sábado, 5 de janeiro de 2008

Moral da Europa (ou da história)

A propósito do 'magríssimo'* acordo de Bali (mas mais vale este do que nenhum... eu sou optimista e evolucionista ;-) fiquei a reflectir sobre o papel da Europa (leia-se União Europeia) no mundo... (Balie e... também o Kosovo, Bélgica, País Basco, tratado de Lisboa e o seu anexo, relação com a China, Rússa, Israel/Palestina, America Latina, ...)

Tenho para comigo que o nosso único diferenciador são os valores. Metaforicamente falando, já estrámos na terceira idade, somos ponderados e reflectivos e, sobretudo, já vivemos muita coisa.

Vivemos ditaduras, monarquias, repúblicas, guerras, revoluções, contra-revoluções, libertinagem, liberdade, genocídios, crimes de todas as naturezas, separámos e juntámos estados, dividimos e pais e filhos, conquistámos, matámos, reflectimos, fizemos ciência, novas descobertas, fomos além mar, berço de civilização, tivemos e ainda temos terrorismo, muitos regimes frágeis, abolimos pena de morte, defendemos a vida e os direitos do Homem, ...

Ou seja, já fomos, ao longo da história, tudo de bom e de mau, que vemos ou apontámos nos outros. É essa a nossa autoridade! Não a de quem prega impoluto, mas a de quem prega com cicaterizes e feridas, muitas delas muito dolorosas. A nossa história (não tanto a explícita, mas a tácita, a sentida!)!

Sem falsos moralismos e com toda a moral da nossa História, devemos apregoar e fazer valer os nossos valores. Bali foi apenas um ténue exercício deste novo enunciado estratégico. E é por isso que foi pena o ANEXO (do tratado de Lisboa), a falta de comparência do Reino Unido na Cimeira UE/Africa. E é por isso que devemos ter relações com todos os Estados do Mundo, independente do seu regime - relações de estado, leia-se, onde o nosso posicionamento (o dos valores) deverá ser SEMPRE bem conhecido. E é por isso que devemos deixar bem claro aos nossos parceiros e/ou amigos qual o nosso posicionamento sobre as suas posições sobre o Ambiente (e as alterações climáticas), dos direitos do Homem, da democracia, como são os casos dos USA, China e Rússia. E é por isso que estamos em África e não queremos (podemos!) 'fazer negócio' com os Africanos. E é por isso...

Não é uma estratégia de curto-prazo, mas é a estratégia de afirmação da Europa como uma potência mundial de longo-prazo (a reboque desta questão terá que vir a defesa comum - é incontornável!).

Não para sermos farol de coisa alguma, tão só para a nossa sobrevivência e dos nossos valores.

-------
(*) Sobre a utilização desta polémica palavra consultar http://ciberduvidas.sapo.pt/pergunta.php?id=5198.

Sem comentários: