sábado, 8 de dezembro de 2007

Estado da Nação: 'educação'

Pelo estado da 'educação' (no sentido de escolaridade) se vê o estado da nação - é uma das minha convicções.

Na semana que passou foi conhecido mais um estudo e mais um resultado menos bom para Portugal (ver no Público "OCDE: Um quarto dos alunos só domina as competências mais simples a ciências" http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1312803) - que por si não quer dizer nada, mas somado aos muitos outros estudos anteriores e em particular aos que referem ao abandono escolar nos da geração que se segue à minha, é MUITO preocupante, digo mesmo MUITO GRAVE e como tal MUITO URGENTE a solução.

Para ilustrar como vejo o problema, uso a seguinte metáfora:
Um doente entra num hospital com uma pericardite (pt.wikipedia.org/wiki/Pericardite) de origem viral com compromisso do miocárdio (pt.wikipedia.org/wiki/Miocárdio). O especialista de medicina interna opta por uma terapêutica à base de ácido acetilsalicílico (e.g. aspirina), mesmo sabendo que a medicação facultada e a sua dose poderá provocar uma lesão no estômago: a preocupação número 1 é a vida.

A vida de Portugal (o Portugal com que sonho - falaremos disto noutro momento) depende de conseguirmos atingir, o mais rápido possível, a meta de todos os Portugueses terem pelo menos a escolaridade obrigatória: garantir 100% em todos os que nasceram em 2007 (e daí para a frente) bem como, 2006, 2005, ... pelo menos até 1987 - e eu tentaria ir o mais longe possível com os que nasceram em 1986, 1985, ... mas não tolerava menos que 100% para os restantes - vejo isto como a pericardite! Urge uma terapêutica adequada!

A conversa do estômago vem por cauda das desculpas: o défice, a falta de recursos financeiros e humanos, blá, blá, ... não são desculpas! Para curar a pericardite vamos ter que comprometer o estômago - e.g. parar a construção de alguma estrada, viaduto, túnel ou outra obra qualquer, venda-se património; não se aumente salários; haja criatividade! há mil e uma ideias para arranjar dinheiro - para além desta causa só vejo outra, a de salvar a vida de um outro ser humano.

O que está a faltar são especialistas de medicina interna com visão e real noção do problema e das suas consequências (ou será que o facto de não serem estes especialistas de medicina interna leia-se políticos- a estarem no activo daqui a uma geração é a razão para não se fazer nada ? - é um clássico das gerações mais velhas que a minha dizerem "não serei eu a apanhar com as consequências... quem lá estiver que se amanhe" )*

A terapêutica é um plano "Todos para a Escola". Um plano que se faça nas escolas e junto as famílias e não nos gabinetes do Ministério ou das Adminsitrações Regionais. Um plano que procure as causas e as ataque imediatamente. Um plano que mobilize toda a sociedade. Um plano que não mexa em leis!

(*) Comportamento típico de nível I (single loop learning) - ver http://www.infed.org/thinkers/argyris.htm.

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