quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Tratado sobre consultoria

Um dia destes ainda escrevo um!
Segue um esboço sobre:


Substância: Sabemos pouco para sabemos muito sobre a substância (da esquerda para a direita)
Processo: De mais flexível para menos flexível (de baixo para cima)

Âmbito:
- Consultoria tradicional: para contextos bem estudados/ definidos; assume que é há bom conhecimento sobre a matéria e que se sabe o que aplicar correctamente
- Consultoria de processo: para contextos em que se conhece a forma de intervir mas pouco sobre o tema; muito focado no individuo
- Design Thinking: sabemos pouco sobre o tema e/ou processo; assume-se que o conhecimento não existe à partida; terá que ser criado
- Personal Consulting: materia é conhecida; o processo é muito flexível, dependete do contexto

Granularidade:
- Consultoria de processo e Personal consulting: muito focada para o indivíduo ou para grupos pequenos
- Consultoria tradicional e Design Thinking: tipicamente focada na função ou em grupos de pessoas

Outras dimensões podem ser avaliadas:
- foco: sobre as pessoas ou sobre a função
- natureza: mecanicista ou orgânico
- conhecimento: existente ou novo (ponto de partida)
- relação com o cliente (quem pede consultoria): prescritiva ou envolvente/ participativa




domingo, 13 de novembro de 2011

Congresso de Empreendorismo

No passado dia 27 e 28 de Outubro aconteceu o 1º Congresso Ibérico de Empreendorismo, promovido pela Associação Empreend. Gostei de ter estado presente. Ficam aqui as minhas notas sobre o dito cujo.

- Muitas pessoas que estiveram presentes, estavam lá porque estavam a pensar em empreender. A grande maioria por obrigação. Tinha perdido o emprego, 1º emprego, 'farto' de empregos precários, ... ou seja, empreendorismo por necessidade.

- Nesta linha, estamos a precisar urgentemente de muitos eventos que possam ajudar estas pessoas, facultando informação, soluções, oportunidades, espaço para reflexão, redes de conhecimento e experiência, meios, ... mas também reflexão sobre o que significa empreender, como se pode viver com a incerteza, que comportamentos estão associados, casos/ motivações para insucesso, casos/ motivações de sucesso, ...

- Do outro lado da fronteira tudo esta mais sistematizado, organizado, mais estudado. O foco é muito regional, o driver foi muito académico, mas a distância foi muito grande entre os nossos oradores e os do pais irmão (os convidados estrangeiros vinham todos da academia). Eles mostram-se mais visionários e com boas dinâmicas regionais, i.e., começam a perceber, com a ciência, como podem iniciar uma grande mudança a partir das suas regiões (do local).

- Quase todos os casos escolhidos foram bons e ilustrativos, dando pistas para o acto de empreender (foram só casos portugueses). Mostaram diferentes dinamicas: interior, litoral; nacional, internacional; tradicional, moderno; económico, social; território, desmaterializado; educação de empreendedores, criação de empresas.

- No evento ficou patente a escassez de informação sobre Portugal e o caso Português. Também vimos que há falta de estartégia e visão a todos os níveis.

- Painel de financiamento foi fraco e desmotivador, embora tivesse presente o sector público, privado e bancário; não apontou soluções e mostrou a falência das soluções que temos vindo a utilizar até ao presente.

- No geral, temos muito trabalho pela frente para criar uma dinâmica empreendedora na nossa região. Devemos articular com Espanha e com outras geografias para criar novo conhecimento.

- Algumas ausências: Beta-i, IES, , , , ,

- No geral ficou a ideia de um evento muito organizado em torno de Cascais, pouco representativo do espaço Nacional e com uma dinâmica territorial - empreender a partir de uma região (e.g. Cascais ?). Muitas pessoas disponíveis para empreender, por necessidade - sente-se muita apreensão e baixa motivação.


sábado, 22 de outubro de 2011

abrir fundações de negócio das organizações públicas

Em 2008, promovi, no contexto da darwin, a abertura das "fundações de negócio" das organizações na esfera do estado: promover colaboração, inovação, transparência, confiança, novas soluções, ...

Julgo que o tema é mais relevante do que nunca, em que precisamos fazer muito, com muito pouco.


Este tema está relacionado com o Programa de Acção Política ACREDITAR.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Gerações em décadas

Nas últimas semanas tenho reflectido sobre nós, os que vivem neste território lusitano, tenham ou não nascido aqui - se cá vivem partilham da responsabilidade. Para entender quem somos/ temos sido, é conveniente olharmos para as gerações por décadas de nascimento. Até há bem pouco tempo olhava para as gerações... não conseguia entender muita coisa; com as décadas, salta à vista várias considerações.

É uma análise macro, superficial; um esboço; como tal tem muito ruído, mas acho que se consegue perceber a silhueta.

Começemos...

Os que hoje tem 90, 80, 70 - regem-se por fortes princípios e valores; são de convicções; foram assim toda a vida: já aos 20 anos tinham as suas personalidades bem vincadas. Podemos ver estas coisas por em casa comer-se sempre às x horas, por ser domingo e temos que fazer qq... são humildes e de causas; veja-se duas figuras históricas, Salazar e Álvaro Cunhal; um para fazer frente ao outro tinha que ter fortes princípios, opostos mas com muita convicção; ambos foram despojados e lutaram pelo que acreditaram. Construiram a nossa história antes do 25 de abril.

Os que estão nos 60 - a dos meus pais (eu estou nos 40!); fizeram Abril. Criaram as suas famílias nos 11 anos que se seguiram; dificuldade era o mote. Sacrifício. Poucos fizeram o que gostavam; quase todos fizeram o que tinham que fazer. Estão esgotados, sem esperança. Só querem ter o seu "merecido descanso": a reforma; agora é que são livres. O problema agora é de outro, por acaso, filho e neto.

Os dos 50; estavam no primeiro emprego/ saída da faculdade quando veio os Governos de Cavaco Silva. Fizeram as suas carreiras sempre em crescimento. Consumo. Tudo era fácil. Chegavam os dinheiros Europeus. Agora é a minha vez. Geração mais instruída, criou os filhos em contexto de vacas gordas. Longe da reforma, muitos foram apanhados pela crise; no desemprego estão sem alternativa; nas empresas/ estado com medo. Pela primeira vez sentem que o que andaram a construir durante 25 anos não tinha boas fundações - a maior parte reclama da herança! Muitos foram chefes dos de 40! Esperemos que tenham saído do poder e que não voltem!

Os 40, estavam na faculdade ou em vias de entrar para ela; sairam nos 90. São a primeira geração a apanhar com a internet. São a geração que nasce com Abril. Filhos dos 60, brincam na rua; O Nuno Markl fala para esta década. Fizeram amigos, são instuídos. Estão a criar os filhos. Há muito que perceberam que a coisa anda mal, mas estão dentro do sistema e não sabem como muda-lo. Começam a tomar as radeas do país na justiça, educação, saúde, empresas, ...
Por todo o lado se houve, "tem que mudar, mas como?". Descobrem que a reforma é um mito e começam a tomar o destino na sua mão.

Os de 30, tipicamente irmãos dos de 40; são desempoeirados; nas suas carreiras estudaram fora ou trabalharam fora, muitos ainda lá estão; são bem formados, com muitos títulos. Misturam trabalho e lazer; não tem preconceitos. São criativos e esforçados, estão a conciliar tradição e modernidade. Sentem-se bem consigo e com o mundo. Estão a desencaminhar os de 40, a estimula-los. A dar um sentido e a dar respostas ao "como". Já sabem que o futuro terá que ser construído e que não há nada garantido - apenas o que forem capazes de construir.

Os de 20. Os da manifestação na avenida. Tipicamente filhos dos de 50, andam perdidos. Pedem ao sistema para lhes dar uma oportunidade, mas sabem que o sistema está mal. Não estão a sair como fizeram os de 30. Estão mais negativos. Muita facilidade ? Resistência à primeira dificuldade, e que dificuldade! Muitos, os que fizeram os caminhos dos de 30, partilham do espírito e veêm um mundo novo; os outros estão bloquados, presos, retidos.

Os de 10! Que geração! a primeira com as 'múltiplas inteligências' do Gardner ? Parecem ter outra capacidade cognitiva. Desafiam os pais e obrigam-nos a estudar para acompanhar os filhos; são activos, cultos e relacionados com o mundo! Parecem colher dos setes saberes do Morin.

Os de 0's! Mostram já muita gara! 2ª vaga! estou a ver como estão a ser preparados. Aos 5 anos, falam de salvar o planeta, e dizem em inglês. No dia do aniversário do amigo, pedem para falar com ele e dar os parabéns; escolhem a prenda a dar de acordo com o amigo.

Há esperança! Temos que continuar!

A coisa terá que ser resolvida com os 30-40 num enacting entre ambas as décadas e com modelos novos, mais auto-organizados, que começam a surgir; os 20 e os 50 viram atrás, uns após vencerem a negação e demais fases (50); os outros quando começarem a perceber caminhos novos (20). Temos também que perceber como vamos juntar a experiência dos 60.

Não terá sido sempre assim ?

Livros das férias

Este ano fui para férias com 3 livros:
- um escolhi eu: ensaio "Portugal, Hoje o Medo de Existir do filósofo José Gil , 2004
- outro escolheu o meu amigo Gonçalo: "Economia Civil" dos professores de economia L. Bruni e S. Zamagni, 2004
- o terceiro escolheu o meu amigo Claudian: "Freedom from the know", Jiddu Krishnamurti, 1975

Que leituras! Vim diferente das minhas férias!

Tudo se liga, o macro - o mundo - o meso - a comunidade onde moro - e o micro - eu!
É caso para dizer que a escolha já não é aleatória, já é resultado do processo de serendipidade (http://pt.wikipedia.org/wiki/Serendipidade, http://en.wikipedia.org/wiki/Serendipity)

Obrigado amigos!


sábado, 6 de agosto de 2011

5 teses do paradigma do futuro

Em 1985 Boaventura de Sousa Santos profere uma Oração de Sapiência na abertura das aulas na Universidade de Coimbra a propósito do ano lectivo.

E que oração! em 1987 surge o texto "Um discurso sobre as ciências", Edições Afrontamento. Um daqueles textos de tirar a respiração. Que clarividência.
Com suprema elegância descreve-nos os paradigma dominante, o que conseguimos atingir com ele e, suprema ironia, o geramos com ele: o conhecimento que o colocou em 'cheque'!

Falamos de "condições teóricas" que fundamentam "a crise deste paradigma" dominante:

1. Einstein e a relatividade da simultaneidade

2. Heisenberg e Bohr, com a mecânica quântica, mostram que para observar ou medir interferimos

3. Godel e os teoremas da incompletude e sobre a impossibilidade

4. Prigogine e a teoria das estruturas dissipativas e o princípio da ordem através de flutuações

Descreve-nos um "movimento convergente" que vai a caminho de um novo paradigma, um paradigma descrito com 4 "teses":

I. Todo o conhecimento científico-natural é científico-social

II. Todo o conhecimento é local e total

III. Todo o conhecimento é autoconhecimento

IV. Todo o conhecimento científico visa constituir-se em senso comum

"Sabemo-nos a caminho mas não exactamente onde estamos na jornada. A condição epistemológica da ciência repercurte-se na condição existencial dos cientistas. Afinal, se todo o conhecimento é autoconheicmento, também todo o desconhecimento é autodesconhecimento."

Este 'gesto' de humildade, a humildade da sapiciência, a humildade de quem sente o movimento - Beck e Cowan na "Dinâmica da Espiral" chamam os "feiticeiros da espiral" - abre-nos a porta para a nossa especulação.

Nas condições teóricas, gostava de acrescentar duas, que tem desafiado, pelos mesmo flancos epistemológicos, o já fragil paradigma, mas que convém lembrar, ainda vigente (como Kuhn nos preveniu!):

5. A ciência das redes e o seu mais famoso laboratório: a internet: como se organiza o que conhecemos ?

6. As teorias que desvendam o nosso cerebro, a sua arquitectura e o seu comportamento, em particular a consciência: como conhecemos ?

Aqui é de todo oportuno relembrar António Damásio e os seus trabalhos, em particular "O livro da consciência".

Com estas novas condições, o novo paradigma ganha mais peso e acrescenta-se:

V. Todo o conhecimento é micro e macro (EU e NÓS)

Nota: que bom um texto onde os protogonistas são portugueses!

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"Um discurso sobre as ciências",
Boaventura de Sousa Santos,
Edições Afrontamento, 16ª ed, 2010

"O livro da consciência",
António Damásio,
Edição Circulo de Leitores, 2010

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

8 saberes necessários à construção do futuro

Num trabalho solicitado pela UNESCO em 1999, Edgar Morin, brinda-nos com um fantástico escrito, onde nos apresenta os sete saberes necessários à educação do futuro, a saber:

1. As cegueiras do conhecimento: o erro e a ilusão
2. Os princípios do conhecimento pertinente
3. Ensinar a condição humana
4. Ensinar a identidade terrena
5. Enfrentar as incertezas
6. Ensinar a compreensão
7. A ética do gênero humano

Com as minhas leituras mais recentes de Saras Sarasvathy acrescentaria o oitavo saber, totalmente em linha e articulando os 7 saberes propostos por Morin:

8. Método de empreender

Reconheci/Reconheço este método na bibliografia de Gandhi, Mandela, Freud, Einstein, ... no Bill Gates, Steve Jobs, Muhammad Yunus, ... no trabalho de Joana Vasconcelos, Leonel Moura, ... em José Tribolet, ... e em tantos outros, de diferentes campos, que tem feito uso deste método para mudar o mundo (o seu e muitas vezes o de muitos de nós).

Sarasvathy provoca-nos e enche-nos de esperança; provoca pois diz-nos que há um método novo de fazer sentido do mundo: o método de empreender - a par do método científico, método expeculativo (filosofia), método artístico, método espiritual, ...

Num paper recente, caracteriza o método da seguinte forma:

"Unleashes the potential of human nature
Purpose is to to engender new ends as well as achieve old ones
Aims to generate and refine design principles—the emphasis is on locality and contingency
Focus is on the inter-subjective
Mechanisms involve action, interaction, reaction, transformation, and explicit co-creation
Possible candidate for a dominant logic: Effectuation"

A esperança é que o método se aprende - é uma competência - como se aprende o método científico: "it can be taught and learned".

Um dia destes ainda me dedico a escrever os <8 saberes necessários à construção do futuro>.

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Edgar Morin
Les sept savoirs nécessaires à l’éducation du futur
1999


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Saras Sarasvathy

"Entrepreneurship as Method: Open Questions for an Entrepreneurial Future", Saras D. Sarasvathy and Sankaran Venkataraman, January, 2011, ENTREPRENEURSHIP THEORY and PRACTICE, Wiley-Blackwell

sábado, 2 de julho de 2011

2 momentos, 2 gerações

ET, 1982









How to train your dragon, 2010









A maneira de resolvermos as nossas diferenças é ser tolerante com o outro que é diferente de mim:
- tentar perceber o que eu estou a sentir, i.e., como estou a interpretar a informação que os meus sentidos estão a recolher e o que isso significa para mim
- tentar colocar-se no lugar do outro e perceber o que ele esta a sentir, i.e, como ele esta a interpretar a informação que os sentidos dele estão a recolher e o que isso significa para ele (situação)
- como podem ser desenhadas maneiras de o sentir de cada um não ser uma ameaça, mas antes uma oportunidade ?


Livros para miúdos e graúdos











terça-feira, 7 de junho de 2011

Revolução controlada

Cada vez mais convencido que há dois grandes caminhos pela frente:
- revolução controlada da inovação social
- revolução clássica da sociedade

A clássica pode trazer alguma melhoria, mas é feita por impulso, de baixo para cima e sem controlo, com as emoções ao rubro. Veja-se o nosso 25 de Abril e os 10 anos que se seguiram; ou a nossa instauração da República e os 20 anos que se seguiram, e por ai fora.

Há um resultado garantido: há sempre os vencedores e os vencidos! Não é inclusiva, é exclusiva por natureza; cria uma fronteira entre "eu" e "tu".

Estou certo que se não fizermos a controlada, será esta a via seguida pela sociedade para fazer face as alterações de fundo que vivemos.

A revolução contralada, visa elegermos alguns objectivos de todo, de bem estar, que nos possam mobilizar a todos, que sintamos que estamos dispostos por lutar, por sacrifícios e iniciar um processo de passar para o micro, para cada um de nós a responsabilidade de contruir uma sociedade melhor; as escolas passam a ser "empresas sociais" locais participadas pelas famílias, pelos professores e demais entidades inbteressadas na escola; idem para os hospitais, tribunais, estradas, aeroportos, ... somo todos responsáveis e estamos todos convocados para participar.

Esta pode ser desenhada, inclusiva, envolvente e controlada (no sentido de prevenir a exclusão; os vencidos; o sangue e a perca de vidas) canalizanso as emoções para a participação e construção de uma sociedade mais interessante para todos.


Veja-se o que aconteceu nas últimas eleições:
http://coisas-do-marco.blogspot.com/2011/06/eleicoes-2011.html

O que a Islândia está a fazer:
http://coisas-do-marco.blogspot.com/2011/05/caso-islandia-teremos-coragem.html

Basta ACREDITAR que "eu" (cada um de nós!) sou capaz!
Neste contexto proponho uma nova acção política:
http://coisas-do-marco.blogspot.com/2011/05/programa-de-accao-politica-acreditar.html

A minha escolha é a de tentar a controlada!

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Eleições 2011

Segundo a CNE.pt:
- Inscritos: 9.429.024
- Mandatos/ deputados: 230
- Votantes: 5.554.581
- Não Votantes: 3.874.443 (41%)
- Brancos: 148.076
- Nulos: 75.281
- Não votantes + Brancos + nulos: 4.097.800 (43,46%)
- PSD: 2.145.780 (22,76%)
- PS: 1.557.931 (16,52%)
- PSD + CDS-PP: 2.798.058 (29,67%)
- PSD + PS + CDS-PP + PCP-PEV + BE: 5.084.970 (53,93%)

Algumas considerações:

O 'partido' mais votado foi a abstenção + brancos + nulos com 43,46% dos inscritos.

A 'abstenção' foi o partido mais votado. Os 'brancos' o 7º e os 'nulos' o 8º.

O nosso governo (coligação?) foi eleito por 29,67% (menos de 1/3 dos eleitores).

Cerca de 46% dos eleitores inscritos não estão representados no parlamento.

Imaginem que a 'abstenção + brancos + nulos' tinham direito a uma cadeira vazia no parlamento. Em termos lineares, teriamos 100 cadeiras vazias e 130 cadeiras com deputados eleitos.

domingo, 29 de maio de 2011

Caso Islândia. Teremos a coragem ?

A revista Visão Nº 947 de 28.abr trás uma reportagem sobre a Islândia que recomendo vivamente: "Islândia: falência levou o dinheiro, não a criatividade".

Podem aceder a uma cópia em:
http://www.op-portugal.org/downloads/ArtigoVisao04.2011.pdf

Excelente artigo de reflexão. Tocante. Comovente. Inspirador.

Refundação de baixo para cima, na lógica do Programa de acção política 'acreditar'.

Ponto de partida: acreditar que cada cidadão é capaz (punir quem prevaricar).

Nas palavras do Presidente da República Ólafur Ragnar:

"(...) Estando na vida pública há tanto tempo, nunca tinha visto um debate tão profundo e alargado entre os cidadãos como agora. E provou-se que os cidadãos comuns sabem formar opinião e decidir sobre os assuntos tão complexos. Estou muito feliz, e até orgulhoso dos cidadãos do meu país. Diziam-me que o povo não podia decidir sobre estas questões, porque não tinha conhecimentos. Os cidadãos tornaram-se peritos."

Temos duas hipóteses, grosso modo:
a) esperar que a revolução aconteça de forma inesperada com as respectivas consequências

b) começar a desenhar a reforma; fazer da nossa situação uma oportunidade para nos refundar-nos; nos reinventar-nos; gerar-mos novo conhecimento; nova esperança.

O caso Islandes mostra que podemos seguir por b). Teremos a coragem ?

sábado, 7 de maio de 2011

Programa de Acção Política ACREDITAR

Nota pessoal:
Farto de ver sempre as mesmas ideias, e um velho debate (esquerda - direita, público - privado) que não trás novas ideias nem soluções, decidi escrever um programa de acção política, baseado em novos princípios e que lança ideias fora da caixa para debate e reflexão. É um programa para um década.
(desculpem eventuais erros)

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"Quando uma crise atinge o seu ponto máximo, pode proporcionar uma enorme oportunidade. Quando as coisas se desmoronam, podemos voltar a conceber, remodelar e reconstruir. Não deveriamos perder esta oportunidade de converter as nossas instituições financeiras [deu diria todas as instituções] em instituições inclusivas."

Muhammad Yunus, A empresa Social, Editorial Presença, 2011, Pag. 15


Este programa tem por base os seguintes princípios:
- vê o cidadão como um ser humano por inteiro
- acredita na capacidade de cada agente social, cidadão ou grupos de cidadãos (e.g. famílias, empresas, organizações)
- é centrado em cada cidadão individual
- dá preferencia à rede como estrutura organizacional, distribuindo o poder pelos nós da rede (a todos os níveis) - rede de redes
- entende a sustentabilidade de forma holística e como condição base da Vida

Os objectivos deste programa são:
- promoção da felicidade de cada um dos seres humanos que decidiu fazer a sua vida no território abrangido por este método de administração
- promoção de estilos de vida sustentáveis e em harmonia com o ecosistema Terra (produtos, processos, práticas)
- geração de novo conhecimento para sustentar uma nova etapa de desenvolvimento (seremos pioneiros!)

As linhas de acção estão definidas na generalidade e apresentam-se como princípios; a execução de cada medida dependerá de um programa específico, desenhado e discutido, com calendarização e objectivos bem definidos.

No desenho, procurou-se garantir que toda a sociedade é envolvida neste processo de refundação da República Portuguesa, a todos os níveis, sendo um projecto colectivo e estruturante. Será um programa de transformação que irá despertar a inovação social. A geração de novo conhecimento e a transformação de cada uma pessoas deste território por força da participação e envolvimento, serão o trigger de um novo conhecimento que proporcionará o desenvolvimento económico e social futuro. Significa que cada um de nós decide responsabilizar-se pela mudança e que sente que vale a pena o sacrifício por uma mudança que visa promover a felicidade, acabando com a pobreza, valorizando o património cultural e natural, pagando a dívida, e criando base para um novo modelo de desenvolvimento assente na sustentabilidade e em Homems felizes. Um novo Portugal para os nossos filhos, netos, bisnetos, ...

# Convocação de todos
Está é um covocação de todos. Todos são necessários, homens, mulheres, crianças, idosos, desempregados, empregados, privados, públicos, comunistas, de direita, académicos, domésticas, reformados, activos, nativos, estrangeiros, imigrantes, emigrantes, de todos os credos ou sem ele, de todas as raças e etnias, de todas as profissões ou sem ela, licenciados, não licenciados, ... de voluntários, ... de empresas, associações, de todos. Temos que fazer com menos dinheiro ou até sem ele. Temos que reinventar. Vamos criar redes de solideriadade que ajudem cada um de nós; vamos garantir que todos podemos contribuir para a mudança. Teremos que ter a humildade e o espírito de sacrifício de nos voluntariarmos para ajudar, para contribuir de forma altruista, acreditando! Acreditando em si! Acreditando no outro! Acreditando em Nós!

# Sistema de Protecção Social
A principal missão deste sistema é a promoção da felicidade de cada pessoa presente neste território e a eliminação da pobreza. Deixa de garantir a quem pode sustentar o seu ciclo de vida e foca-se em todos aqueles que não o conseguem fazer, por nascimento (e.g. dificiência), condições materiais (e.g. pobreza), ou infortúnio (e.g. acidente).
Tem uma visão de cada cidadão como caso único. Encontra soluções individuais. Ajuda que cada um possa encontrar o seu lugar na sociedade.

# Sustentabilidade como valor
Usar como driver da mudança e inovação social a transformação de todas as indústrias, produtos, práticas, formas de vida para incluirem a sustentabilidade no seu centro. Gestão do patrimóno natural. Promoção de actividades económicas sustentáveis.

# Todos para a escola (desenvolvimento do homem por inteiro)
Programa nacional que visa garantir que todos os meninos com idade supeiror a 1 ano estão na escola, resolvendo as questões que são obastáculos a cada menino. Arrancar garantindo 100% em 1 ano, depois nos 2 anos, 3 anos e por ai fora. É do âmbito do forúm de educação.

# Envelhecimento acompanhado
Programa nacional que visa garantir que todas as pessoas tem o acompanhamento necessário no processo de envelhecimento e que existe uma rede de serviços vocacionados para este segmento, desde acompanhamento na doença (e.g. Alzheimer), companhia, bem estar, acesso cultural, entre outros. É do âmbito do forúm de sistema social.

# Bem estar físico para todos
Programa nacional que visa garantir que todos tem acesso a um sistema que tratem do bem estar físcio como sejam ginásio, piscina, ioga, meditação. Prioridade para a escola e a partir de 1 ano; seguir a mesma metodologia da escola para todos. É do âmbito do forúm de saúde.

# Todos na cultura
Programa nacional que visa garantir que todos tem acesso a bens culturais, desde logo música, expressão plástica, história, património, leitura na escola a partir de 1 ano. Seguir a mesma metodologia da escola para todos. É do âmbito do forúm de educação.

# Todos com a mamã (desenvolvimento do homem por inteiro)
Programa nacional que visa garantir que cada bebê ficará com os pais (nos primeiros 6 meses mãe) em casa no primeiro ano de vida; retirar todos os obstaculos que visam a concretização desta medida, bebê a bebê. É do âmbito do forúm de sistema social.

# Adopção generalizada (desenvolvimento do homem por inteiro)
Todas as crianças devem ter um lar. Todos os cidadãos podem adoptar uma criança; com a adopção a reponsabilidade é igual a de um progenitor biológico. Procurar garantir que quem adopta tem duas pessoas envolvidas na educação (critério preferencial, mas não impeditivo). É do âmbito do forúm de sistema social.

# Leis simplificadas e actualizadas
Actualização, modernização e simplificação de todas as leis do País, garantindo que as leis em aplicação são todas de data superior a 2000 e que são revogadas todas as leis sem aplicação ou antigas. É do âmbito do forúm de governação.

# Impostos simplificados
Taxa única de impostos para cada um dos agentes: indivíduos, empresas. Não há deduções, nem benefícios de nenhuma ordem para nenhum contexto. É de base local, com parte afecta ao fundo comum. Sobre cada tipo de rendimento aplica-se a taxa (pode haver taxas diferenciadas por tipo de rendimento). É do âmbito do forúm de finanças.

# Pagamento da dívida (programa de poupança nacional)
Pagamento da dívida de forma prioritária e no mais curto espaço de tempo. É do âmbito do forúm de finanças.

# Modelo Político e Administrativo (proximidade e auto-organização)
Novo modelo de administração baseado numa rede articulada de (e.g.) 20 nós administrativos (inclui as duas RA), com governo local (e.g. 5 membros) e parlamento local (e.g. 30 membros), ambos eleitos, para mandatos únicos de 6 anos (entre duas eleições tem que haver um perído de descanso de 10 anos), com responsabilidade em todas as areas de intervenção, com excepção das funções de defesa, serviço de informações e negócios estrangeiros.

O princípio base é que tudo reside nos 20 nós, e o que é de âmbito nacional resulta de orgãos formados a partir dos 20 nós

A constituição será discutida em forúm próprio, que emana dos parlamentos dos 20 nós e que tem esse poder; deverá garantir uma maioria de 2/3 da população, e uma percentagem mínima de aprovação em cada nó.

É mantido o presidente e os seus poderes, contextualizados para os 20 nós da rede.

Da articulação dos 20 'nós' é que sai a articulação nacional nos diferentes sectores (todos), como sejam educação, saúde, ambiente, com fóruns permanentes de gestão, com elementos nomeados pelos 20. Não tem funcionários próprios; são tudo quadros dos 20 nós.

As políticas sectoriais serão articuladas no forúm político que emerge de cada nó para esse efeito, fazendo lei de âmbito nacional.

As fronteiras de cada um dos nós deverá ser sufragada pela população, sendo facultado a cada população a associação da zona de fronteira que lhe seja mais natural em função dos seus interesses (âmbito de freguesia).

Todas as instituições e empresas públicas serão reentruturadas em torno dos 20 nós; futuros benefícios em articulação de operações, serão decididos por cada um dos 20 nós. Sejam exemplos, aeroportos, estradas, escolas, tribunais, hospitais, administração central e local.

Todas as funções serão reorganizadas, sendo desenhadas estruturas novas com novos quadros de pessoal que irão contratar a partir dos quadros públicos nacionais e locais.

Na transição ficará assegurando um plano de melhores práticas para facilitar a transição, bem como, mecanismos de cooperação e partilha de conhecimento.

Será criado um fundo participado pelos 20 nós para sustentar as políticas de apoio as regiões mais necessitadas segundo a perpectiva da pobleza e da sustentabilidade.

Promoção das actuais juntas de freguesia a associações locais com responsabilidades na promoção e articulação dos bens culturais de cada freguesia, mantendo a sua identidade cultural. A força do nosso tecido social e da nossa sociedade esta na força da nossa micro-organização e pretende-se que esta seja forte e dinâmica.

# Modelo de Gestão de Serviços (proximidade e auto-organização)
São prestados por "empresas sociais" como definidas por Muhammad Yunus, A empresa Social, Editorial Presença, 2011, num "mercado de qualidade social" como definido por L. Bruni e S. Zamagni em "Economia Civil", 2004

Gestão de cada entidade é realizada localmente, tendo total autonomia na gestão dos seus activos, sejam pessoas, edifícios, recursos financeiros e afins. Cada uma destas entidades ganhará estatudo próprio, empresarial, podendo ter como accionistas as comunidades locais, entidades de representação local, empresas locais, e outros parceiros. A articulação de conjunto emana de um fórum com representantes de cada instituição que articulam a execução de políticas globais locais.

Cada nó administrativo terá uma rede de escolas, hopitais, estradas, museus, bibliotecas e afins sobre sua alçada, sendo geridas por empresas dedicadas; estas empresas podem ter como accionistas os nós, associações locais, empresas locais, cidadãos locais,... . As instituições locais terão sempre a maioria nas empresas prestadores de serviços.

As instituições vão deixar de ser financiadas, vivendo da sua acção/ missão. O cidadãos pagaram todos os serviços de cada uma destas empresas. O estado financiará cada um dos cidadãos.
Cada cidadão terá o direito de escolher a instituição que lhe facultará o serviço.

Para o efeito será implementado um sistema de pagamentos oficial, centrado no cartão do cidadão e que disponibilizará a cada agente uma conta corrente com o estado.

Na transição ficará assegurando um plano de melhores práticas para facilitar a transição, bem como, mecanismos de cooperação e partilha de conhecimento.

Será criado de sistemas da sociedade civil que façam uma avaliação continuada deste sistemas (a semelhança do patient opinion) e sejam um estimulo qualidade de serviço e à inovação.

Com a autonomia de gestão e inovação deverão ser refundados os modelos da escola, o hospital, o tribunal e demais instituições sociais.

Para serviços/ funções que só façam sentido haver poucas instâncias (e.g. 1), estas serão distribuídas pelos nós de forma equilibrada e equitativa por forma a dinamizar cada um dos nós.

# Máxima transparência - accountability (princípio de auto-organização)
Cada instituição política, administrativa ou empresa social (educação, saúde, justiça), independente da sua propriedade, tem que fazer account público das suas transações (internet).

# Máxima confiança
Todas as políticas e programas são construídos no pressuposto da adopção adequada de cada cidadão; a prevericação dileberada faz cadudar o direito e deverá ter punição exemplar, para além de outras responsabilidade que possam ser imputadas - deliberado por tribunal.

# Separação de estado
No desenho há que garantir a separação de poderes do estado (político, judicial, adminsitrativo) bem como da religião e demais organizações.

# Partidos políticos
Os partidos políticos devem ter uma organização local (20 nós) com uma estrutura nacional a emergir destes e seguir os mesmos princípios de auto-organização e transparência exigidos as outras instituições. A accountability é obrigatória.
Devem ser democraticos a todos os níveis, garantindo que todo e qualquer orgão ou nomeação é feita por eleição interna dos seus membros.

# Segurança Interna
Segurança Interna garantia pela existência de uma única força de segurança pública, Policia, com gestão centrada nos 20 nós e um forúm nacional de articulação que emerge dos 20 locais.

# Negócios estrangeiros
Promoção de um serviço de negócios estrageiros europeu com a responsabilidade da representação da europa e de portugal no mundo - negócios estrangeiros portugueses seriam integrados nos europeus, ficando assegurado que determinados postos devem ser assegurados por portugueses e em outros postos haver representantes portugueses (e.g. modelo de colégio de embaixadores).

# Serviços de Informações
Promoção de um serviço de informações europeu com a responsabilidade das informações no espaço europeu e português - serviços portugueses seriam integrados no serviço de informações europeu.

# Forças Armadas
Promoção de umas forças armadas europeias (comunidade europeia) com a responsabilidade da defesa das fronteiras europeias e portuguesas - forças armadas portuguesas seriam integradas nas forças armadas europeias.

# Acesso ao conhecimento (infra-estrutura)
Garantir que todos as pessoas na esfera deste sistema de gestão tem acesso as plataformas públicas eletrónicas e formas de o fazer (soft e hard skills). É do âmbito do forúm de digitalização da sociedade.

# Votação pública
Sistema de votação electrónico público que pode ser utilizado por qualquer cidadão ou instituição, para actos de votação e inquérito. É do âmbito do forúm de digitalização da sociedade.

# Sistema de gestão de conhecimento público
Sistema de gestão de conhecimento de comunidades, público, que procurar estruturar a colaboração e cooperação colectiva. Deverá incluir mercados de ideias. Pode ser usado por qualquer cidadão ou instituição. É do âmbito do forúm de digitalização da sociedade.

# Modelo de organização Open
Organização aberta, colaborativa com todo o desenho público, incluindo sistemas e tecnologias de informação. É do âmbito do forúm de digitalização da sociedade

# Financiamento
Reorientação dos investimentos e programas existentes. Redução do peso do estado. Se necessário venda de ouro. Privatização. Programas Europeus. Fundos privados. Impostos. Poupança.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Protesto de 12.Março

Nas últimas semanas tem-me chegado vários ecos deste fantástico grito do ipiranga da nova geração, o grito da sua emancipação.

Em conjunto com alguns amigos, temos reflectido sobre os significados, pressupostos e consequências deste 'grito'. Este post é uma síntese dessa reflexão e, também, um 'movement' (a lá green hat do edward de bono).

Na reflexão, vou utilizar o framework disponibilizado pelo MOVIMENTO manifesto.

O 'grito' surge na sequência de um choque de valores entre os tradicionais (Expansão , Competição, Quantitativo, Dominação) e os que emergem (Conservação, Cooperação, Qualitativo, Parceria). Quer ao nível individual, quer ao nível colectivo, ainda não sabemos balancear bem os conjuntos de valores. Claramente a geração dos avós, usou os tradicionais; a dos país já um hibrido, mas de forma inconsciente, o que a maior parte das vezes se traduzia em incomodo, sensação que algo não estava bem... falta de sincronismo (a este proposito vale a pena ver o TED do Steven Strogatz)!

Este protesto mostra que os novos valores estão em cima da mesa e que a nova geração manipula bem os novos instrumentos: usou a mediação tecnológica (telemóvel com os sms, emails, www, ... as redes sociais e as suas tools como o facebook, blogs, ...) para juntar/ federar os individuos, fazendo a partilha de informação que possibilida a cada um dos individuos fazer o sensemaking e a respetiva 'computação' - computação cognitiva humana. Os instrumentos utilizados (e.g. manifesto) e o seu conteúdo, mostram uma ética, bem como a forma como a reflexão se esta a fazer, mediada pela tecnologia numa base ética subjacente, que regula o que vai para o digital (internet), é computado na internet e volta aos individuos, já amplificado.

Este é o mecanismo das MOBs. A este propósito vale a pena ver os TEDs do Clay Shirky.

Neste contexto sou particularmente sensível ao 'grito' e vejo com uma emancipação desta geração.
Sinto os valores subjacentes (cooperação, parceria, qualitativo) e os instrumentos que utilizaram (mediação tecnologica, computação cognitiva humana), mostrando que o 'novo' (e.g. facebook) é integrado com o 'menos novo' (e.g. manifesto).
Gosto desta energia!

Dois pontos me parecem merecer mais atenção/ reflexão. Digamos que é o ponto de oportunidade para aprofundar a reflexão.

O conteúdo e a forma de protesto.

O conteúdo, que simplifico dizendo "por favor, deixem-nos entrar no sistema", mostra falta de sincronismo, mostra que a forma de pensar é muito Racional, Análica, reducionista, Linear. Vale a pena perceber como pode o pensamento Intuitivo, Síntetico, Holístico e Não linear ser colocado ao serviço desta causa, mudando o paradigma para "que excelente oportunidade! que fantastica energia! nos podemos mudar o sistema! e as ideias são: - "!

Ainda uma nota sobre o 'papão' dos cérebros protugueses que saiem do país: "como podemos ter uma diaspora que seja portuguesa se não vemos que saiam portugueses e que vão trabalhar para os outros países, que constituam familias lá e vivam lá ? Como teriamos o António Damásio ? Como poderia a Ydreams entrar no mercado Americano ? Como poderia São Paulo ser dominado pelas padarias de portugueses ?"

Acho que há duas linhas de pensamento que devemos equacionar e, não ter medo:
- como ganhamos todos, individualmente e colectivamente, com os portugues que estão a sair, que já sairam, e que vão continuar a sair ?
- como chamamos outros, portugueses ou não, para se juntar a nós, partilhar este sol, povo, comida, ... e ajudar a criar novo conhecimento e com ele novas oportunidades ?
- é de rede que falamos e nesse sentido, em ambas as direcções construimos novas redes.

A forma de protesto é muito tradicionalista, a fazer lembrar outros 'manifestos' e outras 'amanhãs que cantam' e pouco 'lateral thinking'; mostra que há trabalho a fazer na forma de pensar e que o pensamento inovador e criativo ainda não esta dissemidado pela geração. Porque não uma mob na praça do comercio, ou uma guerra de almofadas ?

Dito isto, gosto desta energia e tudo o que ela significa. Estamos em evolução, a tensão de valores já é evidente. É tempo da acção, da acção que fará emergir os novos valores.

Porque não, no dia 12.Março, colocar um ecrã gigante na praçado comercio e fazer uma sessão colectiva de TEDs, ou de visionamento do filme 'Como Treinar o teu Dragão', fazendo ao mesmo tempo uma reflecão nas redes sociais (twitter, facebbok, ...) do que quer dizer 'Hiccup se sentir viking, mas não ver matar dragões como solução' e 'o pai dele não o ver como um viking' e 'o Hiccup achar que que o conhecimento que os Vikings tem dos dragões está imcompleto', ...

Vejo este protesto como os amigos do Hiccup; sabem que ele é diferente, mas não percebem o que ele esta a fazer, mas, com o devido contexto, são os primeiros a aderir e a compreender a mudança de modelos e perspectivas.

Não é tarde para uma nova marca geracional a 12 de Março!


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sábado, 26 de fevereiro de 2011

Livros para miúdos e graúdos

[Miúdos]



[Pares de] Livros para miúdos e graúdos

Com as minhas leituras e com as leituras dos meus filhos, tenho visto que determinados temas são tratados tanto para a geração dos pais (graúdos) tanto para a geração dos filhos (miúdos).

Deste modo, podemos comprar livros aos pares, que trabalham as mesmas temáticas para pais e filhos.

Num ignite #8, Margarida Branco, apresentou o tema Ler por aí, onde sugeria outro par: livro - local.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

MOVIMENTO manifesto * Janeiro de 2011



Recomendo vivamente a leitura deste manifesto.
MOVIMENTO manifesto * Janeiro de 2011


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Manifesto ‘Movimento’
1º Draft por Marco de Abreu * Janeiro de 2011

Para todo o lado que ‘olhamos’ - um olhar com todos os sentidos - vemos, melhor dizendo, sentimos que ‘algo tem de ser feito’. Há uma sensação no ar que ‘não estamos bem’, que vamos ter que ‘fazer qualquer coisa’, que a ‘coisa mudou’. Pela ‘coisa’ podemos estar a falar da nossa empresa (cada um que escolha a sua), comunidade (e.g. aldeia, cidade), país (e.g. Portugal), espaço económico (e.g. Comunidade Europeia), planeta (e.g. Terra). Os sintomas são mais que muitos, parece que não há dinheiro que chegue, recursos naturais que cheguem, há crises do clima, financeiras, agrícolas, florestais, políticas, há catastrofes naturais, ...

Uns pressagiam revoluções, outros anseiam por um salvador, muitos baixam a cabeça, muitos arregaçam as mangas e ‘fazem algo’, muitos olham a volta e procuram pistas, sinais, procuram descodificar o que se passa de mil e uma maneiras (e.g. mudam de emprego, procuram sentido, mudam de vida, emigram, ajudam os outros).

Ao mesmo tempo sentimos que, o que sabemos já não é suficiente, já não resolve os problemas, não explica as 'coisas', mas não sabemos fazer de outra maneira, aparentemente não temos soluções novas, não temos explicações novas. Temos dificuldade em racionalizar a ‘coisa’, não conseguimos medir, quando mais separamos, supostamente para entender, menos entendemos e o que sempre foi linear, deterministico, que funcionava como uma máquina, dizem os mais velhos, deixou de funcionar, parece ‘coisa do diabo’, seja ‘o diabo’ os políticos da altura, os gestores do momento, a religião do outro, o sistema político do outro, o do outro lado aposto ao meu) - o mal esta sempre fora de mim, no outro, como não pode deixar de ser quando nós não nos entendemos, estamos confusos, não sabemos o que fazer e, claro está não podemos ser a causa de...

Mas algo não esta bem! Sentimos isso! Sentimos que temos que mudar! Sentimos que está a mudar! Como se explica esta coisa de sentirmos que não está bem e não sabermos o que não esta bem ? Como se pode fazer de outra maneira ? Voto em quem ?

O nosso sentir é químico, atómico, vem do ambiente com o qual estamos em permanente interacção, numa dança eterna. O nosso entender emerge da vida, da consciência que o nosso cérebro faz surgir. Desta consciência resulta o acto de conhecer - o que sabe um homem de si ?  Entendemos o mundo com as representações (modelos) que o nosso cérebro faz a partir do que sentimos, este sentir com todos os sentidos. O nosso entendimento é sim limitado por nós próprios e o conhecimento subjectivo. Acresce que comunicamos com linguagem (mais modelos).

E que modelos são esses ? São modelos incutidos por educação, por cultura, por instrução, por socialização, … modelos que nos fazem acreditar numa forma de organizar as sociedades, a todos os níveis, onde uns fazem e outros pensam, organizam... os que fazem não se preocupam, pois os que pensam vão pensar numa solução; modelos que nos fazem acreditar que tudo pode ser entendido pelas partes que constituem o todo, que se funciona aqui então podemos extrapolar que vai funcionar acolá; modelos que nos dizem que os seres humanos podem ser classificados em torno de propriedades suas como raça, idade, sexo, local de nascimento, posses económicas, …

Os modelos são excelentes, mas são modelos. Tem as suas fronteiras, os seus domínios de aplicação. Precisamos ter a consciência da natureza do modelo. Podemos saber muitos ou apenas 1, é irrelevante, desde que saibamos sempre que há um limite para cada um desses modelos e que pode haver outros modelos alternativos (podemos só saber uma lingua, o que não nos deve levar a concluir que quem fala uma língua diferente da nossa não comunica).

Estamos confusos, pois a análise que estamos a fazer com os modelos que temos não esta a explicar o que vemos. Estamos confusos pois os modelos que temos estão a conduzirmos para acções que, em vez de melhorar, a maior parte das vezes piora, muitas vezes melhorando no curto-prazo primeiro.

Precisamos de novos modelos! Vamos ter que esperar que eles possam ser criados ? E quem os vai criar ?

Nós. Todos os que decidirem agir. Todos os que já decidiram agir. Todos os que tem noção das limitações dos modelos. Todos os que já sabem, mesmo que não saibam explicar, que é na nossa capacidade de aprender que reside a solução. A nossa capacidade de aprender é nativa, está embebida em nós e impele-nos para a interacção com o ambiente. O movimento já esta em curso.

Movimento !? Que movimento ?

O movimento que entende o Homem por inteiro e não faz qualquer tipo de segregação em virtude de atributos, propriedades, sejam elas de que natureza forem (e.g. biológica, cultural, económica). Cada Homem tem uma história única que lhe confere um valor cognitivo único. Uma capacidade única de ver o mundo, de o entender. Há pouco mais de cem anos, as ciências humanas viam os homens como sendo civilizados ou não civilizados e uns ‘mereciam’ mais do que os outros, eram superiores, nas variáveis interessantes de análise. Ver o Homem por inteiro acarreta desde logo duas consequências: todos os Homens são capazes de ‘computar’ (no sentido lato, no sentido orgânico, como faz um formigueiro ou um cérebro humano) informação que a consigam entender; todos os Homens são capazes de aprender novas maneiras de entender a informação. Este Homem tem vontade e livre arbitrio.

- Cada Homem tem uma ‘computação’ única, resultante da sua história única, da forma como sentiu o mundo desde a sua concepção e da interacção que está a desenvolver com o seu ambiente.

- Cada Homem apreende o mundo a um ritmo diferente, de acordo com a sua estrutura biologica e com a sua experiência acumulada de interacção com ambiente (desde química, biologica até à social e espiritual).

- Cada Homem tem a capacidade de tomar as suas decisões, em função da informação disponível e da ‘computação’ que faz em cada momento. Vê o erro não como um fim, mas como um meio, um indicador da sua aprendizagem.

- O potencial de cada Homem só estará assegurado se estiverem asseguradas direitos fundamentais que tornem a sua escolha livre (e.g. direito a vida, livre expressão).


Não somos todos iguais. Somos todos diferentes! Sabemos fazer coisas diferentes. Gostamos de coisas diferentes. Somos formados por átomos diferentes. Temos histórias diferentes. Temos memórias diferentes. Somos únicos.

O movimento que entende que a mudança pode ser desenhada e que não adia soluções em virtude do nível de informação disponível em cada Homem. Se cada Homem é capaz de ‘computar’ informação a pergunta é como posso fazer chegar a informação a cada Homem para ele o computar ? Se ele só fala em Português tenho que a traduzir, se ele não tem computador, tenho que ter um mediador, se não sabe ler tenho que lhe ler, … Se cada Homem é capaz de aprender novas maneiras de entender a informação a pergunta é como posso despertar essa aprendizagem ? A resposta é desenhando. Não aceitando impossibilidades. Não excluindo. Incluindo, considerando todos e desenhando para todos, um a um. Desenhando com todos. Vendo a falha e o erro como informação que me permite fazer uma nova versão melhorada.

- Para se realizar uma «acção» que necessita de um grupo de Homens para se atingir, é necessário que o grupo queira fazer essa «acção».

- O melhor sítio para controlar uma «acção» é no ‘local’ onde a «acção» acontece.

- Quando mais informação, sobre aspectos que afectam os resultados de uma «acção», for facultada aos Homens que executam a «acção», melhores decisões irão tomar para garantir o sucesso da «acção».

- Quando o Homem é envolvido na decisão de como fazer uma «acção», mais comprometido estará com o conseguir fazer a «acção».


Não temos que esperar uma geração para mudar. A mudança é presente com todos os Homens, únicos, que temos, respeitando o tempo que cada um leva para mudar, i.e., aprender a ver a informação de outra maneira e disponibilizando a informação necessária para a computação. Só eu posso mudar a mim próprio. Desenho o contexto em que a mudança - aprendizagem - se faz.

Resumo os dois Princípios do Movimento:
- Homem por inteiro
- Mudança ‘by design’


Com estes príncipios, onde outros vêm um fim, nós vemos um contínuo. Onde outros vêm uma impossibilidade, nós vemos novas possibilidades. Onde outros vêm problemas, nós vemos novas soluções.

Que entusiasmo! Cada Homem é um átomo capaz de formar um Universo e a sua multiplicidade. Cada Homem é uma bactéria capaz de gerar a Vida e a sua multiplicidade. Cada Homem é um neurónio capaz de gerar consciência e a sua riqueza.

A força do indivíduo. Do UM. Micro.

São precisos muitos UMs para que as comunidades se organizem. Como se regem essas interacções que geram semelhante diversidade e complexidade ?

O movimento rege-se por um conjunto de valores capazes de gerar novos «padrões de acção», novos resultados. Estes valores não eliminam antigos valores, antes permitem novas combinações que nos ajudam a ter um melhor discernimento sobre o que nos rodeia e a explorar novas alternativas.

Os valores que vem dominando a «acção», ao longo de séculos, procuram dominar o outro, submeter à vontade de uma maioria, de uma minoria, de uma classe, de uma etnia, de uma religião, … procuram quantidades, tudo se mede e só o que se mede se gere, o que se conhece e é explícito, compete-se por recursos, por ganhar, por ser melhor do que o outro, estar a frente do outro, num movimento expansionista de recursos infinitos. Daqui resultam determinadas formas de vermos os Homens e a sua «acção», bem como da forma como esta «acção» se organiza. O Homem é visto em torno dos atributos de poder e as organizações são desenhadas para gerir o poder. As hierarquias são as formas organizacionais que estão presentes nestes «padrões de acção». A máquina!

Estes valores são valores importantes que nos trouxeram até ao momento presente e que conseguiram gerar prosperidade para o maior número de Homens até ao momento. Mas todos sentimos que, tendo sido bons, não nos estão a ajudar a entender o presente e a desenhar para o futuro. Precisamos de combinar estes valores com outras perspectivas. Não eliminar valores, antes combinar, balancear com outros valores que possam gerar novos entendimentos, novas soluções.

Precisamos de interacções que considerem finitos os recursos e que possam ser mais orientadas à sua conservação, balanceando as perspectivas expansionistas que temos seguido. Significa que temos que abandonar o conhecimento que geramos ? Não. Significa antes que em vez de fazermos sempre novo papel, podemos criar novas perspectivas de reutilizar papel, combinando assim duas perspectivas em movimentos de contínuo ajuste.

Precisamos de interacções que sejam mais orientadas à cooperação e que reconheçam que há outras formas de ganhar. O equilíbrio da competição com a cooperação permitirá novas formas de interação que potenciem o conhecimento Humano. Que cada Homem seja excelente, o melhor que conheçemos. Não queiramos a mediocridade nivelada! Antes a excelência de cada indivíduo. Mas que haja nova cooperação que permita novos empreendimentos Humanos (as ‘wikipedias’ do futuro).

Precisamos de interações que envolvam o que se conhece, o que se mede, com o que não se conhece, com o que se presente, com que apenas se qualifica. Onde o tácito se mistura com o explicíto, o formal com o informal, gerando novo entendimento. Como posso medir o amor e o odio ?

Precisamos de interacções que mudem o enfoque do poder; que passem da dominação para a parceria, para a colaboração consentida e desejada. Procuremos o que motiva cada Homem e os faz quer estar juntos, querer empreender juntos nas novas fronteiras da Humanidade. São as redes, as formas de organização que emergem destes novos valores. A ecologia (vida, orgânica)!

O movimento utiliza  formas de pensamento capazes de mostar outras vias, analisar outras alternativas, considerar outras perspectivas. As estruturas sociais fomentam determinadas formas de pensar. A uniformização destas formas de pensamento acarreta uma limitação generalizada e paralisante, quando somos sujeitos a desafios para os quais não estavamos preparados para responder. Nos últimos séculos desenvolvemos formas de pensar que permitiram levar a Humanidade a ter o maior nível de progresso material, social, intelectual e espiritual. Mas os tempos actuais, convocam-nos para desafios de uma dimensão e escala que não conheciamos.

A forma de pensar que está generalizada, foca-se no racional, na análise, em reduzir e em linearizar. A máquina que processa informação!

Precisamos de interacções capazes de lidar com a razão e com os mecanismos da razão (como a lógica) mas que sejam balanceados com o intuitivo, com os sentimentos, o que se sente e não se explica, a emoção.

Precisamos de interacções capazes de fazer análise, da caracterização analitica mas que sejam balanceadas com a síntese. Uma síntese que considere perspectivas diferentes, como a científica, filosófica, artística ou espiritual.

Precisamos de interacções capazes de reduzir e analisar as partes, compreender os constituintes mas que compreendam a suas limitações, que compreendam que das partes emerge um todo, que só pode ser apreendido com perspectivas integradoras, holísticas.

Precisamos de interações capazes de linearizar (número reduzido de variáveis), de simplificar de criar modelos utilizáveis em contextos bem precisos, mas que compreendam que o número de variáveis é infinito e que há mais um modelo à espreita, uma nova perspectiva, uma nova forma de combinar o conhecimento produzindo novas interpretações e consequências.

Precisamos de interacções que ao gerarem novas combinações de formas de pensar, gerem modelos com outras características que permitam novas interpretações e novos «padrões de acção». Que combinem o conhecimento Humano de forma diferente e que ao faze-lo, gerem novo conhecimento. A ecologia que 'computa' informação.

Resumo as duas Forças do Movimento:

- Valores:
... Expansão balanceado com Conservação
... Competição balanceado com Cooperação
... Quantitativo balanceado com Qualitativo
... Dominação balanceado com Parceria

- Forma de pensar:
... Racional balanceado com Intuitivo
... Análise balanceado com Sintese
... Reducionismo balanceado com Holístico
... Linear balanceado com Não linear


Com estes princípios e forças, cremos criar novos modelos com que podemos fazer sentido do mundo a nossa volta e reflectir sobre novas interpretações, novas soluções, novas propostas para organizar as sociedades. Vemos o movimento como integrando! Integrando pessoas, perspectivas, modelos, conhecimento. Integrando hierarquias e redes. Intenção e emergência. Vamos dizer que partilhamos uma epistemologia comum, a da complexidade (ciências da complexidade).

Que entusiasmo! Cada Homem está inserido num TODO que o potencia, que amplifica a sua história de interacções, i.e., o que sabe fazer, que a combina com o que o Outro sabe fazer e pode combinar com tudo o resto. o UM gera o TODO em movimentos perpétuos de amplificação e significado.

Força do colectivo. TODO. Macro.

Que indivíduos são esses com semelhantes poderes ? Como os encontramos ?

O movimento é formado por pessoas de hoje, com toda a sua história de interacções químicas, biológicas, sociais, culturais, … que segundo alguns modelos podem ser boas ou más (ou qualquer outra coisa pelo meio), cientistas, artistas, técnicos, gestores, …, competentes ou incompetentes, participativos ou não participativos, licenciados ou não, novos, velhos, com religião ou sem ela, de uma raça ou de outra, de um género ou de outro, … Por outras palavras de Homens, como cada um de nós, vivos e com liberdade de escolha.

Estes indivíduos, livres, que partilham esta perplexidade comum pelo Universo e o veêm como complexo e bonito. São indivíduos que tem interesses e os manifestam de forma clara, procurando equilibra a sua acção nos seguintes vectores:

- Precisam ganhar dinheiro para assegurar uma boa vida (económico)

- Gostam de aprender e encarar a aprendizagem como a sua natureza (aprendizagem)

- Gostam do que fazem e querem fazer o que gostam (motivação)

- Sentem-se parte de um todo e querem contribuir para o todo, para o outro (cidadania)


Eu! O Movimento!

Este movimento é um movimento de aprendizagem, num sentido profundo. Uma aprendizagem que evoluiu ao longo de milhões de anos, gerou toda a vida e a complexidade do nosso Universo. Uma aprendizagem que ganhou na consciência humana uma dimensão nova - o que sabe um Homem de si ? - e que está a construir uma consciência do TODO - o que sabe a Humanidade de si ?

Uma aprendizagem que é como uma boneca russa, por dentro, tem outra aprendizagem, infinitamente pequena. E passível de fazer parte de uma boneca maior. É esse maior que estamos a construir, cada vez de forma mais consciente.

Nós! o Movimento!

Este movimento utiliza três blocos constituintes que manipula a seu gosto para induzir compreensão e acção.

Um elemento que permite fazer uso do poder de cada Homem e que designamos a computação cognitiva humana. A “inteligência colectiva”. O “cognitive surplus”. Esse exercício sublime de cada Homem, que com a sua história única, capta informação com todo o seu ser e ‘computa’ de forma única, sendo capaz de articular o resultado em linguagem, logo comunicar.

Um elemento de mediação, que une (potencialmente) todos os Homens. Uma mediação tecnológica (e.g. internet). O fazer chegar da informação, levar a informação em contexto, embebendo no seu contexto a organização. Esta mediação potencia a computação cognitiva humana e permite movimentos de amplificação de conhecimento, energia e acelaração de mudança - aprendizagem.

Um elemento de regulação ética. Uma ética do Homem por inteiro. Uma ética dos direitos do Homem. Uma ética de um Planeta por inteiro. Uma ética dos direitos do Planeta.

Movimento, movimento, …Vamos lá saber: Para quê ?

Para intervir! Para acção! Para federar Homens que sintam que tem de agir. Homens que sozinhos estão apagadas, mas que se iluminam na presença de outros Homens.

O movimento quer intervir. Intervir, unindo, integrando saberes e pessoas.

Quer ter uma intervenção cívica que permita anunciar a ‘boa nova’ e garantir o acesso de TODOS. Ciclo imparável de Partilhar conhecimento - Recolher conhecimento. Garantia das condições de acesso ao conhecimento.

Quer ter uma intervenção económica, que explore novos modelos e permita criar entidades económicas viáveis e transformadoras, potenciadoras de uma nova ética de valor.

Quer ter uma intervenção artística que explore estes novos mundos e nos ajude a todos sentir o que não conseguimos entender.

Quer ter uma intervenção científica que permita usar os métodos científicos para explorar estes modelos e gera conhecimento.

Quer ter uma intervenção filosófica que desafie as fronteiras desta epistemologia e expecule sobre as fronteiras da ciência, arte e outras formas de intervenção.

Quer ter uma intervenção espiritual que continue a elevar o espírito Humano.

Quer ter uma intervenção multidisciplinar que cruze espaços, áreas de saber, outras áreas de intervenção, que procure alargar as fronteiras de conhecimento do homem.

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MOVIMENTO manifest
1º Draft by Marco de Abreu, January, 2011

Everywhere we ‘look’ – a ‘look’ with all the senses – we see, better saying, we feel, that ‘something has to be done’. It’s on the air that ‘we are not well’, that we will have to ‘do something’, that ‘something has changed’. By ‘something’ we could mean our company, community (e.g. city, county), country, region (e.g. Europe, North America) or planet (e.g. Earth). The symptoms are all around, there’s not enough money, not enough natural resources, we have a crisis in the weather, the economy, agriculture, forests, politics, natural catastrophes, …

Some portend revolutions, others look for a savior, many give up, some roll up their sleeves and ‘do something’, many look around for signals, cues, they try to figure what is happening in many ways (e.g. change jobs, look for meaning, change life, immigrate, help others).

At the same time, we feel that, what we know is not enough anymore, it does not solve the problems, does not explain “things”, but we don’t know any better, apparently we don’t have new solutions, new explanations. We have a hard time rationalizing “the thing”, we can’t measure it and the more we divide it (to better compreend) the less we understand. What has always been linear, deterministic, worked as a machine (so say the elders) is not working anymore. And we keep pointing fingers, to the politicians, the managers, the religions of others, the political system of others…always looking outside, always seeing the bad in others but never inside ourselves, a tipical reaction when we are confused, don’t know what to do and, of course, “we can’t be the cause ourselves”.

But something is wrong! We feel it! We feel that we need to change! We feel that is changing! How to explain this feeling that something is wrong but we can´t say what this something is ? How can we do different ? Vote for who ?

Our feel is chemical, atomic, comes from the environment with which we are in permanent interaction, in an eternal dance. Our understanding emerges from life, from the consciousness that our brain make arise. From this consciousness results the act of knowing – what knows a man from himself ? We make sense of the world with representations (models) that our brain produces from what we feel, a feeling with all the senses. Our understanding is therefore limited by ourselves and the knowing subjective. In addition we communicate with language (more models).

And these models, what are they ? These models are entangled in us by education, culture, socialization, … they make us believe in a way of organizing societies, in all levels, where ones “think” and others “execute”, organize…. the ones that “execute” don’t care, because the ones that think will figure a way out; models that make us believe that we can understand the ‘WHOLE’ because we understand the ‘parts’; if it works here, we extrapolate, then it will work there; models that allow human beings to be classified around their properties like race, age, gender, place of birth, economic wealth, …

Models are excellent, but they are just models. They have their boundaries, their domain of application. We need to be aware of the model. We could know many models or just one, it’s irrelevant, since we know that models have a limited scope and that may exist alternative models (we could know only one language but we can't assume that the one that talks another language doesn’t know how to communicate).

We are confused because the analysis that we are making with the models we have, does not explain what we see. We are confused because the models we have trigger actions that, instead of getting better, most times gets worst, sometimes getting better in the short run, first.
We need new models! Will we have to wait for these models to be created? And who will create them ?

We. The ones that decided to act. The ones that already figured out the limitation of the models. The ones that know that the solution is in our learning capability, even if they don’t know how to explain. Our capability of learning is native, is embedded in our self and it forces us to interact with our enviroment. The MOVIMENTO has started.

MOVIMENTO !? What MOVIMENTO ?

The MOVIMENTO understands the person as oneness and doesn’t segregate anyone based in attribute or property, independent of their nature (e.g. biological, cultural, economical). Each person has a unique history that gives her an unique cognitive value. An unique hability of seeing the world, of understanding the life. The social sciences saw the human beings as civilized or not civilized, no more than a century ago, and some ones ‘deserved’ more than others, were superior, in the most interesting variables of analysis. Seeing the oneness of the human beings has two consequences: every person is capable of ‘computing’ information she understands (in wider sense, in an organic sense, like the ‘computation’ of a anthill or the human brain); every person is able to learn new ways of understanding the information. This person has determination and free will.

Each person has a unique ‘computation’ as a result of their unique history, from the way she has felt the world since their conception and the interaction she is developing with their environment.
Each person seizes the world in different rhythms, as result of their biologic structure and their sum of all experiences of the interactions with the environment (from chemical to biologic, social and spiritual).
Each person has de ability to make their decisions with the information available and with the their ‘computation’, each time. Sees the error as means, not an end, an indicator of their learning.

The full potential of each person needs that fundamental rights be assured, to assure their free choice (e.g. life right, free speech).

We are not equal. We are all different!

We know different things. We like different things. We are composed by differrent atoms. We have different histories. We have different memories. We are unique.

The MOVIMENTO understands the change by design and don’t postpone solutions depending on the information available in each person. If each person is able to ‘compute’ information, the question is how to deliver information to each person for their ‘computation’ ? If one only understands portuguese i have to translate the information, i have to be a mediator; if one don’t know how to read i have to design for… If each person is able to learn new ways of understanding the information, the question is how can i trigger that learning ? The answer is ‘design to’. Rejecting impossibilities. Not excluding. Including and considering all, designing for all, one by one. Designing with all. Seeing the fault and error as information that allows new iteration, a better new version.

- To successfully get some «action» done that requires a group to do, the whole group must want to get the same «action» done

- The best place to control «action» is where that «action» takes place

- The more information people are given about things that affect getting results, the more they will work to reach those results

- People given the chance to help decide how to get an «action» done will then want to get it done

We do not have to wait a generation to change. The chande is present, with all the (unique) persons we have, respecting the time needed for each one to change, i.e., learning to understand the information in another way and make the information available for ‘computation’. I’m the only one that can change my self. We can only design the context where the change – learning – happens.

Summary of MOVIMENTO’s core principles:
- Person as oneness
- Change by design

With these principles, where some see an end, we saw a continuous flow. Where some see an impossibility, we saw new possibilities. Where some see problems, we saw solutions.

What a thrill! Each person is an atom, able of forming an Universe and their multiplicity. Each person is a bacteria, able of create the Life and their multiplicity. Each person is a neuron, able of create consciousness and their fulness.

The strength of the individual. From ONE. Micro.

We need so many ONEs for organizing communities. What governs this interations that create such diversity and complexity ?

The MOVIMENTO is governed by a set of values that are able of create new «patterns of action», new results. These values don’t substitute old values, rather allow new combinations that help us to have more insight about what surround us and to explore new ways.

The values that have been dominating the «action», for centuries, seek to subjugate the other, submit to the will of a majority, a social class, a ethnic group, a religion, … seek quantities, everything is measured and we only manage what is measured, what is known, what is explicit, we fight for resources, for winning, for being better than the other, being ahead of the other, in an expansionist movement of unlimited resources. This leads to certain models of seeing the humanity and their «action» as well the way that «action» is organized. The persons are considered around attributes of power and the organizations are designed to manage the power. The hierarchies are the structures that are in this «patterns of action». The machine!

These values are important. They bring us to the present and have a record of prosperity for a lot of people, the highest ever. But we all feel that they are not enough to understand the present and design the future. We need to combine this values with other values. Instead of eliminate values, we need to balance with other values that can create new understanding, new solutions.

We need interactions that assume resources are finite and are designed to conserve them, balancing the expansionist perspectives that has been followed until now. Does this means that we need to leave all the knowledge created until now ? No. It means that instead of always making new paper we can start using recycling, combining two different perspectives in a movement of continuous adjustment.

We need interactions more oriented to cooperation and that acknowledge that there are several ways of winning. The balance between competition and cooperation will create new interations that take advantage of the human knowledge. May every person be excelent, the best. We do not want mediocrity standardized, instead the excellence of each person. But with new cooperation that allows new human ventures (the future ‘wikipedia’s).

We need interactions that involve what we know, what is measured, with what we don’t know, with what we feeling, with what is qualified. Where the tacit is combined with the explicit, the formal with the informal, creating a new understanding. How can we measure love and hate ?

We need interactions that change the focus of power; from domination to partnership, to a consent and desired collaboration. We need to seek what motivates each person, what makes people get together and endeavor in the new frontiers of mankind. The networks are the new way of organizing that emerge from th values. The ecology (life, organic)!

The MOVIMENTO has ways of thinking that are able to consider other perspectives, other ways, to analyse other alternatives. The social structures encourage some kinds of thinking. When we are subjected to new challenges, the standardization of thinking freezes us all.

In the last centuries we developed ways of thinking that took the mankind to the higest level of progress ever: material progress, social progress, intellectual progress, spiritual progress. But the in the present the challenges are huge and with a scale of magnitude we did not expect and never saw.

The generalized ways of thinking focus on the rational, the analysis, reductionist and linear. The information processing machine!

We need interactions that are able of dealing with the rational and with the mechanisms of reason (like logic) but that are balanced with the intuitive, with feelings, with what we feel and can’t be explained, with the emotions.

We need interactions that are able of making analysis, of analytic characterization, but balanced with synthesis. A multidisciplinary synthesis that contemplates different perspectives like the scientific, philosophical, artistic or spiritual.

We need interactions that are able of dividing in parts, reducing, and make analysis to understand the parts. But are aware of the limitations of reducing. That acknowledge the ‘WHOLE’ emerges from the ‘parts’ and can be apprehended only with holistic and integral perspectives.

We need interactions that are able to linearize (few variables), that simplify, that create models for precise contexts. But also understand that the variables are infinite and that another model is waiting around the corner, a new perspective, a new way of combining the knowledge, creating new interpretations and consequences.

We need interactions that create new ways of thinking for the creation of new models, with differente properties, that allow new interpretation and new «patterns of action». Models that combine the knowledge of mankind in a different way and in the process, create new knowledge. The ecology that ‘computes’ information.

Summary of MOVIMENTO’s forces:

- Values:
... Expansion balanced with Conservation
... Competition balanced with Cooperation
... Quantity balanced with Quality
... Domination balanced with Partnership

- Thinking:
... Rational balanced with Intuitive
... Analysis balanced with Synthesis
... Reductionist balanced with Holistic
... Linear balanced with nonlinear

With this principles and forces, we believe we can create new models to make sense of the world around us, to reflect about new interpretations, new solutions new proposals for organizing societies. We see the MOVIMENTO as integration! Integration of people, perspectives, models, knowledge. Integration of hierarchies and networks. Intention and emergence. We shall say that we share the same epistemology, the complexity one (complexity science).

What a thrill! Each person is in an WHOLE that empowers her, that amplifies her history of interactions, i.e., what she know is combined with what the other knows and combined with all the rest. The ONE creates the WHOLE in perpetual MOVIMENTOs of amplification and meaning.
The strength of the collective. WHOLE. Macro.

Who are the individuals with these powers? How do we find them?

The MOVIMENTO is shaped by people of the present, with their history of interactions (chemical, biological, social, cultural, …), people that, according to some models, could be good or evil (or something in the middle), scientists, artists, technicians, managers, …, competent or incompetent, participatory or non participatory, with a degree or not, young, old, with or without religion, from one race or another, from a gender or another, …in another words, people, like each of us, living and with freedom of choice.

These free persons see the universe as complex and beautiful, and share the same perplexity of Universe. They have needs and they clearly manifest them, trying to balance their actions in the following vectors:

- The need make money to assure a good life (economic)

- They love to learn and learning is their nature (learning)

- They enjoy what they do and want to do what they enjoy (motivation)

- They belong to an WHOLE and want to contribute to that WHOLE and to the other (citizenship)

Me! The MOVIMENTO!

This MOVIMENTO is a MOVIMENTO of learning, in a deep sense. A learning that evolved along million years, creating all the life and the complexity of our Universe. A learning that stepped to a new dimension, with the human consciousness – what knows a person about herself ? – and is building a consciousness of the WHOLE – what knows the mankind about herself ?

A learning that is like a Russian doll, inside has another learning, infinitely small. And also, belongs to a bigger doll. This is the ‘bigger’ that we are building, and each time more conscious about the process.
We! The MOVIMENTO!

This MOVIMENTO uses 3 building blocks that handles in certain ways, to trigger understanding and action.

An element that empowers each person, a human cognitive computing. The “collective intelligence”. The “cognitive surplus”. This sublime exercise of each man, that with his unique history, collect information with his being (mind and body) and ‘computes’ in a unique way, being able of articulate the result in language, and therefore communicate.

An element of mediation, that joins (potentially) all persons. A technological mediation (e.g. internet). Delivers the information, takes the information on context and embeds their organization in the context.This mediation potentiates the human cognitive computing and allows amplification movements of knowledge, energy and acceleration of transformation – learning.

An element of ethical regulation. An ethics of the person as oneness. An ethics of the human rights. An ethics of a Planet as oneness. An ethics of the Planet’s rights.

MOVIMENTO, MOVIMENTO …for what ?

To intervene! To action! To get together persons that feel a need of action. Persons that alone are turned off, but turn on in the presence of others.

The MOVIMENTO whats to intervene. Intervene by joining and intregating people and knowledge.

Wants to intervene in civic life, to announce the ‘good news’ and ensure that everyone can participate. Unstoppable cycle of . Ensuring the conditions of access to knowledge.

Wants to intervene in economic life, to explore new economic models that allows us to create new economic organizations, viable and transformative, able to create a new value ethics.

Wants to intervene in artistic life, to explore this new landscapes and help us to feel what we can´t understand.

Wants to intervene in scientific life, to explore new models and create new knowledge.

Wants to intervene in philosophic life, challenging the frontiers of this epistomology and speculate about the frontiers of science, art and others ways of intervention.

Wants to intervene in spiritual life that continues to raise the human spirit.

Wants to intervene in a multidiciplinary way, crossing disciplines and fields of knowledge, trying to expand the frontiers of human knowledge.

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(*) MOVIMENTO is movement in Portuguese Language. People are in movement. Planet have a movement. Life is a movement.


Referências/ References
- The Web Of Life, F. Kapra, 1996
- A Ciência de Leonardo da Vinci, F. Kapra, 2008
- O Livro da Consciência, A. Damásio, 2010
- Organizational Engineering: Management Is Out! Engineering Is in, P. Kartinen, 2004
- Change by Design, T. Brown, 2008