sábado, 1 de dezembro de 2007

A recursividade da política e a CM-Lisboa

Imaginem que quando esfregávamos a lâmpada e pedíamos ao génio os nossos desejos, ele por sua vez tirava uma lâmpada, esfregava e pedia ao novo génio os desejos, que por sua vez tirava uma nova lâmpada, ... já estão a ver a recursividade!

Lembro-me desta história*, sempre que os políticos, para disfarçar os seus erros, omissões, mentiras, incompetência, frustação, impotência ou qualquer que seja a razão, decidem culpar os do passado! É uma estratégia do 'single-loop learning' que visa manter a variável de governo 'maximizar os ganhos, minimizar as perdas'**.

Os rosas dizem que a culpa é dos laranjas, que por sua vez dizem que é dos rosas anteriores, e por ai fora... Já se pode ver que esta recursividade não leva a lado nenhum! Afinal politicamente uns foram subsitutídos pelos outros por causa do passado, mas com projectos de futuro!

Na semana que passou tivemos uma instância desta estratégia: CM-Lisboa e Sr. Presidente António Costa (há coisa de um mês já tinhamos tido outra no Parlamento com o Sr. Presidente do Grupo Parlamentar do PSD, Pedro Santana Lopes e Sr. Primeiro Ministro, José Socrates; e por ai fora).

No incidente da CM-Lisboa há mais duas coisas que me incomodam.

A primeira é o facto da gestão de primeira linha de uma organização pública se decidir vir governar para a praça pública: (i) os políticos acham que compensa! (ii) e os jornalistas deixam-se usar porque acham que compensa! - não há dúvida que no curto prazo há ganhos: uns porque afinal não foram esquecidos (porque se estranha que não se confie nos políticos ?)... os outros porque ganharam uma nova 'crise' com que se entreter (porque se estranha que não haja bom jornalismo?). Resta saber, no longo prazo, o que ganhou a instituição e os munícipes a quem serve ?

A segunda é a dívida (ou melhor dizendo as milhares de dívidas!). Então as ditas cujas não estão em contratos cujas facturam venceram a 30, 60 ou 90, ... dias !? e porque a instituição pública não honrou esses compromissos ? quando contratou já sabia que não ia honrar ? e o que acontece à instituição e às pessoas que não honraram os compromissos ?

É de resultados que estamos a falar: de eficiência e de eficácia!

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Como nota de rodapé gostava de dizer que o político António Costa é, na minha opinião, um dos melhores políticos Portugueses no activo.

(*) in Godel, Escher, Bach: An Eternal Golden Braid by Douglas R. Hofstadter
(**) ver http://www.infed.org/thinkers/argyris.htm

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