship)

Me! The MOVIMENTO!

This MOVIMENTO is a MOVIMENTO of learning, in a deep sense. A learning that evolved along million years, creating all the life and the complexity of our Universe. A learning that stepped to a new dimension, with the human consciousness – what knows a person about herself ? – and is building a consciousness of the WHOLE – what knows the mankind about herself ?

A learning that is like a Russian doll, inside has another learning, infinitely small. And also, belongs to a bigger doll. This is the ‘bigger’ that we are building, and each time more conscious about the process.
We! The MOVIMENTO!

This MOVIMENTO uses 3 building blocks that handles in certain ways, to trigger understanding and action.

An element that empowers each person, a human cognitive computing. The “collective intelligence”. The “cognitive surplus”. This sublime exercise of each man, that with his unique history, collect information with his being (mind and body) and ‘computes’ in a unique way, being able of articulate the result in language, and therefore communicate.

An element of mediation, that joins (potentially) all persons. A technological mediation (e.g. internet). Delivers the information, takes the information on context and embeds their organization in the context.This mediation potentiates the human cognitive computing and allows amplification movements of knowledge, energy and acceleration of transformation – learning.

An element of ethical regulation. An ethics of the person as oneness. An ethics of the human rights. An ethics of a Planet as oneness. An ethics of the Planet’s rights.

MOVIMENTO, MOVIMENTO …for what ?

To intervene! To action! To get together persons that feel a need of action. Persons that alone are turned off, but turn on in the presence of others.

The MOVIMENTO whats to intervene. Intervene by joining and intregating people and knowledge.

Wants to intervene in civic life, to announce the ‘good news’ and ensure that everyone can participate. Unstoppable cycle of . Ensuring the conditions of access to knowledge.

Wants to intervene in economic life, to explore new economic models that allows us to create new economic organizations, viable and transformative, able to create a new value ethics.

Wants to intervene in artistic life, to explore this new landscapes and help us to feel what we can´t understand.

Wants to intervene in scientific life, to explore new models and create new knowledge.

Wants to intervene in philosophic life, challenging the frontiers of this epistomology and speculate about the frontiers of science, art and others ways of intervention.

Wants to intervene in spiritual life that continues to raise the human spirit.

Wants to intervene in a multidiciplinary way, crossing disciplines and fields of knowledge, trying to expand the frontiers of human knowledge.

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(*) MOVIMENTO is movement in Portuguese Language. People are in movement. Planet have a movement. Life is a movement.


Referências/ References
- The Web Of Life, F. Kapra, 1996
- A Ciência de Leonardo da Vinci, F. Kapra, 2008
- O Livro da Consciência, A. Damásio, 2010
- Organizational Engineering: Management Is Out! Engineering Is in, P. Kartinen, 2004
- Change by Design, T. Brown, 2008


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