sexta-feira, 7 de abril de 2017

As minhas práticas

Várias pessoas a minha volta tem-me perguntado sobre as minhas práticas, diárias, semanais, mensais, para me manter integro, inteiro, autêntico. Aqui resumo as que tenho praticado:

Diárias (ou praticamente)
- Meditação (aprox. 1h)
- Journaling
- Dormir pelos menos 7 horas
- Beber 1 a 2 litros de água (procurando que seja o mais próximo possível de água de nascente)
- Alimentação consciente: vegan; 30% de crus; tentativamente biológica, local, de comércio justo; sem uso de açucar adicionado, alcool, café, sal refinado; com uso consciente de glutén, soja, sal e cereais integrais
- Jejum de 14 horas
- Andar o máximo que puder
- Leitura de 1 hora (ou visionamento de documentários e/ou filmes ou visita a exposições/ museus)
- Estar diariamente com os meus filhos e companheira
- Procurar um equilíbrio entre eu e a companheira no dia a dia da família (e.g. logistica, filhos)
- realizar tarefas comuns de forma mindfulness (e.g. arrumar a cozinha, conduzir, brincar com os miudos)

Semanais
- Prática de yoga: 1 a 2 vezes por semana
- Caminhada na natureza, de preferência descalço: 1 a 2 vezes
- Estar com os meus pais (meu pai tem a doença de Alzheimer)
- Disponibilizar o meu saber para outros em dádivas que não esperam retorno ou retribuição (as vezes, sobre a forma de dinheiro)
- Ter tempo de qualidade com a companheira e filhos

Mensais
- Grupo/ circulo de homens
- Fazer algo de novo (e.g. cozinhar um novo prato, passear num novo local, viagem, ir a uma conferência que nunca iria, visitar um museu completamente fora de contexto)

Anuais
- Procurar um retiro de meditação anual de 10 dias e outros (1 ou 2) de menos duração
- Trabalho de sombra

Ocasionais
- Qi gong (gostava de tornar mais regular)
- Massagem
- Reflexologia
- Reiki
- Jejum mais perlongados/ limpezas (gostava de tornar mais regular)
- Dançar
- Desenhar (gostava de tornar mais regular)
- Música (e.g. cantar e/ou tocar instrumento) - a trabalhar para colocar no meu dia a dia


quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Sobre a 'Transparência'...

Um dos princípios fundadores da João Sem Medo é o 'princípio da transparência e accountability'. Vem do 'movimento manifesto' e dos seus 3 blocos principais 'inteligência colectiva', 'mediação tecnológica' e 'ética dos comuns'. No João Sem Medo é implementado usando o 'rio', que concretiza a mediação tecnológica entre a informação e as pessoas, que acolhe a informação de forma livre, não editada, convoca a inteligência colectiva da comunidade, suportado por uma ética de bem comum.

O tema da transparência é um tema forte nas 'organizações abertas' (https://opensource.com/open-organization/resources/what-open-organization) e para o contexto da liderança é um livro muito interessante 'Open Leadership: How Social Technology Can Transform How You Lead'.

No possibility management (http://www.nextculture.org/) - o próximo curso em PT começa a 24.Fev (https://www.facebook.com/events/336000726775079/) o Clinton apresenta um 'modelo de responsabilidade' que contempla os seguinte níveis: irreponsabilidade, responsabilidade infantil, responsabilidade adulta, alta responsabilidade e responsabilidade radical. Ele defende que a distribuição da população mundial ao presente é uma curva normal centrada na 'responsabilidade infantil' que ele caracteriza como 'alguém faz merda e o adulto vem limpar' (e.g. fabrica polui e o estado limpa; desastre nuclear e Mundo limpa). Diz que a magia e o nascimento de uma nova cultura só começa na 'alta responsabilidade' onde as pessoas começam a assumir mais responsabilidade do que a do seu espaço (e.g. pelos animais, pela Terra, pela sua vila, cidade). É a partir deste nível de responsabilidade que começam a aparecer os 'universos paralelos' como é Tamera, João Sem Medo e tantos outros espaços, onde alguém decidiu assumir mais responsabilidade que a da sua esfera pessoal.

Inspirado neste modelo, apresento a minha visão sobre a transparência no Mundo; vejo 5 níveis: 'secreto', 'público', 'voluntário', 'aberto', 'radical'.

'secreto' é o nível de transparência das polícias secretas, das mafias e das redes de crime organizado.

'público' (ou 'legal') é o nível legal, o que a lei obriga; as pessoas tornam publico o que são obrigadas (e.g. contas bancárias); as organizações o que são obrigadas (e.g. relatórios e contas; as declarações as finanças); no meu modo de ver, a distribuição das pessoas pelo nível de transparência é um curva normal centrada neste nível.

'voluntário' é o nível que vemos no 'multi-stakeholder'; as pessoas que começam a partilhar a sua informação para interagir com outros; as redes precisam deste nível para operar; as organizações que partilham informação e convocam ONGs, populações locais entre outros para ajudar a resolver os problemas, partilhando a informação; é o que estamos a ver nas organizações pos-modernistas (o www.consciouscapitalism.org).

'aberta' é o nível que emerge na internet com o 'open source', com a 'wikipedia', com os modelos baseados no 'crowdsourcing' e que agora se alastram pelos outros universos. É o nível que permite a inteligência colectiva, os movimento grassroot, o o open gov. Para mim o www.patientopinion.org.uk é um dos mais bonitos exemplos. Organizações a operar aqui, tem a informação aberta para toda a organização e abrem um pouco para fora, embora tipicamente não toda.

'radical' é quando a informação se torna aberta para o Mundo todo; a informação torna-se livre e disponível para todos, dentro ou fora; a informação privada passa a ser a informação inerente a condição humana, 'a experiência interior', 'as relações'; a interação com o Mundo torna-se pública. há poucos exemplos puros aqui, embora haja várias experiências. A wikipedia organização tem tentado actuar aqui. O partido pirata nórdico também. Experimentados este nível com a ONE Perfect Movement, a associação de onde nasceu a João Sem Medo.

No meu modo de ver uma nova cultura começa a emergir a partir dos níveis 'aberta' e 'radical'. Há uma relação directa entre o nível de responsabilidade 'adulto' e a transparência 'voluntária', bem como entre a 'alta' e a 'aberto'.

O que o princípio da João Sem Medo cultiva é o 'open'. É o que tenho usado deste sempre nas minhas organizações, já a 20 anos. É o que estamos a usar na 'homeostase'. Há um caminho para a transparência 'radical', mas é um caminho de passos curtos - por exemplo, na homoestase estamos a explicitar o desenho, o modelo da organização que estamos a criar, assim como na João Sem Medo.

O que vos emerge desta partilha ?

segunda-feira, 2 de março de 2015

Organizações de comuns: a emergência de um novo conceito de propriedade

Imaginem uma estrutura organizacional formada por 3 aneis, assim como o planeta Terra (Núcleo, Manto e Crosta).

O 'Núcleo' é formado pelas relações entre as pessoas que trabalham na organização (e.g. gestores, empregados), quem esta serve (e.g. cliente, utilizadores) e quem é necessário para o serviço (e.g. fornecedores, parceiros). Vamos chamar a este o 'anel da missão'. É um anel de nomeação automática, i.e., se estiver a ter um destes papeis, pertence automaticamente a este anel com os respectivos deveres e direitos. Ou seja, se sou empregado nesta organização pertenço automaticamente a este anel e não tenho como não escolher pertencer.

O 'Manto' é formado por todos aqueles que já estiveram no núcleo executivo e que já não estão, por terem deixado de ser clientes ou utilizadores, parceiros ou fornecedores ou porque se reformaram ou foram executar funções para outras organizações. Vamos chamar a este o 'anel do conhecimento'. É também um anel de nomeação automática, pelo que não posso escolher não pertencer. Assim que deixo de estar no 'anel executivo', passo a estar no 'anel do conhecimento'.

A 'Crosta' é formada por todos os outros stakeholders que tem interesse nesta organização e na sua função, como sejam financiadores, estado central (e.g. Min-Finanças, Min-Educação), estado local (CM, Junta de Freguesia), ONGs, Sindicatos, Ordens ou outros, dependente da sua localização, propósito e contexto social. Vamos chamar o 'anel da legitimidade'. Não é de nomeação automática. Faz parte do desenho da organização considerar cada tipo de stakeholder e quais os seus direitos e deveres.

Vamos ver alguns exemplos para tornar claro:

* Empresa
- Anel da missão: Os gestores, empregados, clientes e fornecedores
- Anel do conhecimento: os ex do anel da missão
- Anel da legitimidade: Eventuais investidores, sócios, Min-Seg. Social, Min-Finanças, Min-Adm Interna, ASAE , Camara local, Junta de freguesia, entidades do sector de actividade, incluindo concorrentes

* Escola (incluindo universidade)
- Anel da missão: Os professores, gestores, funcionários, alunos (ou sues representantes leagais) e fornecedores
- Anel do conhecimento: os ex do anel da missão
- Anel da legitimidade: Min-Educação, Camara local, Junta de freguesia, eventuais investidores, policia local, associação empresarial local, Min-Seg. Social, Min-Finanças, Rede de Educação Viva, Associação de Pofessores, Sindicatos de Professores e Funcionários entre outros

* Prisão
- Anel da missão: Os guardas prisionais, gestores, funcionários, presos e fornecedores
- Anel do conhecimento: os ex do anel da missão
- Anel da legitimidade: Min-Justiça, Camara local, Junta de freguesia, eventuais investidores, policia local, associação empresarial local, Min-Seg. Social, Min-Finanças, Min-Adm Interna, Cruz Vermelha, Associação Companheiro, Sindicatos dos guardas e funcionários, entre outros

* Tribunal
- Anel da missão: Os juízes, gestores, funcionários, min-público, advogados, réus e fornecedores
- Anel do conhecimento: os ex do anel da missão
- Anel da legitimidade: Min-Justiça, Camara local, Junta de freguesia, eventuais investidores, policia local, associação empresarial local, Min-Seg. Social, Min-Finanças, Min-Adm Interna,  Sindicatos dos juízes, procuradores e funcionários, entre outros

* Bairro
- Anel da missão: Os habitantes, comerciantes e demais serviços
- Anel do conhecimento: os ex do anel da missão
- Anel da legitimidade: Camara local, Junta de freguesia, eventuais investidores, policia local, igreja, Min-Seg. Social, Min-Finanças, Desporto, entre outros

Ou centro de saúde, hospital, parque florestal, bacia hidiografica, ...

Cada anel reúne-se numa câmara com desenho específico e competências específicas.

O 'Anel da missão' é o anel de onde emana o poder executivo, a gestão da missão e do dia-a-dia. A forma de governação e os seus representantes resultam deste anel - por exemplo a semelhança dos modelos apresentados em Leitura 'reinventing organizations'.

O 'Anel do conhecimento' é o anel que representa o conhecimento de quem já lá esteve, já passou e que pode servir para auditar os serviços, a qualidade, mentoring de pessoas novas que estão a entrar na organização (e.g. professor reformado que faz mentoring e acompanha o professor novo). Tipicamente funções não vinculativas mas determinantes para que o conhecimento não se perca e possa atravessar gerações e todos os cantos da organização e sociedade.

O 'Anel da legitimidade' representa os interesses e a sociedade maior. Este anel confere a legitimidade e os meios para a organização existir. Para além dos retornos esperados (e.g. capital, bem social, bem comum, segurança) tem a função de aconselhamento, acompanhamento, supervisão e o papel de higienização do sistema, i.e., pode, em casos bem definidos, pedir aos outros aneis que substituam as suas lideranças ou regras de governação - é uma espécie de presidente da républica, é uma valvula de segurança, pode desfazer mas não pode fazer. Representa-nos a todos nós - os comuns (a sociedade, nacional e mundial, a humanidade) - nesta organização.

Os bens necessários para a execução da função como seja o terrenos, edifícios são da propriedade da organização. Os recursos físicos, em particular ligados ao Planeta Terra (e.g. terra, água, ar) tem um estatuto especial e não podem ser alienados sem as três câmaras estarem de acordo, i.e. uma escola não se pode desfazer ou vender o seu património sem os 3 aneis estarem de acordo. Idem para um tribunal, prisão. Um bairro a terra, as habitações e demais espaços seriam desta organização.

Como podemos observar, neste modelo de organização cada pessoa é convidada a responder a pergunta 'qual a responsabilidade que estou disponível a assumir nesta organização?'. Cada pessoa que se encontra vinculada a ela representa todos os outros. É como se fosse um 'dono'. Trabalha para si, para as pessoas da organização e para o bem comum.

Haverá mecanismos que suportam a decisão, a saida e entrada de novas pessoas e organizações - podemos ver bons exemplos em Leitura 'reinventing organizations', mas o ponto chave é a mudança de mentalidade que exige a cada um de nós e a forma como a propriedade se manifesta.

O que exige de cada um de nós ?
Uma nova ética ('a praia ficou melhor por eu ter lá estado' - uma ética de união da natureza de que o humano é parte integrante), uma nova forma de olharmos o que fazemos e quem somos, ao nível individual. O conceito de 'trabalho' evolui para ser realização, colocar os meus talentos ao serviço dos outros em vez de sinonimo de 'escravatura moderna' (Breves notas sobre emprego (enciclopédia 5). Cada um de nós é um empreendedor e lider, estando bem ancorado na sua pessoa, no seu Eu total, como é o caso das pessoas que vemos nas organizações citadas em Leitura 'reinventing organizations'.
Podemos ver mais em Nós, os comuns (We, the commons sobre este tema.

Como se manifesta a propriedade ?
Temos observado que surgiu uma dinâmica de propriedade privada e pública. Esta esfera é uma esfera nacional, de cada estado nacional. Dentro da privada observamos duas lógicas, a lógica de ser individual ou de pequeno grupo (pessoa ou família) e a colectiva ou de grande grupo (mercado ou cooperativa). Mas a lógica é sempre a mesma, daquele que pode dispor e o seu âmbito limitado a um estado nacional e as suas normas.
Captei estas perplexidades em Breves notas sobre propriedade (enciclopédia 4).

Temos observado emergir novos conceitos como o 'bem comum' e o que isso significa, permitindo uma gestão de recursos a uma escala supra-nacional (e.g. nações unidas), como é o caso dos oceanos e dos recursos piscícolas, do ar e sua qualidade. O foco passa para o 'bem' e para a necessidade de articular as redes locais que permitam políticas globais para bens globais.
Há a necessidade de um novo modelo, um modelo que se relacione com a 'condição humana' e com as funções necessárias a esta condição, seja educação, alimentação, habitação, justiça, segurança entre outros. São funções que fazem sentido sempre que existe vida humana, independente do estado nação, do local onde nasceu o humano, da sua idade, raça, credo, ou qualquer outro atributo. E em que os responsáveis por garantir são os humanos que estão ali e agora nesta função, seja na escola do meu bairro, ou no tribunal da minha cidade.

Em que medida configura um novo conceito de propriedade ?
Na medida em que se não limita a esfera de um quadro jurídico nacional, antes um função a ser assegurada por um colectivo. Um terreno de uma escola só é alienado se todas as esferas estiveram de acordo - já viram bem o que isso significa ? Se quem trabalha lá agora e é servido pela função concordar, se quem já lá esteve concordar e quem representa todos nós, as diferentes entidades e poderes, concordar. Imaginem agora quem vai a escola ? onde nasceram as crianças e os seus pais ? em que local está ? ou seja, tudo isso não é relevante para a decisão, o importante é que são esses humanos que a mentém activa para todos nós.
Tanto quanto é do meu conhecimento o conceito ainda não existe num qualquer quadro legislativo e para mim é possível implementa-lo no actual quadro em Portugal com algum esforço. Vejo este tema ser enunciado em muitos locais, por muitos autores e em muitos contextos. Há vários modelos a emergir.

Muitas questões se levantam, mas este post não tem a ambição de responder a essas questões. Tão só convidar-vos para este exercício de imaginação e reflexão. O que seria diferente ? Como seria o Mundo organizado desta forma ?

Na Leitura 'reinventing organizations' o autor fala de vários modelos de organização com diferentes níveis de conbsciência mas os tipos de propriedade são os mesmos (azuis, laranja e verdes). Este modelo procura um modelo de propriedade do nível de consciência amarelo ('teal'). É um modelo, uma proposta para reflexão e experimentação - não é a coisa (pessoalmente, não acredito na coisa; é solução para algumas coisas e não para todas; com a experiência vamos descobrir falhas e teremos que evoluir; mas isso não nos pode impedir de avançar, com o alerta da história e sabendo que a ciência e a verdade, são com a vida e também se transformam a cada nascimento e morte).

Para mim é o ponto de alavancagem da transformação de todo o sistema - a mudança do conceito de propriedade.  Estou envolvido em alguns casos de organizações que caminham para serem 'orgnizações de comuns' - o João Sem Medo é uma delas.

Estou disponível para conversar sobre este tema com quem queira reflectir sobre o mesmo.

As minhas inspirações para este conceito foram (foi sobre este ombros que construi):
- 'Social Business' do M. Yunus (Yunus Social Business)
- 'Organizations as a servant' do R. Greenleaf (Greenleaf Center for Servant Leadership)
- 'Teal Organizations' do F. Laloux (Reinventing Organizations)




Leitura 'reinventing organizations'

Li a pouco um dos mais estimulantes livros sobre o tema das organizações, seu desenho, propósito, estratégia, liderança, empreendedorismo e casos.

Partilho o livro e duas palestras sobre o tema

Livro (Frederic Laloux): http://www.reinventingorganizations.com/ (há uma versão low-cost em formato digital)

Palestras:
(2014) https://www.youtube.com/watch?v=gcS04BI2sbk (1h15 m) - boa exposição do tema; perguntas e respostas fraco

RSA (Jan.2015): https://www.youtube.com/watch?v=QA9J-aKkOAI (~25 m) - exposição mais resumida; excelentes perguntas e repostas


Este livro permitiu-me observar que:
- Safira (1996-2005) era laranja com muitas praticas de Verde
- darwin (2005-2011) era verde com algumas práticas de Amarelo
- João Sem Medo (2011-) é amarelo (ainda com muito verde)

Por aqui tem se observa o meu nível de consciência e a caminhada. Foi um grande livro para mim. Sinto que é um grande livro para a humanidade em particular para quem se foca no tema de como organizamos a nossa acção.

Este livro surge numa história de grandes livros para mim (vou listar alguns para enquadramento):
- Quinta disciplina do Peter Senge
- Estrutura e dinâmica das organizações do Mintzberg
- New Age of Innovation do Pralahad
- Comunidades de Prática do Wenger
- Knowledge Creating Company do Nonaka
- Open Leadership da Li
- Individualized corporation, Ghoshal e Bartlett
- Relational Leading Gergen
- The Hidden Power of Social Networks do Ross
- Teoria Integral do Wilber
- Dinâmica da Espiral do Beck
- Reinventing the social do Latour
- Leading from the future do Schammer
- Vários livros de casos: Conscienss Capitalism (Whole Food Market), Hapinness (Zappos), Virando a propria mesa (Semco) só para citar alguns - todos eles verdes

Recomendo vivamente as palestras e o livro. Estou disponível para conversar sobre este tema com quem tiver lido o livro.

terça-feira, 22 de julho de 2014

Leitura de Verão

Leitura que recomendo para este Verão:

Conscious Capitalism: Liberating the Heroic Spirit of Business
John Mackey*, Rajendra Sisodia
http://www.consciouscapitalism.org/resources/538

(*) Co-founder do Whole Foods Market (www.wholefoodsmarket.com)

Grato Bernardo Teixeira Diniz pela sugestão.

domingo, 1 de junho de 2014

Poder da Escolha

(Foi escrito, no contexto do RECREIO de Empreendedorismo a 27 de Maio de 2014)

Muito há a dizer sobre a Escolha. Escolher é uma capacidade mental determinante num empreendedor. Como vimos na IME o empreendedor escolhe o que esta disponível a perder, escolhe de entre os meios que tem disponíveis, quais utilizar, escolhe o que vai fazer com esses meios, escolhe como vai avaliar os resultados, escolhe como vai apreender e como vai usar essa aprendizagem.

É de facto um elemento determinante. É na escolha que o empreendedor, cria mundo. Escolher responder a um email, que é um pedido de um potencial cliente, cria um novo mundo, o mundo em que escolhi poder ter este potencial cliente como cliente. Escolher ir a uma reunião ou não. Escolher responder a oportunidade em Angola ou não.

Na natureza há coisas que são reversíveis e há coisas que não são reversíveis. Posso atirar uma pedra para a água e voltar a tira-la; depois de seca a pedra será a mesma. Mas se deitar uma gota de tinta na água já não poderei reverter esse efeito e voltar a ter a gota de tinta. A vida é assim. Depois de fecundar, a vida revela-se e segue o seu curso. Depois de nascer a vida segue o seu curso. Não é possível desfazer, voltar atrás. É o fluxo da vida. Cada decisão, cria um novo mundo. Fecha umas portas. Abre outras.

Vejo a 'escolha' como irreversível, i.e., uma vez feita a escolha é criado um mundo que não é possível voltar para trás. Quando escolho me render ao amor que sinto por uma pessoa, já não consigo voltar ao estado anterior. Quando escolho, reduzo alternativas, mas crio espaço para novas oportunidades emergirem. É como podar a planta para resistir ao Inverno e florir com mais força na Primavera. A escolha tem sempre estes dois lados, o que se fecha, o que termina; o que se abra, o que se inicia.

Por um 'bias' da nossa memória, lembramo-nos das grandes escolhas, aquelas que marcam a nossa vida, mas esquecemo-nos das pequenas escolhas, aquelas que definem os nossos pradrões, hábitos, vícios. Tornam-se invisíveis, transparentes, inconscientes.

A escolha é um contínuo. Estou sempre a fazer escolhas, desde que acordo. É no padrão dessas micro-escolhas que emerge um comportamento de fundo. Se quero fazer novas escolhas, preciso actuar a este nível. Fazer micro-escolhas diferentes. Poderei dizer que escolhi sem saber porque, ou que foram escolhas inconscientes, mas não deixam de ser escolhas e escolhas que são minhas. Quais são as escolhas conscientes, que quero escolher fazer para cada vez ter menos escolhas inconscientes ? Quais são as escolhas conscientes, que quero escolher fazer para criar novos padrões de escolha ?

Se eu 'não sou Empreendedor' e quero 'ser Empreendedor', como vimos na jornada do herói, isso quer dizer que como 'não Empreendedor' faço as escolhas de uma maneira e quero passar a fazer as escolhas de outra maneira, da maneira 'Empreendedor'. Ou seja, escolho mudar os meus padrões de escolha. Escolho, 'escolher' diferente. Quais as escolhas que quero escolher fazer para suportar esta jornada ? Como poderei fazer a jornada escolhendo da mesma forma ? Como poderei esperar resultados diferentes das mesmas escolhas ? Se todos os dias de manhã bebo café com leite, não me posso espantar do meu pequeno-almoço ser sempre café com leite. Para ter um pequeno almoço diferente terei que fazer escolhas diferentes no supermercado e de manhã quando faço ou peço o meu pequeno-almoço.

Estar em contextos diferentes com pessoas diferentes obriga-me a fazer escolhas diferentes, em colocar em evidência os nossos padrões - o alargar da zona de conforto. Escolher estar no coworklisboa, escolher servir, escolher aprender o diálogo, escolher realizar acções de angariação de fundos, escolher explorar ideias, são escolhas. Escolhas que queriam novos mundos. Que criam novos padrões de escolhas.

Que escolhas vou escolher fazer hoje para amanhã poder ter uma escolha diferente ?

sábado, 11 de janeiro de 2014

RECREIO de Empreendedorismo

Lançei o RECREIO de Empreendedorismo. É um programa a 3 anos. O Módulo 1, gratuito e cujo objectivo é seleccionar a classe que vai fazer os restantes módulos, inicia-se a 24.Jan.

O Programa é:
- Workshop 'todos podem aprender empreendedorismo'
- Workshop 'comportamento empreendedor'
- Jornada do Empreendedor, Desenvolvimento Humano
- Introdução ao Desenvolvimento Humano
- Jornada do Empreendedor, Comunidades Resilientes
- Introdução às Comunidades Resilientes
- Jornada do Empreendedor, Método Empreendedorismo
- Introdução ao Método Empreendedorismo
- Diálogo 'Ser empreendedor é uma alternativa a minha situação actual ?'

São formatos que foram desenhado por mim ao longo dos últimos 2 anos e que são construídos sobre 'conversas que transformam' (Alguns livros sobre 'conversas' e 'formas de conversar' e RECREIO de Liderança - Conversas (entre pares) que transformam).

Vou apresentar duas versões:
- uma concentrada em 6 +1 dias em horário laboral
- outra dispersa em 9 meios-dias, durante 9 semanas em horário pós-laboral

Na divulgação, escrevi:

"
Neste RECREIO vamos fazer o que se fazem em todos os recreios, vamos aprender conversando, vamos aprender imitando, vamos aprender experimentando, vamos aprender brincando. Como nos recreios, somos todos iguais na nossa diferença, somos pares. São brincadeiras entre pares, que transformam. São conversas entre pares, que transformam.

É um programa de empreendedorismo que visa capacitar cada um de nós para o exercício de um particular estilo de empreender, suportado pela acção consciente de pessoas que manifestam a sua autenticidade e estão no seu elemento, florescendo, um empreendedorismo pelo Mundo em que queremos viver, pelas condições de vida com que queremos viver.

É um programa experimental que tem por objectivo criar as condições para que cada pessoa possa desenvolver o seu projecto, em equipa, entre pares.

É desenhado para todas as pessoas que queiram avaliar se ser empreendedor é a forma de vida pela qual querem viver e se estão disponíveis para abraçar a viagem de 2 a 3 anos.
"


Iniciou o RECREIO de Liderança

No dia 7.Janeiro abri o campo para o programa experimental do RECREIO de Liderança (ver .RECREIO de Liderança - Conversas (entre pares) que transformam)
Somos 12 os que iniciaram esta viagem. O momento ficou registado - vejam no meu facebook.

No email de divulgação escrevi:

"RECREIO para uma liderança dos comuns" (ver Nós, os comuns (We, the commons))

Neste RECREIO vamos fazer o que se fazem em todos os recreios, vamos aprender conversando, vamos aprender imitando, vamos aprender experimentando, vamos aprender brincando. Como nos recreios, somos todos iguais na nossa diferença, somos pares. São brincadeiras entre pares, que transformam. São conversas entre pares, que transformam.

É um programa de liderança que visa capacitar cada um de nós para o exercício de um particular estilo de liderança, uma liderança que serve, que facilita, que respeita, que ouve, que mobiliza, que inclui, uma liderança de pessoas que se vêm como pares na sua condição de seres humanos.

É um programa experimental. Tem por objectivo habilitar cada pessoa a liderar no seu contexto de intervenção e experimentar este método de aprendizagem, por forma a poder dessiminar, de forma viral, este estilo de liderança (após concluir, cada um dos participantes poderá iniciar um programa no seu contexto e por ai fora).

É desenhado para todas as pessoas que queiram servir:
- Facilitadores ou candidatos a facilitadores
- Empreendedores ou candidatos a empreendedores de todos os tipos
- Pessoas que estejam ou queiram a mudar comunidades ou organizações
- Quadros dirigentes públicos, privados, ONG, bairros, redes, cidades
- Políticos locais, nacionais

(Neste momento temos a limitação do Inglês e da leitura/ escrita; no futuro gostava de ultrapassar estas limitações com a tradução dos livros e livros falados - este deveria ser um estilo de liderança para todos - Liderança (Metáfora de Manada) )

Em anexo podem encontrar o programa e as suas condições. Irá decorrer de 7.Jan a 16.Dez de 2014. Prevê um esforço de 512 horas + retiros, o que inclui a aprendizagem de 8 tecnologias sociais, leitura de 9 livros, 38 sessões de diálogo, frequência de 7 eventos de fim de semana, 2 a 3 retiros e organização de 8 acções, uma para cada metodologia/ tecnologia social utilizada.

Sublinho que foi desenhado para ser realizado em simultâneo com o 'Curso de Transição Interior' do José Soutelinho, seja no formato semanal ou mensal (http://despertutor.blogspot.pt/) e/ou com os 'Zorbuddha24',  'ZorbuddhaHD' do Vasco Gaspar (http://www.zorbuddha.org/).

Vou organizar três sessões de esclarecimento, em circulo, deste programa durante o mês de Dezembro; será em terças-feiras e nas horas das sessões para que possam testar da viabilidade (serão no coworklisboa na Central Station):
- 3a feira, 03.Dez às 19h
- 3a feira, 10.Dez às 19h
- 3a feira, 17.Dez às 19h

Nota: Nestes dias das 18h às 19h, no mesmo local, irei falar sobre a minha visão para o Mundo em que vibemos, que inclui uma ética ('commons ethics') um projecto político ('nós, os comums' / 'we, the commons'), um outro conceito de propriedade ('commons ownership') e uma outra liderança ('commons leadership'), visão essa para ser desenvolvida por nós, os comuns - "Eu sei como resolver isto!"Nós, os comuns (We, the commons)). A ideia seria o RECREIO ser a primeira 'common ownership' (estende o conceito de 'social enterprise' do Yunus). O RECREIO existe por si, mas escolhi ser transparente nas minhas motivações para com todos vós."

RECREIO de Liderança - Conversas (entre pares) que transformam

Poderei ser um lider que, servindo a minha comunidade e/ou organização, facilito a sua transformação ?


Aprender a conversar, para conversando, aprender a agir.
Aprender a agir, para agindo, aprender a liderar.


Programa
Este programa terá 8 módulos organizados segundo o ‘método da aprendizagem entre pares’ e 3 momentos de integração, i.e. paragens para integração e ligação. Irá fazer uso de 9 livros, 3 retiros de meditação e 38 sessões de diálogo.

Método de aprendizagem entre pares para um módulo/ tema:
  • Leitura de um livro em 3 semanas
  • Resumo do livro no máximo de 5 páginas
  • Revisão de 1 resumo
  • Participar num evento da comunidade de prática (tipicamente 2 dias)
  • Organizar um evento usando a metodologia (iniciar durante o módulo)
  • Fazer relatório da organização do evento no máximo de 1 página
  • Participar nas 4 sessões de diálogo para cada módulo
  • Pensado para uma média de 50 horais


Foi desenhado, incluindo o ‘método da aprendizagem entre pares’, e será facilitado por Marco de Abreu.


Módulo 01: Conversa em (pequeno) grupo


Módulo 02: Conversa a dois
  • Metodologia: Coaching ontológico
  • Resumo a: 25.Fev
  • Sessões de diálogo: 04.Fev, 11.Fev, 18.Fev, 25.Fev, 11.Mar
  • Evento: (fim de semana em Fev a definir - provisório 15/16 de Fev)
  • Comunidade de prática representada por João Sevilhano


Módulo 03: Conversa comigo próprio
  • Metodologia: Inteligência emocional baseada em Mindfulness
  • Livro: Search Inside Your Self, Chade-Meng Tan (há uma versão em PT)
  • Resumo a: 08.Abr
  • Sessões de diálogo: 11.Mar, 18.Mar, 25.Mar, 01.Abr, 08.Abr
  • Evento: (fim de semana em Mar a definir - provisório 22/23 de Mar)
  • Comunidade de prática representada por Vasco Gaspar e Anne Sophie Dubanton


Momento de integração ‘eu, comigo próprio’
  • Fim de semana residencial (2,5 dias) - retiro de meditação: início sexta, 11.Abr 19h30,  final domingo, 13.Abr 18h30


Módulo 04: Conversas em situações de conflito
  • Metodologia: Comunicação não violenta
  • Resumo a: 27.Mai
  • Sessões de diálogo: 06.Mai, 13.Mai, 20.Mai, 27.Mai, 03.Jun
  • Evento: (fim de semana em Mai a definir - provisório 17/18 de Mai)
  • Comunidade de prática representada por Sophie Marie Van Merris e Allan Sousa


Módulo 05: Conversas para partilhar conhecimento


Momento de integração ‘eu, comigo próprio’
  • Semana residencial (5,5 dias) que será marcada entre os dias Sexta, 25.Jul 19h30 e o domingo, 03.Ago 18h30
  • Facilitado por José Soutelinho (que também representa a comunidade de prática)


Módulo 06: Conversas para agir (motivação e compromisso)
  • Metodologia: Espaço Aberto (Open Space Technology)
  • Resumo a: 23.Set
  • Sessões de diálogo: 02.Set, 09.Set, 16.Set, 23.Set, 30.Set
  • Evento: (fim de semana em Set a definir - provisório 13/14 de Set)
  • Comunidade de prática representada por (a definir)


Modulo 07: Conversas para pensar (soluções criativas)
  • Metodologia: 6 chápeus (six-hats)
  • Livro: Six Thinking Hats Paperback, Edward de Bono (há uma versão em PT)
  • Resumo a: 21.Out
  • Sessões de diálogo: 30.Set, 07.Out, 14.Out, 21.Out, 28.Out
  • Evento: (fim de semana em Out a definir - provisório 11/12 de Out)
  • Comunidade de prática representada por (a definir)


Modulo 08: Conversas para decidir
  • Metodologia: Conselho (council)
  • Livro:  The Way of Council, Jack Zimmerman (versão em EN)
  • Resumo a: 18.Nov
  • Sessões de diálogo: 28.Out, 04.Nov, 11.Nov, 18.Nov, 25.Nov
  • Evento: (fim de semana em Nov a definir - provisório 08/09 de Nov)
  • Comunidade de prática representada por (a definir)


Momento de integração ‘eu, lider’


Horários do Programa
  • 38 Terça-feira das 19h às 22h30
  • 7 Fim de semana do evento:  Sábado e Domingo das 9h00 às 18h
  • 1 Fim de semana residencial (2,5 dias): início sexta 19h30,  final domingo 18h30
  • 1 Semana residencial (5,5 dias): entre sexta 19h30 e domingo 18h30
  • 1 Semana residencial (7 a 11 dias) - a definir (opcional)


Condições do Programa

  • Carga horária prevista de 512 horas anuais + retiros (9 + 11 dias)
  • Investimento total: 11 x 100€ + livros, despesas dos eventos (média de €100/evento), despesas do fim-de-semana e semana residencial - estimativa de €2700
  • O investimento compreende 38 sessões de diálogo, 7 fins de semana de eventos, 2 a 3 retiros (não inclui despesas de deslocações/ transportes)
  • Nº mínimo de participantes por edição: 10 (possibilidade de atribuição de 1 bolsa)
  • Nº máximo de participantes por edição: 20 (possibilidade de atribuição de 2 bolsas)
  • Salvo motivo de força maior, a falta a um dos módulos inibe a participação nos restantes.
  • Local: Central Station, Lisboa. Os retiros serão em Portugal em local a anunciar.
  • Diploma de frequência do ‘Recreio de Liderança’ com referência a todos os métodos.
  • Nota: Aos valores acresce IVA a taxa em vigor.
  • Informações/ inscrições: Marco de Abreu